
FALA COXAnauta!
Em 1998, o presidente do Coritiba era João Jacob Mehl. Antes de terminar o mandato, durante muitas partidas do Coxa, se ouvia da arquibancada: “Fica Abel, fora Jacob Mehl”. Era a torcida pedindo a saída do presidente que batia de frente com o treinador Abel. Hoje, 16 anos depois, o problema nem de longe é parecido, mas é cíclico no Coritiba. Também passo longe de comparar Abel com Dado. Mas passo perto de comparar Jacob Mehl com Vilsão. Entre eles o Coritiba ainda teve Giovani Gionedis e Jair Cirino dos Santos. Todos muito parecidos na forma de administrar. Talvez Vilson Ribeiro de Andrade tenha sido o melhor deles.
É que não dá pra passar pela administração do Vilsão e esquecer o primeiro período. Colocou o Coritiba com cara de gente grande no cenário nacional. Fez um trabalho sério de recuperação de imagem do clube, contratou reforços, montou um time bem razoável, trouxe um dos maiores ídolos da torcida de volta, coisa quase impensável para os padrões do futebol brasileiro. Vilsão e Alex andaram no colo da torcida por muito tempo.
Há pouco mais de um ano, a coisa degringolou. Inexplicavelmente todos os craques debandaram, as promessas feitas a Alex não foram cumpridas. O “menino de ouro” deve ser o próximo a sair. O clube não paga salários, se endividou, o dinheiro de grandes negociações sumiu. O Coritiba vive uma das maiores crises de sua história. O sócio, principal fonte de renda do clube, durante uma temporada inteira, passou a desacreditar no trabalho da atual administração, e também sumiu.
Não acredito em má fé. Acredito em falta de profissionalismo. Há anos que o futebol não é para amadores. Tão pouco para torcedores. Nestas salas, nos suntuosos gabinetes de presidentes de clubes, se decide o futuro dos clubes. Tudo é profissional no futebol de hoje, menos a arbitragem e os presidentes. Muitos ainda são senhores que por debaixo da camisa social, do terno e gravata, vestem a camisa do clube. São torcedores travestidos de presidente. Lugar de torcedor é na arquibancada.
Torcendo, não vendo o buraco que estava se metendo, Vilsão foi se enfiando em confusão e com ele levou o Coritiba Foot Ball Club. Uma instituição de mais de 100 anos, que ainda não chegou à maturidade.
Mesmo depois das últimas lambadas, ainda segue com um discurso de torcedor. Lamentações emocionais e a conversa de que tudo está certo, nada que não estivesse dentro do que planejaram para esta temporada. Conversa fiada, que subestima a inteligência do torcedor.
Da forma como entrou, pela porta da frente, deveria ser a de saída que o presidente deve usar imediatamente. Para não afundar o Coritiba numa crise ainda pior.
Sergio Brandão é Coxa-Branca de coração.
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