
FALA, COXAnauta!
O Desastre Verde! Leiam! É muito Importante.
O espaço do "Fala, COXAnauta!" pode ser um meio de propagação de diversos assuntos, independente de sua função principal que é a divulgação de notícias e opiniões a respeito de nosso Coritiba.
Poderíamos perder horas escrevendo sobre um time ingrato que não tem o devido Amor por uma torcida que venera os atletas portadores de nosso uniforme.
Não se trata de comentarmos a história de um jogo apenas, pois o futebol acaba pregando peças, independente de vontade, gana, raça, determinação. Muitas vezes, a bola entra contra o nosso gol, pois, do outro lado também existem onze jogadores, com melhor condição técnica em algumas oportunidades, suplantando qualquer tentativa árdua de evitar o pior.
Na verdade, trata-se de um histórico que nos leva ao fim do ano passado, onde a falta de um melhor planejamento nos levou a esta situação atual. Trata-se, também, de um grupo diretivo sem o devido comprometimento com o momento do Clube, não entendendo exatamente o que significava os cem anos. Não vamos nos iludir que seria fácil, independente de quem fosse o grupo mandatário. Agora, chegando ao fim da temporada, temos a missão de manter nosso barco navegando em meio a uma tempestade que foi criada por nossos próprios erros.
Mas, o que é na realidade o Desastre Verde referido no título?
O mal tempo que abala o Coritiba, por mais assustador que pareça, resolve-se em bons 180 minutos, com um mínimo de garra e competência. Mas, por analogia, as tempestades, as enchentes, as secas que nós, seres humanos, estamos criando por nossa irresponsabilidade com o meio ambiente, são um legado que estamos deixando para nossos filhos e exigirá anos de trabalho para que sejam contidas ou revertidas.
Vejamos, através de um exemplo, como está o ritmo da devastação no mundo: no tempo que levei para montar este pequeno alerta, mais de 1.600 Km² de florestas foram derrubadas (mais que três vezes a área de Curitiba, em umas duas horas). No lugar do verde de campos e matas, trovejam tratores e motoserras, isso sem falar nas queimadas. No lugar onde corriam águas límpidas, vemos leitos lodosos, assoreados pelo uso inadequado do solo e pela exploração indiscriminada. Hoje, populações inteiras moram nas margens dos rios e cobram das autoridades “providências” para evitar o inevitável: a inundação dos rios durante as chuvas, cada vez mais torrenciais.
Os casos mais recentes de chuvas em Santa Catarina, Espírito Santo e os tornados no Sul do Brasil, furacão na costa de Santa Catarina, inundações e secas em várias regiões do mundo são pequenas amostras do que podemos sofrer.
Culpar a quem?
Os governantes, legisladores e juristas que tornam o caminho para as soluções mais longos, transformando-se em parte do problema, graças a falta de ética, excesso de política barata e total despreparo técnico para agir em situações como a ocupação das áreas de preservação ou inundáveis?
O setor industrial, em especial o do primeiro mundo que sempre se preocupou com o seu crescimento, sem notar que existe uma conta a ser paga junto à natureza, o preço da insustentabilidade?
Culpar os madeireiros, agricultores e pecuarista que agem como verdadeiros gafanhotos famintos, com a desculpa da estração de madeira e aumento de fronteira agrícola, preparando o ambiente que poderá servir para sepultar toda uma geração futura ou, quem sabe, nossa própria civilização?
A população, indefesa e ignorante, incapaz de perceber as conseqüências de algumas de suas ações e que exige direitos, sem mesmo ter cumprido alguns de seus deveres, como separar o lixo reciclável e não jogá-lo no chão ou no rio?
Culpar a natureza, que cobra o espaço que, na realidade, sempre foi dela?
Será que alguém culpará a Deus?
Convenhamos que tudo isso pode ser verdade, ainda que contestada por uma minoria de cientistas. E quando esta for confirmada, não sei se teremos tempo ou uma capacidade de mobilização mundial que permita iniciar uma “freiada” neste processo que redundará em problemas na saúde publica, desabrigados ambientais e falta de água potável para milhões de pessoas.
Para que uma ação contrária ao que estamos presenciando tenha êxito, precisamos de pessoas conscientes e suficientemente educadas, capazes de entender um mecanismo relativamente simples e do qual somos dependentes: a vegetação protege o solo e ajuda a manter a estabilidade do clima; o solo preservado mantém sua fertilidade e reserva a água; a água irriga a vegetação e abastece as nascentes que em conjunto formam rios que nos provem de água todos os “animais”; o conjunto formado pela vegetação, solo e água é responsável pelo equilíbrio climático. Do contrário, sem vegetação o solo é carregado pelas enxurradas para o interior dos rios, tornando-se mais rasos; sem o solo para armazenar a água, reduzem-se as nascentes; com menos nascentes os rios perecem; com o leito dos rios mais rasos devido ao solo que se desprendeu, as cheias são mais violentas em virtude das grandes chuvas, causadas pelo clima que se alterou devido a todas estas interferências já citadas.
Isto sem falar do tal aquecimento global, originário principalmente dos poluentes atmosféricos de carros, industrias e queimadas!
E o que dizer do lixo? Tem quem pense que isto é ecologia, mas, na realidade é sobrevivência. Tem quem pense que isto é exagero, mas, esta acontecendo em diversos lugares espalhados pelo mundo.
Esta carta, escrita por um profissional ligado com a área ambiental, em forma de apelo, pouco servirá caso quem a leia não possua a devida sensibilidade e respeito a vida, seja a dos ditos “racionais” quanto as outras formas, indefesas.
Tanto o caso do Coritiba, quanto a situação vivenciada pelo planeta sugerem uma mudança de atitude.
Um passo a frente para os que se prontificam.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)