
FALA, COXAnauta!
Tendo em vista a situação que se desenhou para o final de semana próximo, tomei a liberdade de escrever o presente texto a fim de refrescar a memória da torcida coxa-branca.
Há tempos atrás, meu pai, coritibano fervoroso como eu, narrou um fato que até hoje me chama à atenção, seja pela sua disposição de outra época, seja pela sua inquietude na narrativa.
Apreciador do bom futebol, contava que na plenitude de sua juventude por diversas vezes viajou para o Rio de Janeiro no sentido de presenciar jogos históricos no lendário Maracanã. Aludidos jogos, especialmente envolvendo Vasco e Flamengo, tinham como principais protagonistas Roberto Dinamite e Zico.
A simpatia que acabou desenvolvendo pelo cruzmaltino carioca sempre foi uma constante, muito embora seu time de coração seja o Coritiba.
Ocorre que, anos depois, em meados da década de oitenta, o Vasco veio a Curitiba enfrentar o Coxa, tendo como principal jogador o próprio Roberto Dinamite, diga-se de passagem, jogador que mais vezes marcou contra o Alviverde na história do Clube Paranaense (9 gols – 7 defendendo o Vasco e 2 defendendo a Portuguesa de Desportos).
Não se recorda o motivo, talvez a irritabilidade, já que muito embora a observação acima, nunca marcou contra o Coritiba no Alto da Glória, mas ocorreu que o atacante saiu de campo chamando a torcida do Coritiba de bando de "Índios", ou algo parecido, em tom pejorativo.
Tal atitude do vascaíno ofendeu aos torcedores presentes, bem como aos curitibanos em geral, uma vez que as declarações se referiam à capital paranaense como uma espécie de "tribo" subdesenvolvida e foram levadas a lume pelo noticiário esportivo da época. Outrossim, foi marcante aquele episódio, especialmente para o outrora simpatizante, uma vez que se sentiu ultrajado pelas declarações expendidas, mais especificamente por ter em outras oportunidades se deslocado ao Rio de Janeiro para prestigiar aquele atleta.
Face à deselegância do jogador, daquele dia em diante meu pai nunca mais torceu pelo time carioca, qualquer que fosse a circunstância.
Após a 36ª rodada do campeonato brasileiro, o assunto veio à tona, de modo que curiosamente o destino trouxe Dinamite, agora na condição de Presidente do Vasco, novamente ao Couto Pereira, porém, nesse momento, podendo o alviverde selar o destino do Clube de São Januário rumo à Série B do Campeonato Brasileiro.
Perguntei ao meu pai o que ele espera do jogo do próximo domingo, quando ele prontamente respondeu:
- Nós, os silvícolas, vamos jogar a pá de cal (ou a dinamite) neles!
José Ricardo Fiedler Filho é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)