
FALA, COXAnauta!
Existe uma corrente de pensamento, concebida através de observações do comportamento das empresas privadas, públicas ou grupos de trabalho que diz o seguinte: se você quer que uma determinada ação não seja realizada e concluída, seja uma obra, uma lei ou regulamento, faça o seguinte: forme um grupo ou comissão. Não chego a concordar com essa premissa.
Porém, garanto que se o grupo tiver entre seus integrantes, pessoas com interesses muito conflitantes e falta de ética ou mesmo inteligência, é possível que o resultado do empreendimento seja desastroso, como no caso do Conselho Arbitral, responsável pela formulação do campeonato. É por isso que muitos dizem que a ditadura funcionava, pois as regras não eram discutidas democraticamente; eram criadas e impostas, por poucos, sendo cumpridas, por muitos.
Hoje, vemos as diversas correntes políticas no congresso levar meses ou anos para discutir uma lei de interesse coletivo... Quem já teve oportunidade de participar de uma audiência pública, semelhante àquelas que tratavam da criação do consórcio para gerenciamento de uma Usina de Tratamento de Resíduos (UTR) para disposição do lixo, sabe do que estou falando. Para se tratar de um assunto como este, foi explicado o que era uma Usina de Tratamento de Resíduos, um aterro sanitário e por último, um “lixão”, para evitar dúvidas.
Mesmo após a explicação dos técnicos que o objetivo da reunião era discutir a possibilidade da instalação da UTR em um local adequado e quais as condições precisavam ser respeitadas, manipuladores de opinião e participantes continuavam a protestar que não queriam o “lixão” na sua região; os técnicos repetiam: “a UTR não é um lixão”! Enquanto todas as partes não entram em acordo, seja população, Ministério Público, empresas participantes e “interessados políticos”, o processo não anda e o Aterro Sanitário da Caximba vai saturando e entrando em colapso. Por analogia, assim como a indefinição do empreendimento para gerenciar os resíduos sólidos da região metropolitana poderá acarretar uma emergência ambiental nos próximos meses, a falta de sensibilidade do grupo que formatou o regulamento do campeonato pode tornar inviável um torneio para uma série de equipes.
O grupo, ao se reunir, deveria observar todas as possibilidades e incompatibilidades possíveis para evitar uma ação judicial. Aparentemente, alguns dirigentes não percebiam que assinavam um regulamento no qual poderiam, efetivamente, ser prejudicados na fase final em termos de público, renda, publicidade, viagens excessivas, sendo obrigados a engolir o “lixo”. Como pode um regulamento permitir que alguns times não joguem um número mínimo de vezes em seu próprio campo, escravizando agremiações a uma situação absurda e nosso STJD estar a favor disso? Acredito que o campeão da fase anterior já teria uma grande vantagem, obtendo os dois pontos de bonificação e jogando quatro das sete partidas em casa. Acharam isto pouco. Só faltava iniciar todas as partidas ganhando de 1 a 0!!
Não existe limite para a incompetência e falta de bom senso! Quantos anos de experiência os nossos dirigentes possuem na montagem de regulamentos? Lembro que a era de Onaireves Nilo Rolim de Moura causou um tremendo atraso em nosso futebol, a ponto de sermos discriminados em nível nacional, com a conivência de muitos clubes e ligas amadoras. Onde está a evolução que a nova presidência prometeu? Para criar uma “porcaria” destas, não era necessária uma reunião. Era só “copiar” alguma coisa que fosse racional e se fazer cumprir. Pior do que uma reunião que não resolve nada é uma que cria outro problema.
A culpa do ocorrido deve ser dividida com todas as agremiações. Porém, provavelmente, alguém sábia o que aquele artigo poderia render adiante ou será que todos são ingênuos??? Ouvimos dizer que no julgamento de causas dentro da esfera jurídica, a justiça deveria predominar sobre o direito. Mas o que vimos foi exatamente o contrário. Esperemos que tudo isto seja revisado para o próximo ano, em comum acordo. Não queremos ficar com este "lixo".
Saudações aos coxanautas.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)