
FALA, COXAnauta!
Dormindo com o Inimigo
Lembrei de 1998. Tínhamos um time de bom nível e fazíamos uma excelente campanha no Brasileirão. No dia 21 de outubro vencemos, de virada, o Palmeiras em São Paulo, por 2x1. Após o jogo, o então técnico do Verdão, Dario Pereira, foi infeliz em uma declaração à imprensa, dizendo algo como “que estava trabalhando para voltar a treinar um time grande”. Depois da bobagem dita, a repercussão que teve foi suficiente para desequilibrar a campanha e, no final, acabamos eliminados pela Portuguesa naquele famoso jogo do terceiro gol perdido pelo Claudinho.
Como torcedor, não me interessou muito as besteiras ditas pelo técnico, principalmente porque a torcida estava confiante que seríamos campeões. Para mim, o que importa é jogar bem, botar a bola na rede, ganhar os 3 pontos e ser campeão. Se o técnico nos der isto, farei vistas grossas às bobagens eventualmente ditas. Mas lembro que, para a mídia, foi imperdoável o que o Dario falou. Até radialista Coxa, que costuma defender nosso rival abertamente quando este se mete em alguma confusão, ficou histérico e não poupou críticas. Tempestade em copo d´água. O ambiente piorou, o time baixou o rendimento e nossas esperanças foram pelo ralo.
Neste ano, até o dia do jogo contra o Paulista as coisas iam bem, apenas bem, sem exageros, mas o suficiente para deixar a torcida animada. O time vacilou no primeiro tempo, correu muito no segundo, foi prejudicado pela arbitragem, e acabou perdendo. Considerei acidente de percurso e que a reabilitação viria na terça, contra o Gama.
Lá pela metade do segundo tempo, disse para meu filho: “Este jogo está com cara de que vamos tomar o empate no fim”. O time estava apático, não chutava, não criava, nem teve chances para perder gols. Não podíamos nem ter o prazer de reclamar do gol absurdo perdido por alguém. A garra habitual demonstrada no Couto havia desaparecido. O que teria acontecido?
Na quarta e na quinta-feira, ficamos sabendo de “coisas estranhas”, que podem interessar a boa parte dos curitibanos, mas não a nós, Coxas-Brancas de coração. É básico: o chefe não precisa e nem deve discutir com o funcionário (técnico), principalmente na frente de outros funcionários (jogadores). O chefe, se não estiver satisfeito, deve simplesmente demitir. Mas bate-boca no vestiário mostra aos que devem correr em campo, os jogadores, que o Clube não tem comando.
A mensagem, que todos deveriam saber claramente, é: o chefe sou eu, eu mando aqui e ninguém interfere. Quem se meter vai embora. Treinador não pode ser assediado por ninguém e, caso não esteja fazendo um bom trabalho, eu assumirei a responsabilidade e farei a devida substituição. Chefe tem que ser chefe! O exemplo tem que vir de cima. Assim, do nada, detonaram mais uma vez nosso ambiente e agora temos que correr atrás para reverter o quadro.
Colegas COXAnautas, eu sei que vocês sabem, mas vou escrever assim mesmo: nossos verdadeiros inimigos não são os times da Série B, que borram o calção quando vêm ao Couto, e lutam para conseguir o empate; nossos inimigos ficam rindo dos “palhaços” da arquibancada, que tomam chuva, passam frio e cantam o jogo todo, só porque amam seu Coritiba; nossos verdadeiros inimigos estão bem mais próximos, dentro da nossa casa, comendo na nossa mesa e dormindo na nossa cama!
Rubens R. Ortega Jr. é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)