
FALA, COXAnauta!
Olá, caros amigos coxas!
Como os mais próximos bem sabem, tenho uma opinião um pouco distinta da maioria. Acompanho o Coritiba desde que me entendo por gente e nunca vivenciei fase tão interessante como a de hoje. Frise-se, interessante. Pode melhorar? Sim. Mas dependemos de diversos fatores.
O princípio básico é que a realidade não nos permite errar. A uma em razão de nossa realidade financeira. A duas pela realidade dos demais que competimos em pé de igualdade.
Abaixo minhas impressões acerca de aspectos que reputo relevantes a ponto de serem abordados:
1- Finanças:
Pelas conversas que tive, inclusive com o próprio presidente na qualidade de torcedor interessado, o Clube passa por uma crise financeira que foi muito pior na época da queda em 2009. Não significa que a crise financeira acabou. A melhora no desempenho depende e muito do equilíbrio interno dessas finanças. Na última oportunidade ventilada pelo Clube girava em torno de 80 milhões. Diante disso, o que ocorreu nos últimos 2 anos foi um milagre. Sim, um milagre. A conquista do bi-campenato estadual, do acesso e a chegada na final da Copa do Brasil dependeu e muito de acertos sem espaço para equívocos. De toda sorte, o equívoco é da natureza do esporte. Nem sempre vamos acertar como quando da contratação de Rafinha e Emerson. A diferença é que se um Flamengo da vida vai mal no regional, com uma folha de pagamento no mínimo 15 vezes superior à nossa, eles têm condições de montar 3 equipes ao longo do ano. Inclua-se neste rol São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Fluminense e alguns outros.
Assim, da mesma forma que podemos ganhar do todo poderoso Corinthians-SP, podemos perder para o Toledo. O salto de investimento para cima ou para baixo se equivale. Ademais, temos de apostar em outros fatores positivos (tais como manutenção de boa parte do elenco, entrosamento, comprometimento, etc.) que clubes privilegiados deixam de lado, seja pela pressão de suas torcidas, seja pela inexperiência de seus gestores.
Dentro deste tópico o que entendo pertinente é "não equilibramos AINDA nossas finanças". Qualquer análise dissociada disso é míope.
2 – Cobranças das arquibancadas
Percebo que alguns torcedores se posicionam no sentido de que o Coritiba teria a obrigação de atropelar todo e qualquer clube no campeonato regional. Acredito que nunca um campeão paranaense (nem os Poodles de 1949) teve aproveitamento de 100%. NUNCA! O melhor aproveitamento que vi foi o do ano passado. 20 vitórias e 2 empates (Seria 100% se o Arapongas não empatasse ao 48 do segundo tempo e se entrasse a bola do Bill ao 42 minutos do segundo tempo contra o Paraná). Adoraria ver o Coxa obter 100%, mas acho extremamente difícil.
A parcela da torcida que cobra excessivamente o técnico Marcelo Oliveira é a mesma que pediu René Simões em 2009.
Concordo com o que o Lincoln falou esses dias: No Palmeiras a torcida apoiava o jogo inteiro, depois criticava. Aqui não dá pra pegar na bola. Dou razão por dois motivos: a) O desequilíbrio no início de temporada não é culpa dele e sim de diversos fatores; b) Torcida tem que apoiar, não jogar contra.
3 - Elenco:
Algo que normalmente me deixava bastante incomodado era o fato de não sabermos por quanto estamos negociando nosso jogadores. Sempre foi uma constante em gestões anteriores e com uma agravante, qual seja, se desfaziam dos jogadores mais importantes no momento que mais precisávamos deles. Hoje em dia percebo que apenas o sigilo voltou a ocorrer, já que nenhum jogador importante foi negociado durante as competições que disputamos. Ainda assim, confio no Vilson e acredito que tenha seus motivos, ao contrário dos antecessores que não fizeram nada em relação a débitos pendentes. Faziam de conta que não existiam. Simples assim!
