
FALA COXAnauta!
Por Sergio Brandão
O cara que inventou o futebol não pensou no torcedor. Ou pelo menos não imaginou que teria vários deles se juntando e formando multidões em torno da bola que hoje corre o planeta, envolvendo interesses, dinheiro, vaidade e bastidores (às vezes sórdidos).
O cara que inventou o futebol não imaginou que mexeria com emoções. Que muitos chorariam de alegria e outros de tristeza. E que isso se transformaria em amores e paixões. E que em pouco tempo, o planeta inteiro estaria envolvido com aquele jogo: torcedores, jogadores, dirigentes, empresários, trabalhadores de diversos setores, que hoje vivem do futebol.
O cara que inventou o futebol não sabia que a figura do torcedor seria importante lá na frente. Foi um grave erro não fazer esta previsão. Talvez o maior de toda a história do futebol, e por isso, o torcedor, esta figura apaixonada, foi surgindo aos poucos - quase espontaneamente.
Hoje, sem ele o futebol perderia a graça, acho até não existiria.
Sem chamar muito a atenção, foi se acomodando em volta da festa. Aos poucos foi ganhando visibilidade. Até arrumaram um lugar pra ele. Organizaram melhor o futebol que passou a ser chamado de espetáculo, só para conquistar o torcedor. Ganhou arquibancadas, espaços maiores, mas sempre deixaram claro que não deveria passar dali. Cercaram e isolaram o espetáculo. Com isso, o torcedor acabou ficando com o lado mais frágil desta relação. Foi obrigado a aceitar as regras impostas. Pode sofrer, pode gritar, chorar, se emocionar, dar palpite... Mas tudo precisa obedecer a distância estabelecida. Mesmo que ele tenha algo importante para dizer. Nem que ele seja o único capaz de enxergar soluções que os outros não enxergam, mesmo assim ele nunca foi ouvido.
Assim mesmo, a paixão cresce ainda mais. Ele enlouquece lá do outro lado, angustiado assistindo tropeços e desmandos que vão tirando a magia do futebol.
Isso se repete em muitos lugares, mas a ele - ao torcedor - continua sendo dado apenas o direito de pagar o ingresso, e da arquibancada torcer calado. Gritar só para atrapalhar o adversário.
Alguns assistem sem acreditar um fracasso jamais visto em mais de 100 anos de história. A ele, só resta torcer e pedir aos céus que honrem seu clube.
Sergio Brandão é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)