
FALA, COXAnauta!
Todo Coxa-Branca deve lembrar-se do primeiro atlTiba que participou. Eu digo participar porque este clássico mexe tanto com a gente, que não é um simples assistir. Existe um envolvimento tão grande que é como se estivéssemos no gramado defendendo, fazendo gols e discutindo com o árbitro. Este envolvimento é muito maior quando estamos no estádio, no meio da torcida.
Vou contar duas histórias ocorridas em duas gerações de Coxas-Brancas:
1. O Primeiro atleTiba dos meus filhos.
Curitiba, 22 de abril de 2.012, estádio Couto Pereira.
Acompanhado da minha esposa e os dois filhos menores (15 e 8 anos) viajamos até Curitiba para assistir o clássico. Para os dois pequenos, é o primeiro atleTiba em um campo de futebol. Na chegada, vi nos seus rostos a expectativa e o nervosismo. Mas bastaram cinco minutos para entrosarem com a massa alviverde, cantando todas as músicas da torcida e "elogiando o juiz", como se fizessem parte daquele ambiente há muitos anos. Foi emocionante. Para a nossa felicidade foi um jogo sensacional. Vencemos por 4x2 depois do adversário ter empatado por duas vezes. Pena que foi um atleTiba de uma só torcida (não sei de quem foi esta ideia). Não tivemos o prazer de ver os atleticanos saírem cabisbaixos, com a bandeira enrolada em baixo do braço.
Neste dia tive a certeza que o Coritiba pode contar com mais dois novos ferrenhos torcedores. Hoje tenho um problema. Os dois me cobram todos os dias, querendo ir novamente a Curitiba, para assistir outros jogos do glorioso.
2. O meu primeiro atleTiba.
Curitiba, 28 de agosto de 1.968, Estádio Durival de Brito.
Com meu primo (atleticano roxo) fomos a Vila Capanema para assistir ao clássico. O jogo foi realizado no Durival de Brito porque na baixada não havia refletores para jogos noturnos. Na época eu era torcedor do Ferroviário (abandonei quando virou Colorado e comecei a torcer pelo Coritiba em 1.971). É a segunda partida da decisão do campeonato estadual. A primeira, o Coritiba venceu por 2x1 no Couto Pereira (Belfor Duarte na época). O Atlético, após ter virado a mesa (com anuência do Coritiba e Ferroviário) ao ter sido rebaixado para a segunda divisão em 1.967, tinha montado um time, no mínimo, respeitável. Contava com Bellini, Djalma Santos, Nair, Zequinha, Nilson, Zé Roberto e Dorval em seu elenco. O Coritiba não ficava atrás com Célio Nico, Nilo, Kosilek, Krüger entre outros. Precisando vencer para levar a decisão para uma nova partida, o Atlético saiu na frente com um gol do Zé Roberto. O tempo estava passando e Coritiba não conseguia empatar. Nos minutos finais do jogo, quando a torcida atleticana já vibrava e se dizia campeã, o árbitro Arnaldo César Coelho marcou uma falta na ponta esquerda, próxima à área adversária, a favor do alviverde. Nilo cobrou com maestria e Paulo Vecchio marcou de cabeça, empatando o jogo e dando mais um título ao Coritiba. A massa coxa-branca foi ao delírio. Meu primo (o atleticano) chorou. Nunca mais vi meu primo chorar. Talvez porque nunca mais assisti um atleTiba em sua companhia.
Luiz Eduardo Pacheco de Carvalho é Coxa-Branca de coração.
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