
FALA, COXAnauta!
Tem que ir em todo jogo!
Aproprio-me das palavras do Deco no final do jogo de terça à noite: "Tem que ir em todo jogo!". É sério!
Meus verdes amigos, eu fui uma das testemunhas de algo que quase nunca acontece conosco, e cansei de ver acontecer nas partes mais baixas da cidade.
Na boa: nesta terça, choveu como há meses não chovia. Caiu uma água que lavava a cidade desde às 3 da tarde, e sem aliviar nenhum minuto, fora o frio neozelandês que tava. Bem, eu vou todo o jogo, e pago cadeira justamente pra isso, não tomar chuva nem pegar fila (a companhia de vocês em cada jogo não posso mensurar em nenhuma quantia monetária). Foi como disse no telefone pro Deco: "Já tô na rua, vamos? Hoje é o jogo da fidelidade." A padoca, surpeendentemente, semi-cheia, onde adquirimos um fumegante quentão cada, me dava um chute de mais ou menos 3 mil corajosos e úmidos torcedores.
A drenagem do Couto é boa, e parecia que tinha segurado a chuva, e a bola tentou rolar nos primeiros 10 minutos, quando a Ponte Preta fez o seu gol (De novo! Quando o Coxa vai sair na frente?!?), e depois era só poça, todo jogador que tentava carregar a bola apanhava pra chuva, e perdia. E o time de Campinas, que não tinha nada a ver com isso, soltava cuturnadas e segurava o resultado, já que, lá no Alto da Glória, o que eles jogavam usava as mesmas regras, mas não era futebol.
No segundo tempo, a mesma coisa, e dava pra ver que o time brigava, e muito, pra vencer a chuva e o jogo, vontade mesmo de ganhar. Lá pelos 15, 20 minutos, a Império começou a gritar e fazer um foguetório colorido que não parava, e dá-lhe bola pra frente. Os 6.832 presentes gritavam junto com a raça crescente do time, isto é, 6.831, pois um imbecil chutou e quebrou uma cadeira ali do lado e foi embora acompanhado.
Perto dos 35, numa falta na meia direita em que o jogador adversário mais adiantado tava na barreira, a chuva ajudou pela primeira vez, a poça matou a bola na pequena área e o Henrique chutou água, bola e grama e o Couto explodiu, e o Anderson da Macaca, que, aliás, já jogou no Coxa, só chutou o Henrique e foi expulso.
Na situação que tava, aquele pontinho tava um sonho, mas lembro claramente da cena do Henrique pulando e comemorando enquanto o Anderson Lima pegava a bola embaixo do braço, corria pro meio de campo e chamava todo mundo. A galera que já tava apoiando, daí que não parou mesmo, e o Coxa foi mesmo pra cima, e jogo acabando.
O juiz, que, diga-se de passagem, foi uma piada de novo, deu 4 minutos de acréscimo, e bola pra área da Ponte. O goleiro pega o cruzamento, faz cêra, o juiz dá mais um minuto, e vamos subir Coxaaaaaaaaaa! Falta grudada na lateral, perto do escanteio na esquerda, levanta de novo pra cozinha deles, e a zaga tira pra escanteio. Vai, vai, vai que dá tempo! O Anderson Lima bate o escanteio, muito mal, e volta pra ele, joga lá no meio, o Henrique desvia, a bola cruza a área, vai saindo do outro lado e daí encontra o pé do Keirrison.
O Couto Pereira fica insandecido! Loucura mesmo! Sabeládeus, se era 47, 48, só vi os jogadores comemorando, e daí foi grito, pulo, abraço, soco no ar!!! Só sei que, na arquibancada, todo povo que antes estava escondido nas beiradas do estádio, agora dançava na chuva. Não sei se o juiz deixou o jogo correr até os 50 que tinha prometido, quando ele apitou e apontou pro meio de campo, os jogadores do Verdão pulavam uns nos outros comemorando, e a galera ficou mais de 20 minutos cantando e celebrando depois, enquanto eles vinham agradecer. Não lembro de o Coxa ganhar nenhum jogo esse jeito na minha vida, e me considero um rato de estádio faz muito tempo.
Daí pra frente tava tudo massa, o povo saindo na chuva cantando, encontrar o Júlio e o Perna, um copo daqueles de 700ml inteiro no chão da pizzaria, esculacho via telefone no MaiNovo. Só sei que os garçons do Basset nunca mais vão me deixar entrar pra tomar uma saideira quando estiverem fechando as portas...
Um Enorme e Verde Abraço.
Rodrigo Zotto é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)