
FALA, COXAnauta!
'Pobre ditadura pobre'
Graças à ditadura de hoje em parte do nosso futebol, o Coritiba já não precisa mais ceder toda a curva dos fundos do maior estádio do Paraná para a torcida adversária, como sempre fez sem que forças maiores precisassem interferir.
Fruto de decisões parciais e cegas já chegamos ao cúmulo de ficar, e por conseqüência, de submeter à violência de uma torcida ficar em cima da outra, literalmente. Os efeitos do desrespeito das cabeças na gestão se tornam ainda piores quando chegam mais embaixo, pra quem cuida do clube com o coração, que são os torcedores. Todo torcedor merece respeito. Sem torcedor não tem futebol.
É dos grandes reconhecer a importância do exemplo que se dá. São os engravatados que causam a guerra, mas são os fardados que derramam seu sangue nela. Se isso não fosse ignorado, poderia ser evitada a ridícula contradição de querer sediar uma Copa do Mundo em local sem estrutura total para uma decisão estadual, réu confesso. Onde sua própria torcida se esfaqueia entre si 1, joga bomba no gramado e lesiona o goleiro do seu time 2, é validado gol com a bola por fora da rede3, vendem ingressos com valor total porém com vista parcial do gramado, são apreendidas pedras de crack e até pistolas, e proporciona a primeira final da história do futebol sem taça de campeão, alegando falta de estrutura. Esse costume pela impunidade já ultrapassou os limites e é comum àqueles que ainda têm muito a crescer para pensar grande e se tornar um grande Campeão.
Porém, sob o ponto de vista satisfeito de um verdadeiro grande Campeão, não é difícil mudar o foco e ver nos problemas algumas oportunidades.
Não fosse graças ao ditador, não teríamos visto em todos os programas esportivos o grande Campeão do nosso estado erguendo duas taças e dando volta olímpica por duas vezes, enquanto Palmeiras, Flamengo e até o Real Madrid apareceram só uma. E que imagem linda nos rendeu o desfecho do Globo Esporte Nacional. Além do dobro de exposição, ainda tivemos a chance de comemorar com 30.000 pessoas o que nem sequer caberia no local do jogo.
Ainda a ditadura nos proporcionou ouvir um dos mais renomados comentaristas do país afirmar em rede nacional de televisão que por razões como essa que o A. Paranaense realmente deixou de ser um time médio, e passou a ser um time pequeno. Em seguida, quando questionado sobre a ausência de troféu, um jogador Campeão declara aos risos que foi fonte de motivação e confiança saber que nem o coronel adversário confiava no seu próprio êxito. O anúncio no jornal de segunda-feira enganosamente quer dizer que valoriza a sua torcida, mas no fundo só confirma a falta de confiança que eles próprios tinham no seu potencial.
Por esses benefícios todos que a torcida campeã agradece. Mas a torcida rubro-negra já foi submetida demais às ignorâncias e desrespeito de quem pensa ser dono do clube. Os clubes são das suas torcidas, que é o seu maior patrimônio e assim devem ser tratados. Merecem finais grandes como querem que seus times sempre sejam, com bateria, muita torcida, faixas e bandeiras, televisão, rádio, troféu e especialmente o futebol prevalecendo à antipatia. Mas pelo visto, para a torcida de todo o estado ter esse gosto novamente, só quando dois grandes clubes voltarem a se enfrentar na nossa decisão.
1 – A. Paranaense x Guarani, Curitiba em 04/12/2000.
2 - A. Paranaense x Figueirense, Curitiba 18/08/2007.
3 – A. Paranaense x Império do Futebol, Curitiba 20/02/2005.
É comum da ditadura cegar, ensurdecer, não deixar gritar ou cantar e se julgar impune, assim como também é natural que finalmente sucumba e desapareça.
Por um futebol cada vez maior e mais bonito.
Gustavo Goose
é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)