No início do ano o único jogador negociado que particularmente entendia ser inegociável era o volante Leandro Donizete (cheguei inclusive a mandar um e-mail ao presidente quando foi ventilada a hipótese). Os demais nunca tiveram a regularidade de um Emerson da vida e/ou as pequenas variações de um Rafinha. Mais a mais, me dei por satisfeito com as explicações do clube no sentido de que era a oportunidade de independência financeira da vida do jogador. E ninguém merecia tanto a independência financeira quanto ele.
A grande perda, de fato, foi o entrosamento. Estamos no início deste processo. Ainda assim, vamos sentir falta do Donizete por muito tempo. A contusão dele, na minha humilde opinião, nos custou a Copa do Brasil. Trabalhava por 3 em campo e sempre foi muito regular.
Como havia colocado lá em cima, a realidade financeira do Clube não nos permite errar. Acertamos com Emerson, Rafinha e com boa parte do elenco do ano passado. Acertamos (exemplificativamente) com Davi, Leonardo e Jéci que, muito embora a irregularide, tiveram boas fases dentro de campo. Posteriormente foram negociados rendendo, acredito eu, boas cifras ao Clube. Acertamos em cheio a contratação de Marcelo Oliveira. Fui um dos que mais criticou quando da contratação, pois tinha a recordação de que quando deixou o Paraná Clube tinha levado 6x1 da Portuguesa. Ledo engano! Completou 85 jogos no comando do Coritiba com melhor ou segundo melhor aproveitamento de todos na história centenária de nossa instituição. Custo baixíssimo! Em todas estas partidas, desde que assumiu, NUNCA fomos goleados. A última goleada que o Coritiba sofreu, salvo engano, foi 5x1 para o Ipatinga na era Ney Franco. Nenhum Clube do país (independentemente do potencial financeiro e econômico) deve estar a tanto tempo sem sofrer um revés contundente. Acho esse dado simples e pra lá de relevante. Ao invés de enaltecermos a estatística, nos tornamos cada vez mais vaidosos (sentimento este que diariamente a imprensa faz questão de alimentar para o nosso próprio prejuízo). Podemos ser goleados? Sim! A qualquer momento em razão da natureza do esporte que somos apaixonados. Todos os atletas contratados foram acompanhados pelo clube durante um longo período e tiveram boas estatísticas nos clubes que defenderam.
Ainda que não tenhamos a possibilidade de errar, erramos. Everton Ribeiro nunca jogou uma partida interessante. Nos custou 1,5 milhões. Se fossemos o São Paulo, já teríamos mandado embora. Mas no mundo da bola existem artifícios e acredito que um deles é tentar fazer o investimento não ir por água abaixo. Reitero que, conforme coloquei acima, não podemos nos dar ao luxo de errar. Que até hoje não correspondeu à expectativa nós sabemos. Entretanto contra um time do interior, em casa, poderia, ainda assim, fazer 2 gols e amanhã ser revendido a peso de ouro para qualquer outro clube sob a tarimba de titular do Coritiba. É assim. Acredito que esta foi a real justificativa para a escalação dele em algumas partidas, não opção tática. Esse tipo de aventura só podemos fazer no regional. Outro que também não correspondeu chama-se Marcel. Ao menos parece que veio de graça. Eltinho é outro que veio num mesmo pacote, junto com Emerson e Davi. No conjunto a negociação foi boa. Porém, lateral de ofício não poderia perder a posição para um zagueiro. A lateral esquerda é uma carência antiga. Independentemente disso percebo que o clube não permanece estático e, ainda, conta com alguns problemas de contusão que abririam novas possibilidades técnicas e táticas para o técnico. São os casos de Aquino, Everton Costa e do recém chegado Roberto.
Em suma, erros e acertos sempre vão existir. Renan Oliveira me parece um craque. Gostei muito também do Jackson. Em pouco tempo já tem uma média de gols superior ao Jonas no ano passado. O próprio Lincoln deve ser muito importante ao longo da temporada. Quem sabe jogar, sabe. Quem não sabe, não sabe. Ele já mostrou que sabe. Podem discordar, mas hoje ele carrega a pecha de desagregador, ex-jogador, e talvez por isso e por todo o "diz que me disse" da arquibancada tenha ouvido vaias durante os jogos. Lamentável! Se tivesse ficado em campo sem pressão teríamos muito mais tranquilidade em obter algumas vitórias difíceis.
