
FALA, COXAnauta!
A Copa e o estádio
Sou radicalmente contrário à Copa 2014 no Brasil. Os jogos Pan-Americanos comprovam que, se temos condições materiais e financeiras, não temos condições morais para promovê-los, visto que, orçados em 300 milhões, já custam 3,5 bilhões e ainda há 3 meses de gastos pela frente, sem certeza nenhuma de que todas as modalidades serão disputadas e com centenas de denúncias de corrupção, sem contar que nenhum dos equipamentos urbanos prometidos, como linhas do metrô e corredores de trânsito, foram construídos em favor da cidade do Rio de Janeiro.
No entanto, eu sou favorável à construção de um novo estádio. Se Giovani Gionédis atrair esses investidores (mesmo que não saia a Copa aqui), ele garantirá a existência e a grandeza do Coritiba Foot Ball Club por mais 100 anos, independentemente de ser ou não reeleito em dezembro próximo, considerando que, assinado um contrato assim, ele é candidatíssimo à reeleição, a despeito dos resultados em campo.
Eu também estou na campanha "Fora Gionédis", mas isso não me faz perder o olho da realidade.
O Coritiba precisa, sim, construir um novo estádio e mudar-se do Alto da Glória, é questão de sobrevivência da instituição no longo prazo.
Eu tenho todo o carinho e consideração pelo Couto Pereira, em razão de muitos dos momentos mais felizes de minha vida que passei naquelas arquibancadas. No entanto, é um estádio superado, que em breve não atenderá os requisitos do futebol do futuro, cujo modelo de gestão vem da Inglaterra, em que os jogos de futebol são realizados em verdadeiros teatros que são apenas parte de complexos maiores que envolvem lojas, cinemas, museus e facilidades para o público em geral e para os associados de cada clube, o que é consectário da gestão dupla clube-empresa.
No futuro, não haverá clube que não será ao mesmo tempo empresa, e não haverá empresa que manterá um time de futebol sem um clube, porque o negócio vai girar em torno de conceitos de rendas fixas (mensalidades de sócios, que são consumidores fixos) e rendas variáveis (patrocínios, publicidade, bilheteria, marketing, etc...). E sendo justo com quem já percebeu isso, há apenas um clube, em Curitiba, que hoje envereda por esse caminho, mesmo timidamente, pois faz propaganda demais e age de menos.
Um novo estádio possibilitará ao Coritiba vender de 8 a 10 planos diferentes de associação. Aumentará a exposição da marca, gerará receitas fixas de alugueis de lojas e lanchonetes, porque além de estádio, haverá um shopping-center.
Imaginemos que o terreno do Alto da Glória seja transformado em dinheiro. Uma parte dele seria vendida, na outra, seria mantida a churrascaria hoje existente e erigida uma sede social e administrativa e um museu e até lojas de conveniência para aquela região, o resto do dinheiro quitaria as dívidas do clube e, com 4 ou 5 milhões de reais, seria possível fazer as obras que faltam no CT Bayard Osna e montar um outro, exclusivo par a as categorias de base, onde poderia se instalar uma escola primária e secundária para atender os atletas e mesmo para atender alunos não ligados ao clube. O Coritiba continuaria a ser o clube do Alto da Glória, mas jogando em um estádio moderno e com uma estrutura capaz de torná-lo um dos maiores do mundo, porque o terreno que ali existe é valorizado e há, sim, condições para grandes operações financeiras sobre esses assuntos.
Pôr abaixo o Couto Pereira para construir outro estádio ali não me parece sensato pois, para erigir um estádio efetivaente moderno, seria necessário adquirir muitos terrenos em volta, além, claro, de demolir as estruturas atuais, quebrando contratos (o da churrascaria, por exemplo) e deixando o clube por dois anos, no mínimo, sem lugar onde jogar, numa época em que, a despeito dos projetos, a prioridade é voltar para a série A.
O único senão que tenho a essa proposta é a localização. Eu nunca assisti jogo nenhum no Pinheirão, não gosto daquele estádio. Mas temos que lembrar que um projeto de novo estádio certamente vai analisar a estrutura existente e alterar principalmente a localização e a forma de instalação do campo de jogo, para que ele não sofra efeitos do lençol freático que lá existe. Fora isso, um estádio moderno será erigido em uma região que se tornará nobre na cidade, pois bem servida de avenidas e envolta em áreas residenciais, onde efetivamente falta um shopping center para valorizá-las. O problema é que o terreno do Pinheirão está penhorado para arcar com dívidas da FPF, que giram em torno de 15 milhões de reais. Isso precisa ser equacionado e solucionado antes da colocação do primeiro tijolo.
E por fim, tenho que dizer que o projeto aparenta ser sério e comprometido, justamente porque hoje, 11/04, os jornais rubros da capital não pouparam críticas e não deixaram de levantar nenhum senão sobre ele. É sinal claro de que os interesses do coronel foram mexidos, é sinal de que, pelo menos desta vez, Gionédis está no caminho certo.
Fábio Mayer é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)