
FALA, COXAnauta!
Não precisamos de técnico
Não vou gastar tempo e papel para falar do Guilherme Macuglia, pois para mim ele já faz parte do passado do Coxa. O mesmo para o preparador físico, William Hauptmann. Se o Vialle e outros pangarés da Diretoria e do Conselho os mantiverem por mais rodadas, eles serão diretamente responsáveis pela perda de pontos do Glorioso. Passarei a duvidar se são torcedores do Verdão.
Selecionar os jogadores, escalar o time, escalar o banco de reservas e substituir no decorrer das partidas não são tarefas difíceis. Só aqui, dentre os que escrevem em nosso site identificamos, vários com esta capacidade. Mas não é só disso que precisamos. Precisamos de muito mais.
Se analisarmos nosso elenco, temos bons jogadores para compor pelo menos o time titular. E aí está nosso problema: não conseguimos ser um Time. Não temos estratégia, não temos jogadas ensaiadas, não temos toque de bola. Jogamos como oportunistas, o que às vezes dá certo (ou sorte), como foi no jogo com o Paulista. Quando estávamos numa seqüencia invicta no Paranaense, destacava que ganhávamos pela ocasião, ou com as fomeadas do Marlos, PK e Túlio. Não somos um time! A bola não chega no ataque. Basta ver que nossos atacantes foram os que menos fizeram gols.
Apesar de nosso Presidente se esforçar contra isso, a camisa do Coritiba é hoje a mais forte da 2ª. Divisão. Pela lógica, todos os times entrarão no Couto-Pereira retrancados, com 4 ou 5 zagueiros e marcando nossos meias de criação. Explorarão contra-ataques e nossos erros (ai, Juninho!). E assistiremos aquele jogo haja paciência. Sem depender de erros do adversário, só chegaremos ao gol com toque de bola rápido, inversões de lado, explorando pontas e linha de fundo, alguns chutes precisos de fora da área e jogadas ensaiadas de bola parada.
A única maneira de obtermos sucesso é com treino, muito treino, dirigido por Treinador inteligente. Precisamos tornarmos uma equipe. Se o PK está marcado, a bola deve rolar rápido para um lateral, que tabelará com o atacante, cruzando para o centroavante. O drible deve ser a última arma. Faltas, laterais, jogadas de bola parada em geral devem ser bem treinadas, com mais de uma opção (não temos opções nem para escanteios).
Lembro-me do time de 1985, do Santo Ênio Andrade. Dentre os jogadores, não tinha praticamente nenhuma estrela (talvez apenas o lateral Dida), mas como a equipe funcionava! A velocidade com que a bola rolava de pé em pé, da esquerda para a direita, era tão vibrante quanto as caretas do Lela. Tínhamos jogadas ensaiadas e bolas paradas eram armas (lembram do gol na final?). Desta maneira, batemos o bicho papão daquele ano, o Corinthians, garantindo nossa passagem para as etapas finais. Este era de fato um Treinador que montava Equipes.
Não precisamos de técnico! Procura-se urgente por um Treinador! Que conheça os jogadores, que interaja com um preparador físico e fisiologista. Que planeje! Que coloque a piazada (e os velhinhos também) para trabalhar, fisicamente, psicologicamente, mas principalmente interativamente com outros jogadores, montando uma equipe. Que experimente nos treinos (muitos treinos se necessários), mas monte uma Equipe preparada para a Guerra. Um treinador a quem um time não basta vencer, mas deve convencer!
Manfred Leoni Schmid, 38, é engenheiro agrônomo e Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)