
FALA, COXAnauta!
Inesquecíveis!
3º Lugar: Coritiba 2 x 1 Ponte Preta
Que jogo... tomamos o gol logo no começo. Uma chuva forte, torrencial, e, mesmo assim, quase 7 mil pessoas no estádio.
Esse foi o jogo que a torcida mais gritou, mesmo porque os 7 mil que foram, pra estar lá com aquele tempo, só poderiam ser realmente muito apaixonados pelo time.
E jogou mal o time ( futebol não houve ), mas como teve raça.
Assim como certa vez no estádio do maior rival, começou um grito que não pararia até que saíssem os gols
"COOOOOOOOXAAAAAAAAA!!! COOOOOOOOXAAAAAAAAA!!!", gritava a torcida insandecida, mesmo perdendo o jogo, quando, beirando os 40 do segundo tempo, a bola, molhada, sobra pro Henrique, que empata!
Loucura geral... todos acreditando na improvável virada!
E ela veio... depois de um cruzamento errado de Anderson Lima, uma segunda tentativa nos pés dele e a bola sobra pro Keirrison botar pra dentro!
Ali eu tive a certeza que o time iria subir.
2º Lugar: Coritiba 1 x 0 Ipatinga
Líder contra vice-líder. Estádio lotado. A torcida incentivando sem parar.
Desço as escadarias do estádio com meu pai, quando aponta 45 miutos do segundo tempo. Já tinha me ensinado a vida de torcedor Coxa-Branca a não sair do estádio antes do apito final, lição aprendida mais especificamente em 1985, num tal Coxa x Santos, com um gol de um tal de Lela.
Grudo na grade, me abaixo, com meu pai de quase 60 anos abaixado do meu lado.
O até então nulo Ricardinho, numa jogada claríssima de pênalti (claríssima para nós... risos), cai no chão. O juiz apita (rápido pensamento pela minha cabeça: apitou falta pro adversário... acabou... droga!). Olho novamente, ele está apontando pra marca da cal. Não acredito(esse foi o primeiro "não acredito"de muitos na noite). Pênalti!
"SAI DO CHÃO! SAI DO CHÃO!!!" (não tenho como explicar o sentimento nessa hora... pular que nem criança... pular abraçado com meu pai como duas crianças... pular abraçado com meu pai e com mais um monte de gente desconhecida ... todos como crianças!).
Vai Anderson Lima, capitão, trinta e não sei quantos anos, noventa e não sei quantos quilos... é bater e explodir o estádio... E defende o goleiro! Não acredito ( o segundo da noite)! Filha da mãe! Corre pro rebote, não deu. Alguns gritos de comemoração, olho pro bandeirinha, lá está ele, cercado por jogadores do time adversário.
"SAI DO CHÃO! SAI DO CHÃO!!!", gritam todos mais alto, pulam todos mais alto. O juiz mandou repetir.
Nova cobrança. Agora vai, Anderson... vai, vai... defendeu de volta! Não acredito (o terceiro da noite)!
Escolado, antes de começar a xingar, já percebo que o bandeirinha (santo e justo bandeirinha) tinha mandado repetir novamente.
"SAI DO CHÃO! SAI DO CHÃO!!!", gritam todos mais alto, pulam todos mais alto (e me preocupo com o coração do meu pai, gritando e pulando do meu lado).
Mas agora vai ! Três vezes seguidas o Anderson Lima não vai errar.
Agora vai, Anderson... vai, vai... Defendeu de volta! Não acredito (o quarto da noite). Rebote, é gol! Não, não, não. O inacreditável tinha acontecido. Não mais eu falaria “não acredito” neste dia ou neste campeonato. Aacho que nem nesta vida voltarei a dizer que não acredito!
Quarta cobrança de pênalti. 57 minutos do segundo tempo. Paro de pular, abraço meu pai e mais uns 5 novos amigos que acabara de conhecer... decido que não vou pular no gol. Correu... milagre! Entrou! Valeu! Goool!!!
"SAI DO CHÃO! SAI DO CHÃO!!!"
1º Lugar: Santa Cruz 2 x 3 Coritiba
Acreditava no título há pelo menos alguns meses. Não acreditava que seria tão sofrido.
Se, em meus sonhos, eu pudesse escrever o script dessa decisão como eu quisesse, eu não teria conseguido deixar tão sofrido e tão perfeito.
Precisávamos de uma vitória simples, contra um time remendado. Lógico que eu acreditava na vitória, mas, pra ser bem sincero, acreditava mais que o Ipatinga não fosse vencer o seu jogo.
