
FALA, COXAnauta!
Pelo título desta coluna, talvez alguns leitores imaginem que vamos falar de algo relativo à Pecuária, já que sou formado Agrônomo ou, quem sabe, Culinária.
Na realidade, faço uma referência ao AtleTiba através de dois grandes nomes de nossa crônica esportiva.
Se levarmos em consideração as paixões clubísticas, sabemos que ambos são "antagônicos", ou seja, torcedores de lados opostos. Porém, sem jamais perder a desportividade, estes estabeleceram uma salutar parceria, quando se trata de documentar os confrontos da dupla AtleTiba e suas aventuras no mundo da futebol.
Quem já teve a oportunidade de ler o livro "Atletiba, A Paixão das Multidões", sabe quantas histórias foram ali vivenciadas e narradas e o quanto é rico o nosso maior clássico, sendo este influente na vida de nossa Cidade ou do Estado. Não os conheço pessoalmente, mas já tive a oportunidade de ouví-los nos diversos prefixos dos quais fizeram parte, tanto de rádio como televisão, e ler suas colunas nos jornais, a ponto de sentir-me a vontade para falar brevemente sobre eles. Quando era "piá", Vinícius Coelho chamava a atenção, quando gritava "Gol, Gol, Gol", com muita energia e com leve rouquidão, ao narrar os jogos na televisão.
Quem chegou a vivenciar esta época, lembra-se de sua postura perante o microfone e de seu modo ímpar de narrar o futebol. Lembro-me de alguns dos atletas descritos em suas locuções, às vezes gritados, que marcaram época no início dos anos 80 no elenco Alviverde como Freitas, Luiz Freire, Lela, Índio, Vilson Tadei, Aladim ou mesmo no Rubro-Negro, como Nivaldo, Joel, Assis e Washington, o Casal 20.
A nação Coxa jamais esquecerá a narração do jogo contra o Bangu, na final de 1985, quando o Zagueiro Gomes teve a oportunidade de executar a última das cobranças e correr para o abraço com os companheiros e entusiasmar os milhares de torcedores, nas arquibancadas do Maracanã, para a felicidade do próprio locutor.
Vinícius foi, e continua sendo, um grande comentarista, conhecedor de tudo que envolve o futebol, no campo e nos bastidores. Tem suas raízes ligadas ao nosso Coritiba Futebol Clube, inclusive sendo um dos autores de nosso primeiro e mais importante hino.
Hoje, entre tantas atividades, publica diariamente suas colunas e não esquece de dar suas "cornetadas" a respeito dos times. Não o considero um grande polêmico, mas é defensor ativo das causas do Coxa e por vezes, talvez, seja até mal interpretado, tornando-se alvo de crítica dos torcedores adversários. Sabemos, ou pelo menos imaginamos, o quanto foi traumático o episódio da perda de seu filho, em virtude de uma estupidez. Porém, não abandonou o barco e continua trabalhando, pois como dizia uma famosa frase, "vencer é o seu lema, trabalhar é tradição"...
A partir do momento em que me apeguei ao rádio esportivo, Antônio Carlos Carneiro Neto foi o narrador com o qual mais tive afinidade, do final dos anos 80 em diante, assim como Luiz Augusto Xavier, na poderosa Rádio Cidade. Foi, anteriormente, o responsável pelo lançamento do saudoso e lendário Lombardi Junior, uma grande perda, junto com a PRB2 (Rádio Clube Paranaense).
Carneiro Neto, como é mais conhecido, "fabricava" nas mentes dos torcedores, as imagens do jogo não televisionado, quando não estávamos na arquibancada. Este sempre se posicionou com neutralidade, mostrando-se muito preciso, observador e profissional, na acepção da palavra. Ao gritar os gols, tinha como marca registrada, uma frase famosa que abordarei no final do texto.
Lembro-me da descrição que proferia a respeito de times talentosos como o Coxa de Carlos Alberto dias, Tostão, Serginho, Oswaldo e Chicão ou o Atlético do final dos anos 60, com Djalma Santos, Zé Roberto, Bellini, Sicupira.
Com um ar satírico, muitas vezes desenhou situações ilárias e algumas são inesquecíveis, como no caso do centroavante Vanderlei, do time do Atlético de 1989: na época em que despontavam os brilhantes Holandeses, como Van Basten e outros Van "Fulanos", Carneiro se atreveu a dizer que "Van Der Lei" era o grande centroavante Holandes do time Rubro-Negro; na verdade, era um jogador limitado.
Como bom escritor que é, contribui muito com a nossa literatura esportiva, ainda escassa. Criou personagens ou apelidos que tornaram-se marcas, como o "Tigre da Vila", referindo-se ao artilheiro Saulo.
Nos dias de hoje, ouvimos seus comentários na Rádio CBN, sendo bastante crítico com nossas equipes, com toda razão. Suas colunas no jornal são recheadas de conteúdo esportivo e cultural, além do imperdível "Efabulativo". Tem, como já sabemos, ligações afetivas com o Rubro-Negro. Enfim, como estamos na semana do AtleTiba, não podia ter um exemplo mais feliz de como uma parceria entre dois profissionais da imprensa, ligados a clubes rivais, podem trabalhar juntos e acrescentar uma ou mais obras literárias, num país ainda carente de cultura.
Na verdade, aí está embutida uma mensagem de paz entre os rivais, pois como dizia Carneiro, "é disso que o povo Gosta".
Vamos nos "defrontar" apenas com a voz, nas arquibancadas.
Gostaria de parabenizar o torcedor Guilherme Carvalho, em seu Manifesto Coritibano em Defesa do Futebol Paranaense. Não devemos nos submeter a ninguém que não abrace as nossas causas. Temos história e não precisamos de nada que não se identifique com o povo do Paraná.
Abraços e um Grande Jogo!
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)