No futebol de hoje, um jogador que não produza ofensivamente e defensivamente faz muita falta, nem que seja contra qualquer equipe hipossuficiente do interior. Não é o caso. Como disse o Marcelo Oliveira exemplificativamente após o jogo contra o Toledo, se o chute do Tcheco entrasse no começo do jogo teríamos goleado e ninguém criticaria.
Chamo a atenção para quatro equipes do certame: Londrina, Arapongas, Cianorte e Toledo. Todas não apenas se fecham como dispõem sim de qualidade.
Não podemos esquecer que futebol é 11 contra 11 e nenhum clube permanece estático. Às vezes nem de uma partida para outra, quiçá de um ano para outro. Por isso devemos abrir mão de boa parte das comparações com 2011.
4 - LA Esportes
No conjunto da obra a LA esportes é uma das responsáveis pelo milagre dos últimos dois anos. Nem por isso somos refém de quaisquer imposições. O pouco que sei é que o dono da empresa, Senhor Luiz Alberto, é coxa-branca de coração. Eis a diferença entre as parcerias firmadas com outros clubes como Paraná e Avaí que, além de parceiros, serviram como laboratório. Para o Coritiba só foi repassada a fina flor, ou seja, o que a empresa dispunha de melhor. Não significa que a empresa disponha da seleção brasileira no seu rol de atletas.
Sabendo que a empresa é do ramo do futebol e que o dono é coxa-branca, não me causa estranheza que seu filho seja conselheiro. Acho até importante.
Se querem se abstrair do contexto geral e reclamar do Lincoln, reclamem também do Emerson. A porta de entrada foi a mesma. Nem sempre a intenção corresponderá à prática. Futebol não é matemática pura e simples. Nem por isso determinadas ciências não sejam relevantes e tenho a certeza de que no Coritiba elas estão sendo aplicadas.
5 - Política interna.
Particularmente confio no Vilson e só! Mesmo com a saúde debilitada trabalha demais e, por conseqüência, todos os FUNCIONÁRIOS do clube. A dinâmica é outra. Profissional. Nem se compara às anteriores. Além disso, trata todo e qualquer torcedor como patrimônio do Clube. Arrogância zero!
Entretanto, importante ressaltar que política é política. Se não fosse um cara político não estaria onde está. Não é momento de se cogitar sucessão. Quando for o momento oportuno a sucessão adequada se dará através desta mesma política. Do ponto de vista das decisões importantes do Conselho, até hoje dirigentes que abandonaram o clube quando este mais precisou mandam e desmandam, vez que alguns conselheiros estão no clube por indicação a dedo deste ou daquele antecessor.
Passei a confiar no Vilson pelo conjunto da obra e seriedade dissociada de interesses obscuros no dia-a-dia. É fato que alguns estão ao redor simplesmente por conveniência política e querem holofotes voltados para si. Prezo que nosso Presidente tenha pronta recuperação e possa comandar o Clube por muitos e muitos anos.
O que preocupa, desde já, é a massa. Dizia um professor meu, "A massa é movida pelo berrante". Tem gente querendo manipular a massa. Se um dia necessitarmos de sucessão, creio que o próprio Vilson indicará a pessoa mais adequada. Neste momento vamos precisar separar a política da realidade, se deixarem.
6 – Felipe Ximenes
Profissional de ponta no futebol brasileiro e comprometido com o projeto do clube. Teve proposta de pelo menos 5 clubes para ganhar muito mais e ficou pela fidúcia e por acreditar no projeto. Precisamos de gente assim em todas as esferas do Clube.
7 - Marquinhos Santos
Idem acima.
8 – Contexto geral do futebol brasileiro
Analisando por cima o futebol neste início de temporada, percebo que o Corinthians manteve toda a base do ano passado e se reforçou. Quem pode, pode.
O Fluminense no papel é assustador. Muito embora o título do primeiro turno carioca, já perdeu 3 vezes na temporada para times sem expressão.
Poucos clubes permanecem invictos na temporada.