E tudo começou perfeitamente: logo o Ipatinga saía perdendo de um a zero. E, acompanhem meu raciocínio, que, como engenheiro, adoro matemática: eram dois gols de vantagem para nós (porque o Ipatinga teria que fazer dois pra reverter o resultado).
Logo esses dois gols se transformaram em 3, visto que Henrique botou nosso time na frente. Maravilha! É 3 a zero! Não viram nunca.
Mas começou: Ipatinga empatou: 1x1. Ainda 2 gols de diferença.
Paulista fez 2x1. Ufa... agora acabou mesmo. Três gols de novo.
Ipatinga empatou novamente: 2x2. Medo...
Enquanto isso, nosso jogo continuava morno, morno... bola na trave... morno...
Então, tudo começou: o pesadelo com final feliz !
Numa falha grotesca de arbitragem, em que o atacante chutou tudo em nosso goleiro, menos a bola, o Santa Cruz empatou: 1x1. Nas minhas contas, um gol só era o que faltava pra gente perder o título: um gol do Ipatinga. Medo maior.
Aí veio o golpe. O que nem em sonho eu escreveria aconteceu: O Ipatinga tinha feito 3x2, e, logo depois, 4x2. Precisávamos marcar um golzinho.
Acho que nem em seus maiores devaneios Salvador Dali, o pintor dos sonhos, poderia imaginar o que veio a seguir. Estávamos perdendo o título. O título já comemorado.
Todos os nomes feios do mundo foram pouco quando Jeci fez a falta e foi expulso. Piores ainda foram os nomes que gritei ao sair o segundo gol do Santa Cruz, no rebote desta falta.
“ Pior, impossível", balbuciou, mal-humorado, um amigo que estava vendo o jogo comigo. Agora, a diferença era de dois gols, e só nossos.
Depressão, profunda depressão... buraco... vergonha... tristeza.... raiva... angústia... o que vou ter de agüentar, meu Deus (aliás, neste momento, estava virando ateu)!
Acendo meu cigarro, pra me acalmar, me dou por vencido. A TV foca a torcida Coxa no estádio. Guerreiros! Não mereciam isto. Meu sentimento de raiva do Santa Cruz é aplacado por gritos de “terceira divisão!”. Foi o que nos restou.
Pra piorar, Túlio é expulso. Fecha o caixão, traz a conta. Fogos de artifício das torcidas adversárias começam a explodir. Filhos da mãe, comemorando a desgraça alheia.
Então, aos 42 do segundo tempo, um lampejo! Sim, gol do Coxa. Gol em minúsculo mesmo. Gol não comemorado por mim, já conformado e curtindo a minha fossa.
“CORRE PRA PEGAR A BOLA!". Foram exatamente estas as minhas palavras, gritadas para a televisão ouvir.
“CORRE PRA PEGAR A BOLA, %&*&¨%$#@“! Opa... que é isso? Sim, esperança... um fio... um fiozinho... “Se for, será histórico”, pensei.
O narrador na TV, pra me deixar muito bravo, relembra a Batalha dos Aflitos... sim, me deixar bravo somente, pois, por mais esperança que eu tivesse, eu não acreditava... só um pouquinho...
Kuki girou, bateu... ufa... por cima... ainda temos chance... uma última chance...
Neste momento, peço a gentileza de que todos que estejam lendo isso: imaginem o que é ser um torcedor aficcionado. Entrem no clima do jogo. Caíco, criticado Caíco, recebe na quina direita da entrada da área... "PELAMORDEDEUS VAI" Ele leva pro fundo, faz que vai cruza, leva mais... 180 batimentos por segundo... “CRUZA, CRUZA”.
Ele cruza, Henrique Dias chuta, zagueiro tira em cima da linha, Edmilson se joga no goleiro. Pausa.
Câmera lenta, muuuuuuito lenta. Eu vejo a bola voltando, Henrique Dias, deitado, dá um coice!
“ENTRA! ENTRA!! ENTRA!!!". Dou uma olhada no canto inferior da tela, vejo o bandeirinha correndo pro meio, olho para o juiz, ele aponta para o meio. GOOOOOL!!!! GOOOOOL!!!! GOOOOOL!!!! NÃO ACREDITO!!! NÃO ACREDITO!!! ( sim, eu sei que disse que não diria mais isso).
"SAI DO CHÃO! SAI DO CHÃO!!!
Newton Borges dos Reis Neto é Coxa-Branca de coração.
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