
FALA, COXAnauta!
Vou começar a explicar o motivo do título acima, contando uma História (esta é verdadeira): em 1988, tive a curiosidade de assistir a final do Campeonato Paranaense entre o CAP e o Pinheiros. Foram três jogos, sendo que o primeiro foi disputado no Estádio Erton Coelho Queiros, no Boqueirão. Neste, o CAP conquistou um empate em 1 gol, com um tento irregular do atacante Wilson. Os dois confrontos seguintes foram no Pinheirão e fui presenciar pessoalmente, a convite de um amigo.
O segundo jogo foi um tédio, onde o placar se manteve inalterado até o apito final, deixando a decisão para o derradeiro Domingo seguinte. O Pinheiros era um adversário “enjoado” e o CAP precisava de “algo mais”, para o último jogo, também no Pinheirão.
Ao adentrar no campo para o terceiro e último jogo, para minha surpresa, eis que surge um caminhão com um trio elétrico barulhento, atrás da torcida Atleticana. No alto do caminhão, gritava um cidadão, a plenos pulmões, tentando empurrar o time para cima do Pinheiros e, com isto, levantar o campeonato. Foi um dos episódios mais pitorescos e ridículos que já presenciei dentro do futebol. O autor da façanha foi o Sr. Mario Celso Cunha, hoje vereador do município de Curitiba.
O CAP acabou conseguindo o título com uma magra vitória sobre o Pinheiros. Porém, aquele carro de som, por vezes, conseguia irritar até sua própria torcida, já que a mesma tinha sua própria forma de motivar e dispensava estes artifícios. A necessidade de aparecer e as tentativas de promoção em cima de eventos, como o futebol, são marcas de muitos políticos. Isto não chega a ser o maior dos problemas, pois os mesmos poderiam aparecer e, também, resolver algumas das questões públicas urgentes, através de sua representatividade junto ás instituições.
Todavia, o próprio umbigo fala mais alto. Recentemente, o mesmo Vereador portou-se de maneira pouco adequada, ao tratar a escolha de Curitiba como uma das sedes do mundial de 2014 como uma conquista do CAP, ao desfilar com o uniforme do seu clube. Se a Cidade tornou-se uma das escolhidas, então, todos somos um pouco responsáveis pela conquista e não um clube que, até agora, mostrou-se incapaz de resolver alguns de seus próprios problemas. Lembramos que Curitiba tem sua estrutura atual devido à ação de muitos administradores ou gestores, muitos dos quais simpatizantes de outras cores. Podemos até citar Maurício Fruet, Jaime Lerner, dois Coxas declarados que foram prefeitos do Município.
Portanto, não se trata de uma conquista do Clube Atlético Paranaense e sim da coletividade que trabalhou durante anos para chegarmos à conformação atual e possibilitar esta condição. Após esta atitude, inadequada para um vereador, caracterizada como “mico” e falta de bom senso por se tratar de um homem público que deveria se portar com isenção, verificamos outra “furada” de nosso vereador: um projeto de lei para tornar o Sr. Ricardo Teixeira um cidadão honorário de Curitiba.
Perguntamos, então: qual é a função dos homens que se dizem representantes da população diante dos muitos problemas sociais? O que existe de tão excepcional no presidente da CBF, a ponto de torná-lo um Cidadão Honorário? O fato de termos nossa cidade contemplada como sede de uma Copa?
Absurdo, seria não nos escolherem como sede! A inclusão de nossa cidade não é uma boa ação da CBF e, sim, uma constatação de que foram criadas condições para realização de tal evento. Ou alguém acha que existem outras cidades com a estrutura melhor do que Curitiba? Se nossa Capital não servisse como sede, então, nenhuma serviria. Apesar da necessidade de algumas adequações, tanto urbanas como nas praças esportivas, estamos em um estágio muito mais adiantado que outros locais. Muitas das soluções implantadas em Curitiba são inovadoras e contribuiram para que os analistas da FIFA tivessem “bons olhos” quanto ao local, antes mesmo que a própria CBF.
A partir daí, alguns políticos fazem disto um “palanque” de campanha ou para favorecimentos de grupos interessados, enquanto assuntos de elevada relevância para a população, vão ficando para traz. Devemos, como cidadãos e fiscalizadores, observar o comportamento das instituições e também de algumas figuras públicas, principalmente aquelas que pouco acrescentam ou “jogam” apenas conforme alguns interesses.
Vimos tudo o que aconteceu e acontece na Assembléia e não podemos ficar quietos. Falando sobre Ricardo Teixeira, lembro que durante o escândalo que envolvia o “chefe dos árbitros”, Ivens Mendes, a CBF não “amaciou” nada para o CAP, punindo-o e deixando de agir da mesma forma com o Corinthians, que depositou muito mais na conta do candidato.
Usando uma frase do próprio Mario Celso, em seu programa de rádio, ainda concluo sobre o presidente da CBF: “a antipatia está no ar...”
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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