O caminho do Alviverde é tortuoso, mas permanecemos no caminho certo, ainda que tenhamos perdido o 1o turno do regional.
9 – Binômio Clube – Atleta
Sermos Campeões Brasileiros, do ponto de vista de tudo que envolve o futebol, seria como o Cincão de Londrina (time da Série B) ser campeão paranaense. Antes da gente tem Corinthians, Flamengo, Fluminense, São Paulo, etc... Só que é futebol, reitero, é imponderável e por isso é apaixonante! Nos últimos 2 anos estamos tirando leite de pedra. Acreditem! Porém, questões relevantes e vaguardistas estão sendo adotadas na política do clube, o que traz boas perspectivas. Vou citar um exemplo: Vamos supor que o Coritiba vá contratar um atacante destaque e artilheiro do campeonato paulista. Existem duas hipóteses: Dar certo e não dar certo. Antes de contratar o clube apresenta um projeto ao atleta. O mais importante desse projeto, acredito eu, é dispertar no atleta o seu bom caráter no sentido de que, se der certo, renove com o clube e/ou seja negociado com a anuência deste no momento oportuno. Em suma, que honre com o destaque que o clube o trará. Dentro dessa política, em todas as negociações recentes o clube fica com mais de 50%. Essa medida simples é fundamental, mas o risco existe. O clube, por outro lado, não deve desamparar o atleta caso não dê certo. É isso que torna difícil mudanças radicais do dia pra noite. Mais a mais levando-se em consideração que tudo é uma aposta. Não existe garantia de êxito na mudança.
Algo nesse sentido ocorreu quando o Coritiba renovou com o lateral Triguinho após sua contusão. Já tinha demonstrado não ter condições de ser titular do Coritiba, mas o clube renovou com o atleta, o manteve no elenco e, quando pode, negociou com o Atlético Mineiro. Tal atitude foi muito bem recebida por todo o elenco. São coisas assim que fazem um atleta não trocar de clube seja qual for a proposta. Mas é uma via de duas mãos. Financeiramente somos hipossuficientes perante os demais. Se os atletas têm demonstrado bom caráter (vide a renovação de Rafinha e Emerson), o clube também deve fazer a sua parte, não desamparando atletas que, ainda que comprometidos, não correspondam à expectativa por motivos táticos, técnicos ou seja lá quais forem.
10 – Base
Muita gente critica o técnico por supostamente não valorizar nossa categoria de base. Se a solução da base fosse simples, o atacante do Corinthians, artilheiro e campeão da Taça São Paulo de Futebol Junior não iria jogar pelo Paraná Clube em 2012. Entendo que temos bons valores, mas pra chegar jogando só se contassemos com algum Neymar. Acompanho a base do clube. É perigoso lançar esses garotos na fogueira. Assisti até a final do Torneio de Votorantim Sub-15, onde nos sagramos campeões (aliás, foi o jogo que mais sofri na temporada até agora).
O clube lá de baixo está lançando garotos da base mais por necessidade do que outra coisa. Perderam para o Londrina e para o Sampaio Correia e já queimaram alguns deles.
11 – Futebol
Se futebol não fosse dinâmico e cheio de surpresas seria uma incoerência total esperar mais do Coritiba do que a manutenção na série A. Temos acredito que o 14o ou 15o orçamento dos clubes da Série A (torcida, investimento, etc...).
Crise é lá embaixo. Sejamos pacientes! Confiar no trabalho é essencial. Vaidade em algumas esferas clubísticas sempre vão existir. No momento oportuno vamos sim contratar e dar mais um passo rumo ao equilíbrio financeiro. Conseqüentemente estaremos mais próximos dos títulos relevantes almejados. Já estamos na frente de muitos clubes de maior potencial econômico e financeiro e muito melhor que há dois anos atrás. Não é agora que vamos fazer eclodir uma crise e/ou deixar de apoiar das arquibancadas.
Devia ter outros aspectos para abordar, mas realmente acho que falei demais.
Outrossim, posso estar redondamente enganado em diversos aspectos. Sou apenas um torcedor, como todos vocês.
Forte abraço!
José Ricardo Fiedler Filho é Coxa-Branca de coração.
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