
FALA, COXAnauta!
Muito antes da criação ou fusão que gerou o Paraná F.C., já existia em nossa cultura o sentimento de “paranismo”, exercido pelos “paranistas”, conceitos que, segundo o historiador Romário Martins, assim se caracterizam:
Paranista é "todo aquele que tem pelo Paraná uma afeição sincera" e o Paranismo é o espírito novo de exaltação idealizador de um Paraná maior e melhor pelo trabalho, pela ordem, pelo progresso, pela bondade, pela justiça, pela cultura, pela civilização.
Feita a explicação, visando a que algum apressado não confunda o título do texto com uma apologia ao nosso segundo rival, analiso o fato relevante da semana que foi a criação do Sport Club Corinthians Paranaense.
Lamentável é expressão insuficiente para externar o sentimento de quem tem amor ao Paraná, é paranista no conceito histórico, ao ver um clube-empresa, mais empresa do que clube, abaixar-se e apequenar-se adotando o nome de um time alienígena e, pior, aceitar usar como bandeira e escudo o estandarte do estado de São Paulo.
Igualmente triste e tão grave: o ato de lançamento foi prestigiado pelos presidentes dos três grandes clubes de futebol da capital e pelo vice-governador do Estado!
Sabemos que somos um Estado que foi formado por correntes migratórias de várias regiões do país e até de imigrantes estrangeiros, todos gerando um caldo de cultura que resultou na grande potência que é hoje o Estado do Paraná. Tal diversidade, porém, não pode significar que o sentimento de paranismo possa ser menosprezado e nem mesmo diminuído. Quem aqui nasceu e quem aqui se criou deve ter amor ao Paraná. Mais intenso os primeiros, e aceitável que conservando o amor à sua terra natal os segundos.
Mas quem aqui nasceu – caso do presidente do recém fundado clube – e que aqui prosperou – e muito – tendo a honra de um dia comandar o maior clube de futebol local, jamais poderia perpretar essa verdadeira traição aos paranaenses.
Traição é uma palavra forte? Talvez seja, mas não vejo outra que possa ser utilizada, a não ser conjugada com desolação e revolta.
Espero que os verdadeiros paranaenses, especialmente os torcedores do Coritiba, e mesmo do Atlético e Paraná, em relação aos quais nessa hora é possível esquecer a rivalidade, repudiem a iniciativa, desprestigiem o clone paulista, repilam a idéia e mostrem isso aos meios de comunicação em geral.
Meus sinceros e veementes votos de que a iniciativa seja fadada ao fracasso!
Felipe Rauen é Coxa-Branca de coração e Cônsul do Coritiba em Porto Alegre.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)