
FALA, COXAnauta!
Se cada um fizer a sua parte
No final de 2003, eu morava fora do país e acompanhava a campanha do Coritiba via internet. A distância nunca deixou que o ato de torcer para o meu time se tornasse menos prazeroso. Frisei a palavra time porque, desde então, não consigo vislumbrar uma equipe realmente aguerrida e sintonizada com seus objetivos.
Há de se entender que os objetivos de uma equipe de futebol são os mais variados, e a falta de equilíbrio entre eles é que resulta em uma equipe de baixa competitividade. Existe o interesse individual do jogador, que, através de seu empresário, tenta fazer com que sua carreira tenha sucesso. Nesse caso, não importa a equipe, mas a ascensão individual.
O problema é que, no Coritiba, até os interesses particulares dos atletas são muito divergentes. Alguns sobem das categorias de base com muita vontade de jogar bola e são obrigados a ficar à mercê do Departamento de Futebol, que se sente obrigado a colocar em campo jogadores fora de forma, em recuperação ou final de carreira, somente para tentar justificar as contratações.
Atletas que chegam, vestem a camisa, são apresentados à torcida e repetem o mesmo discurso desgastado: "Eu vim pra ajudar porque o Coritiba é uma grande equipe e não merece estar na Segunda divisão." Na seqüência constata-se que estão lesionados ou sem condição físico/técnica. Ficam alguns meses sugando recursos do clube, castigando a torcida, não permitindo a formação de uma verdadeira equipe, para depois irem embora em busca de outras vítimas. Isso merece uma análise um pouco mais ampla.
O fator contratação esbarra nos interesses da "empresa Coritiba", que, para controlar o caixa, não pode comprar jogadores caros e opta por contratos arriscados. E o pior, demonstra a incapacidade de aprender com os próprios erros. Seria interessante alguém fazer o levantamento de quanto dinheiro é gasto por ano com contratações como as que citei acima.
Por último, e é sempre assim, estão os interesses da torcida. Aquela que está sempre presente, ainda mais quando conclamada nos momentos difíceis. Os objetivos dos torcedores são muito claros. Eles querem ver um time que trabalhe realmente em equipe. Exigem que os atletas, que passam a semana inteira treinando, não cheguem em campo e não consigam trocar dois passes ou chutar uma bola na direção certa. Esperam que o novo técnico consiga fazer seu discurso elaborado entrar na cabeça dos jogadores, embora seja muito difícil ensinar algo a quem não está disposto a aprender.
Ao invés de o treinador realizar palestras de motivação, seria mais interessante mostrar imagens da torcida aos jogadores; apresentar as pessoas que, mesmo de cadeira de rodas, há anos torcem da arquibancada, inclusive quando está chovendo; divulgar o rosto das pessoas que juntam os poucos trocados durante a semana para ir ao estádio; dizer que o aumento no número de mulheres e crianças no Couto são um sinal do poder de aglutinação do time. Enfim, mostrar para aqueles que ainda não notaram, o trabalho bem feito daqueles que pagam ingresso para entrar e não estão sendo respeitados.
Heitor Hayashi é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)