
FALA, COXAnauta!
'Proposta para eternizar o Maior de todos'
Saudações Alviverdes. Escrevo essa coluna sem, na verdade, nenhuma vontade de fazê-lo.De todas as vezes que fiquei em frente ao computador, nunca o ato de escrever foi tão doloroso como está sendo hoje.É uma sensação de vazio, incomparável.
Quero dedicar essa coluna ao maior ídolo que o futebol paranaense já teve. Ele não entrava em campo, não batia pênaltis, não fazia tabelas e nem era artilheiro. Ele também não pegava pênaltis, nem salvava bolas em cima da linha. Ele simplesmente amava um clube, uma nação, e dela, fez sua vida, nele construiu a sua história e ajudou a construir a nossa, sendo o nosso maior "engenheiro".
Claro que estou falando do nosso eterno presidente, Evangelino da Costa Neves. Nunca, em toda história do futebol paranaense, um cartola foi tão perfeito como o Chinês. Jamais alguém fez tanto por um clube, sem cobrar nada em troca, apenas o reconhecimento pelos serviços prestados, o que parece que só veio agora depois da sua passagem para outro plano.
Pessoas como Evangelino não morrem. Vivem para sempre nas mentes e nos corações de todos aqueles que presenciaram os seus feitos e também daqueles que não presenciaram, mas sabem da sua importância. Se me perguntassem uma definição para o Chinês, responderia no ato: "olhe para o meu peito: o Chinês é essa estrela amarela, que hoje brilha como nunca".
Mais um motivo para não ofuscar esse brilho e essa memória com outra estrela prateada (ainda bem que esse tema nunca mais veio à tona, tenho até medo de falar nisso de volta). Foi ele o responsável por mostrar ao Brasil inteiro que existia futebol fora do eixo Rio-São Paulo- Minas Gerais-Rio Grande do Sul. Foi ele quem nos deu dois títulos nacionais, além daquele magnífico hexa paranaense, sem falar na Fita Azul, que deveria ser eternizada com um contorno azul em nosso escudo.
O motivo por que eu resolvi escrever essa coluna, entretanto, foi fazer uma proposta à diretoria. Duas, na verdade. A primeira, e mais difícil de ser aceita, é essa que está no parágrafo acima, de acrescentar um contorno em nosso escudo da cor azul, como aquele dourado da camisa 3 do ano passado, para simbolizar a Fita Azul de 1972.
Nunca é tarde para louvar os heróis e creio que essa seria uma bela homenagem. A outra proposta, essa sim algo mais viável e de fácil aceitação por parte da nação Alviverde. Já ouvi várias pessoas querendo colocar o nome do Evangelino no CT, no Estádio, enfim, em vários lugares.
Pois bem, se fizermos isso, estaremos esquecendo daquele que foi o maior presidente da história do Coritiba pré Evangelino. Para quem não sabe, o "Belfort Duarte" foi erguido graças, principalmente, aos esforços do grupo liderado pelo então presidente do Verdão, o Major Antônio Couto Pereira. Corrijam-me os Helênicos se eu estiver errado. Também, diz a lenda, que foi Couto o responsável por interceder, através de manobras políticas, junto ao governo de Getúlio Vargas, que queria acabar com o Verdão e com todas as outras agremiações fundadas por alemães e italianos, como fez com os "Palestra Itália". Por essa razão, não podemos, de maneira alguma, separar o nome de um sonho: o Monumental do Alto da Glória terá para sempre o nome do Major Antônio Couto Pereira.
O mesmo acontece com o CT. Esse fato eu lembro, acompanhei de perto na minha adolescência. Para os mais jovens, Bayard Osna foi um presidente com uma visão administrativa fantástica, como poucos tiveram no Coritiba. Ele montou o melhor time que a minha geração inteira viu jogar (Gérson, Polaco, Vica, João Pedro e Pecos; Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto Dias e Tostão; Chicão e Kazu. Técnico: Edu Coimbra), além de deixar os cofres do Verdão recheados com promoções milionárias. Quem de nós que vivemos naquela época não lembramos dos bingões no Couto, por exemplo? E, com esse dinheiro, Bayard comprou o terreno e iniciou as obras do CT da Graciosa, sem dúvida um dos mais modernos do país. Por isso ele merece batizar esse filho. Mas como homenagear o maior de todos?
A prescrição de hoje vai para a diretoria e todo o Conselho Deliberativo.
É uma sugestão que eu gostaria de que fosse analisada com o maior carinho do mundo por todos. Por que não batizar o complexo Estádio + Sede Administrativa + Museu + Estacionamentos + Churrascaria como Complexo Evangelino da Costa Neves? Creio ser esta uma sugestão perfeitamente cabível, que demonstraria que o Coritiba valoriza a todos que construíram essa potência. Se o nosso maior "engenheiro" foi o Chinês, nada mais justo que homenageá-lo dando seu nome ao nosso maior patrimônio físico, que é o terreno onde se localiza a nossa casa. E dá-lhe Coxa!
Rui Bocchino Macedo é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)