
FALA, COXAnauta!
Aos corneteiros
Terça foi um jogo atípico, e muito difícil. Quando entrei no estádio, faltava cerca de 1 hora para o jogo, e o estádio estava vazio, aquela chuva que não passava, aquele frio... Mu primeiro pensamento foi de preocupação. Eu sabia que o time da Ponte viria retrancado, e, com poucos torcedores, será que o time jogaria com aquela raça do jogo passado?
O tempo foi passando e percebi que o estádio estava ficando cada vez com mais torcedores, e com certeza, torcedores muito fiéis ao time, e, perto do início do jogo, já tinha um público muito bom para aquelas condições. Fiquei mais otimista, pensei comigo mesmo: "os jogadores vão dar valor a essa galera que compareceu".
O jogo começou com a festa de luzes da Império, e logo no início deu pra ver que o jogo seria de pouco futebol. Resolvi observar individualmente os jogadores, vendo as reações, as decisões, os erros. Vi um zagueiro que provavelmente é o melhor do país, que pensa rápido com a bola e tem habilidade pra fazer o que decidir. Tentei me colocar no lugar dele e vi o quanto ele joga. Se a bola sobra na fogueira, na área, ele com calma vira para a lateral mais próxima com a bola nos pés, e aí ele vê o que é melhor, chutão pra frente ou sair tocando com alguém, é muito perigoso, ele pode perder a bola e tomar o gol, mas ele tem ótimo controle de bola e confia em si mesmo. Então, se algum adversário encosta, dá-lhe chutão pra lateral, pra linha de fundo, pra frente.
Depois dessa análise, comecei a olhar para os outros jogadores e vi um time lutando. Alguns cometiam erros feios, mas isso é absolutamente normal, a pressão de se jogar naquela situação, não há tempo para decidir o que fazer e ainda fazer certo, tudo tem que ser olhado com olhos mais inteligentes (agora começo a falar para os corneteiros), não os olhos de quem vai pro estádio para ver um show e uma goleada do nosso time. O placar dos jogos está longe de ser a realidade do que acontece em campo. Pense se um zagueiro da Ponte enfia o pé na bola antes do gol do Keirrisson, e se a bola bate no gramado liso ao invés da poça e escapa do Henrique, se mudássemos somente isso do jogo, somente esses dois ínfimos detalhes perto da infinidade de possibilidades do jogo, ia ter gente gritando "Vergonha!" no fim do jogo, já tinha gente xingando jogador antes do jogo acabar... Agora pare e pense nesses detalhes, e veja se devemos avaliar o jogo pelo placar. Não! Temos que olhar para o time como um todo, a raça, o conjunto, os passes, o entrosamento, o comprometimento, e posso dizer que nosso time está muito bem nesses quesitos. Então, já não há razão para xingar ninguém, nem Caíco, nem Juninho, muito, mas muito menos o Keirrisson. Se o jogador joga mal, aplaudam. Tenho certeza que ele vai ficar com dor na consciência e vai tentar melhorar no outro jogo, ao invés de ficar com raiva da torcida.
O segundo tempo do jogo começou mal, e ia se agravando com o tempo passando e a pressão aumentando, e então, aos trinta minutos, a Império acende todos os sinalizadores, foguetes e os pisca, e o grito de "COOOXAAAA!" começou a ecoar no estádio. A torcida que estava sentada levantou e começou a cantar. Imediatamente foi clara a mudança no time. A bola não era mais uma "batata quente", e, com vontade, o time realmente tentou buscar o gol de todas as maneiras.
A torcida notou também e cantou ainda mais, e não deu outra, Gol, pra lavar a alma dos jogadores e da torcida, que, obviamente, depois do gol incentivou ainda mais, e o time lutou ainda mais, eram guerreiros, no frio na chuva, e para incendiar de vez a todos, gol!, de uma forma incrível, uma sensação indescritível, de quando se luta muito até o fim e contra todas as probabilidades se vence.
Eu fiquei roco em 2 minutos de tanto gritar, chorava como criança, não conseguia acreditar, os jogadores tambem pareciam não acreditar, o Anderson Lima parecia uma criança comemorando, o Bastos ficou um minuto pulando.
Terminou o jogo e os jogadores vieram saudar a torcida que não abandona e novamente se mostraram enlouquecidos, e senti que esse jogo trouxe pra nós mais do que dez vitórias seguidas, a paixão dos jogadores, emoções à flor da pele. Eles agradeceram no fundo dos seus corações por jogar no Coxa, isso é concreto, isso fica, permanece, o agradecimento.
Foram os "detalhes" dos gols que trouxeram tudo isso. Então, corneteiros, parem de pensar que futebol é uma ciência exata e comecem a pensar no quanto você prejudica o seu time de coração vaiando e xingando antes do jogo acabar, só pelo que eu chamo de "detalhes infelizes". Troque sua vaia por um grito de Coxa e você verá o Verdão na primeira ano que vem, pois, esse ano, o time já mostrou que quer subir e vai fazer o que puder para conseguir, e mesmo quando parecer que eles não estão fazendo isso, não é com uma vaia que você vai fazê-los lutar para vencer.
Fernando Bombardelli é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)