" /> " />

FALA, COXAnauta!
Não sou administrador, nem advogado, contador ou marketeiro. A área de conhecimento que me agrada e que melhor compreendo são as ciências humanas, e ainda mal e mal. Sou mais voltado às áreas como antropologia, sociologia, ciência política e artes.
A partir disso, minha percepção de um clube de futebol tem ótica bastante diferenciada - nem melhor nem pior - de pessoas com visão mais empresarial, voltada ao lucro, estruturas organizacionais, enfim, o que hoje caracteriza o tal "clube empresa".
Entendo que um clube esportivo sem fins lucrativos, como é o caso do Coritiba e da maioria dos clubes brasileiros - não discuto o hemisfério norte do planeta pois tem cultura absolutamente diferente da nossa - tem como base fundamental um interesse comum, geralmente pautado no amor, confiança, amizade, coleguismo, aspectos muito menos racionais do que os que regem uma empresa.
Então é importante ter em mente que essa "associação de amigos", no caso o Coritiba, não poderá simplesmente entrar em guerra interna, sob pena de encerrar seus trabalhos. Do ponto de vista da ciência política uma associação esportiva estaria muito mais próxima da democracia, enquanto uma empresa com fins lucrativos mais próxima de uma ditadura. Nisso não há nenhum julgamento de valor, é da natureza dessas instituições se aproximarem dessas referências, tendo um clube maior possibilidade de discutir seu futuro a partir da sua coletividade, pois esse corpo coletivo é o objetivo do clube, enquanto a empresa tem objetivos "fora" de sua coletividade, sendo a própria empresa em si o objetivo.
Ninguém torce pra Coca-Cola contra o Guaraná Antarctica ou vice-versa. O presidente das empresas e seus funcionários desempenham funções claras e trocam de empresa sem constrangimento. Isso todos sabemos que não acontece em clubes de competição, talvez com raríssimas e nefastas exceções. Aliás, creio que é mais fácil até percebermos mudanças de religião do que de clubes.
Essa discussão tem muito a ser desenvolvida e debatida, faço aqui apenas uma pequena explanação na qual me posiciono contra a idéia de clube-empresa como redentora dos clubes. É interessante a possibilidade de um clube aproveitar algumas conquistas dos modelos de gestão empresarial, mas adaptá-los à realidade do seu meio e de seu foco principal.
Entendo que este debate seja muito importante para o futuro do Coritiba e do próprio futebol brasileiro."
Alexandre S. Vieira é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)