
FALA, COXAnauta!
O período de férias do futebol brasileiro, muito especialmente para aqueles que vivem dele, ou, por outra, como a maioria, que apenas acompanha o seu cotidiano, cria um espaço vazio que nos deixa a todos um tanto de perdidos; passamos o ano inteiro vendo, ouvindo, lendo e comentando essa verdadeira maratona de jogos que as televisões veiculam e mostram todos os dias da semana, à exceção das segundas.
O futebol nacional, na verdade, nos faz muita falta que, muitas vezes, chegamos a esquecer que todos precisamos de férias, e os jogadores, dado o esforço que deles se exige, não contrariam essa regra básica. O que fazer, então, nesse período? O que nos resta ver, então, nesse imenso espaço vazio?
Penso que todos nós, os aficionados da bola, temos buscado na transmissão dos campeonatos estrangeiros, notadamente o europeu, nossa compensação. E vem daí esse meu singelo comentário, que nada mais é do que uma também singelíssima comparação, que deve servir de reflexão.
Tenho notado, na unanimidade dos jogos que tenho assistido, que muito dificilmente algum jogador sai de campo de maca; não vejo jogador cair ao chão e lá ficar rolando, gritando e sacudindo as mãos em socorro; não vejo jogador, depois dessa cena toda, ir pra beira do campo, receber a conhecida "agua benta" e, em segundos, já estar pronto pra retornar ao jogo; não vejo jogador, após qualquer encontrão, normal no futebol, esparramar-se no campo e abrir os braços ao juiz pedindo cartão ao adversário; por outro lado, vejo como comum o jogador desculpar-se ao cometer uma falta voluntária no adversário, coisa raríssima nos nossos campos.
Vendo esses comportamentos, lembrei-me de alguns jogos do nosso CFC, onde sofremos gols, que nos levaram à derrota, quando nossos zagueiros estavam fora do gramado recebendo aquele milagroso tratamento.
Alguns dirão que esses fatos decorrem da nossa cultura, que não pode ser comparada com a cultura européia. Até concordo, mas não esqueço que jogam na Europa jogadores de todas as partes do mundo e que, muito rapidamente, assimilam esse comportamento.
A grande verdade, na minha forma de ver, está na nossa inquestionável tentativa de induzimento ao erro. Nossos jogadores são exímios nisso. Infelizmente, para manterem acesa a tal "malandragem brasileira", vamos continuar assistindo a esses comportamentos, de todo até sem ética, mas tudo em prol da antiquada expressão "... é a picardia do jogador brasileiro". Até quando?
José Hipólito Xavier da Silva é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)