
FALA, COXAnauta!
Já tentei de tudo, mas como coração de torcedor não tem juízo, continuo achando que posso ajudar. O jogo de camisa, cada uma para cada situação já não resolvem. A que sempre foi para jogos fora, tenho usado para os jogos em casa, a número um, a branca com listras verdes na horizontal, já nem sabe mais pra onde correr. A cueca verde, arma secreta nas situações mais críticas, também não serve mais. Foi substituída por uma branca (que não gosto de usar), mas para ajudar o time até usei ontem. Também não deu. O caneco usado para o café da manhã nos dia de jogo, já entrou em ação 24 horas antes, 12 horas depois e também não resolveu. Cheguei a culpar a moça que limpa aqui, que na hora da lavar tirou uma lasquinha da borda e quebrou o encanto.
Todo ano é uma caneca nova, uma camisa nova, mas desta vez a coisa não vai. Assim como você, já cheguei a me achar um idiota nesta história, mas é coisa de torcedor. Não tem jeito, isso me acompanha desde criança. No estádio tinha lugar certo para ficar no primeiro e outro no segundo tempo da partida. Ai do cara que tivesse se apossado do meu lugar quando chegasse para assistir o segundo tempo. Ficava por ali, fulminando o sujeito com pensamentos que o levassem ao banheiro, ao pipoqueiro, ao sorveteiro. O primeiro vacilo tomo o lugar. Se reclamar justifico e, ele vai entender. Ainda não precisei passar esta vergonha.
Lá dentro de campo, os caras nem imaginam isso. Penso que como eu, pelo menos a metade ou quem sabe muito mais que isso tem o seu ritual naquele estádio. Lugar certo, camisa de todos os jogos, estacionamento do carro, companheiro de arquibancada. Isso é pouco, coisa de amador. O bom mesmo foi um sujeito que outro dia, naquela famosa partida contra a Ponte Preta, já no início do segundo tempo, olhou para os lados como quem procura alguém. Me achou, fez um sinal de aprovação com a cabeça, deu um meio sorriso para confirmar a minha presença naquele lugar. As nossas posições eram fundamentais para a vitória. Dele, só sei que é japonês, um pouco gordinho e, sempre está com a camisa número dois do uniforme, a de listas verticais- na minha opinião a mais bonita. Termina o jogo, nos abraçamos e vamos embora sem trocar uma palavra. Não sei seu nome, nem o que faz, mas é torcedor como eu. Nos vemos uma ou duas vezes por semana e não reclamamos, não vaiamos, não xingamos jogador, nem ninguém.
Lá dentro eles não sabem nada disso. Quem sabe tenha chegado a hora de saber. Já não tenho ido ao estádio para não sofrer. Só sei dos resultados no dia seguinte. Andam me consumindo. Até o Corinthians, nosso companheiro de sofrimento ultimamente, ganhou na rodada de ontem.
Sérgio Brandão é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para escrever na seção Fala, COXAnauta!, envie seu texto com título, seu nome completo e CPF para falacoxanauta@coxanautas.com.br.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)