
FALA, COXAnauta!
Antes de falar de futebol, acho necessário expor algumas idéias a respeito do título.
O ser humano, desde quando nasce, passa a interagir e sofrer influência do meio onde vive. No início, são os pais, parentes, educadores e depois, soma-se todo o resto do mundo, sejam pessoas ou meios de comunicação, bons ou ruins. E não há indivíduo no mundo que seja imune a informação ou propaganda.
Todos, um dia, foram levados a tomar uma bebida de uma marca qualquer, comprar um tênis num Shoping famoso, torcer por um time ou usar alguma coisa porque alguém disse que é bom, ou bonito, ou gostoso, ou, ou, ou... Talvez, alguém possa sugerir que um habitante de um mosteiro no Tibet, um naturista ou um indígena, não sofra interferência do mundo. Acredito apenas que ele é moldado pela sua realidade e filosofia de vida.
Podemos dizer que as sociedades são um reflexo de sua própria influência. O que diferencia cada indivíduo são a educação e a maneira como reage à realidade, através de suas escolhas. Assim, o aprendizado que cada um recebeu durante o decorrer de sua vida, será o diferencial que irá interferir nas decisões futuras, independente de condição financeira.
Baseado nesta premissa é possível, por exemplo, um morador de rua tornar-se um Doutor, mesmo com todas as adversidades e só levando em conta a sua determinação. Porém, na média, somos semelhantes em muitos de nossos hábitos e costumes, devido a tudo que vemos, ouvimos e sentimos.
O indivíduo, paradigma do início do século 21, possui características que o identificam, desde o jeito de andar, falar e até de consumir.
Neste contexto, aparecem os meios de comunicação, responsáveis por disseminar produtos e marcas, que sempre estão associados ao bom gosto, qualidade, prazer, tornando-se um vínculo de “estatus” ou distinção para as pessoas. E muitos dos indivíduos desviados do “padrão”, diferentes do habitual, são “rotulados” de alienígenas, bicho-grilo ou qualquer outro sinônimo de exclusão preconceituoso.
Infelizmente, a propaganda, seja ela pelos meios de comunicação ou no “boca a boca”, tem uma face oculta, exigindo muita consciência e prudência das pessoas na hora de optar. O alcoolismo e as drogas podem estar por trás de toda esta lavagem cerebral e deste “bom gosto”. Por isso, quem não toma um porre ou não usa drogas, mesmo vendo pessoas ao seu lado tomando ou usando, além de ser consciente e prudente, é alguém não influenciável. Isto é conhecido também como personalidade.
Deixando a dramaticidade de lado e transportando estes conceitos para o futebol, vemos que este mundo é vítima dos exageros e até inverdades da propaganda, criando falsos mitos.
Localmente, muitos acreditam em falácias repetidas que se tornaram verdades, com o tempo. Posso exemplificar, citando um diálogo entre mim e um torcedor do ruborizado, onde abordávamos situações como a evolução do time da Baixada, qual a maior torcida, de como os “Coxas” só vivem de passado...
Primeiramente, tentou me convencer de que sua torcida era maior, baseado em uma pesquisa. Porém, como não havia outro parâmetro que fosse conveniente para mostrar a tal superioridade, como as apostas da Timemania, as médias de público, os levantamento pela internet ou visualmente pelas ruas da cidade, ele tratou de desclassificá-los.
Argumentei: - Em todo o Brasil, as maiores médias são das maiores torcidas; apenas aqui é diferente... Em seguida, falou que seu time apresentava o melhor desempenho dos últimos anos. Então, sugeri uma análise dos últimos seis anos, em títulos e participações na Libertadores, pois, mais que seis anos, já considero “passado”, certo?
Entre 2003 e 2008 o Coxa teve 01 participação na Taça Libertadores e o ruborizado idem. Mas, quando confrontamos os títulos, “a máscara caiu”: o Coxa ganhou 03 paranaenses e 01 brasileiro da série B e o time da Baixada, apenas 01 paranaense, totalizando 04 títulos contra 01.
O meu opositor ficou maluco, pois achou injusto contar o título da série B, sendo que eles não disputaram (por enquanto). Então, expliquei ao mesmo que o time dele, tanto considerava a série B que colocou uma estrela de prata para lembrar.
Podem ter certeza; se o time da baixada tivesse conquistado um “Torneio Início” neste período, como ocorria antigamente, ele teria contado. Quero dizer com isto que muitos, como ele, acreditam numa supremacia que não existe e “compram” a idéia. Isto foi divulgado por alguns setores da imprensa, pelas campanhas de marketing mais agressivas e pela mídia, onde o inferior foi apresentado como superior; a maior, mais “bonita” e barulhenta torcida, a maior fábrica de craques, tudo era melhor...
Outra situação recente que envolve mídia e personalidade é o caso do tal “Corinthians do Paraná”. Neste caso, vemos numa parceria, uma extrema falta de personalidade e a negação as raízes do nosso próprio estado, admitindo uma influência “estrangeira” e descompromissada com nossa realidade. Um exemplo típico de uma pessoa (jurídica, neste caso) influenciável.
Jamais imaginem algo parecido no Rio Grande do Sul. Não vou entrar no mérito financeiro da questão da parceria, pois o dinheiro falou mais alto que a Paranismo, infelizmente.
Sob a alegação de fortalecer-se, o grupo dos Malucelli, se submete a um “encanto”, imaginando que entre os benefícios, terá uma maior “torcida” ou média de público. Porém, quando qualquer um de nós vem ao mundo, temos um nome para honrar, e ao vendermos nosso nome em troca de uma máscara que nos faz semelhante a alguém mais bonito, mais importante, mais atrativo, perdemos toda a nossa personalidade e passamos a ser “ricos descaracterizados”.
Um dia, se vende uma rádio quase centenária; outro dia, uma rede de televisão, e assim por diante... Contudo, Corinthians, só existirá o de São Paulo. O verdadeiro torcedor do Timão, aquele do Parque São Jorge, não o substituirá, a não ser que lhe falte personalidade ou aceite usar qualquer marca imitada ou pirateada.
A meu ver, lá em São Paulo, só existiu um único Corinthians possível de admirar, que foi aquele que se manteve 22 anos sem ganhar títulos até 1977, e, ainda assim, mantinha sua personalidade. Ou, até mesmo, aquele da “Democracia” de Sócrates, Biro-Biro, Vladimir e outros, nos anos 80.
Em cima de ambos, fomos campeões, tanto em 73, no Torneio do Povo, quanto em 85, no primeiro título da Nova e “Democrática” República. Os outros Corinthians “cresceram” nas “lavagens” do Banco Excel ou do empresário Kia. Foram campeões, mas não esquecemos de que maneira, no triste ano em que caímos e o futebol ficou manchado.
Um Campeão do Mundo que nem a Libertadores ganhou. Porém, aqui na terra dos pinheirais, a história mostra o predomínio do nosso Coritiba Foot Ball Club, sem necessidade de máscaras. Se você não escolheu as cores para torcer, pense nisso.
Saudações aos COXAnautas.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)