
FALA, COXAnauta!
O Pesadelo
Triste o ano de 2005 para nós Coxas. Como outros 28 mil Coxas, estava lá eu, naquele Coritiba x Inter, naquela vitória no jogo, derrota na história e naquela prova de amor de um povo. Lá estive, triste, mas gritando ter orgulho de ser Coxa-Branca. Dia realmente negativo, mas que solidificou ainda mais meu amor pelo Glorioso.
Depois do jogo, fui para casa em companhia de minha amada esposa e de meu abençoado filho. Tivemos realmente um domingo muito negro. Acho que um dos mais negros de nossas vidas. Mas fui dormir, afinal sou Coxa e logo as coisas voltarão ao normal.
No dia seguinte, acordei, tomei um café e fui acessar meus emails. A caixa estava lotada de mensagens tirando sarro do meu time. Não acreditei, e logo pensei: será que sou um capig?? Nunca havia recebido tantas mensagens assim. Pedi que minha esposa me beliscasse, afinal só poderia ser um pesadelo... Deus, eu não sou um capig!!!
Fiquei abalado, pois tal situação era novidade para mim. Amigos que nem sabia que torciam para algum time se manifestaram, quiseram tirar uma casquinha, mas beleza, assim me senti por alguns minutos, até que me dei conta de não ser um pesadelo, era apenas o maior sonho dos capigs. Então pensei: se faço parte deste sonho, tenho a obrigação de lembrá-los que sou o Coritiba, e tais mensagens só demonstravam a minha importância para com estes coitados.
Hoje, quase dois anos depois e ainda na série B, sou eu quem abarroto de mensagens a caixa dos recalcados. Afinal, eu sou o Coxa da história, e, por ser um Coxa, herdo o direito de assumir o que a história construiu.
Quero dizer que, mesmo nós estando jogando uma série B, continuo a tirar sarro de capig. E posso dizer, com toda certeza, que aqueles poucos minutos do pesadelo foram os piores minutos da minha vida, e por isso tenho pena dos capigs.
A vocês, capigs, os meus pêsames.
Mauricio Borges é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)