
FALA, COXAnauta!
Aproveitando que grande parte do Brasil vai acessar as páginas relativas ao Coritiba Foot Ball Club, nos próximos dias, vamos nos apresentar para aqueles que acham, por ter ouvido falar, que são capazes de nos descrever; alguns ignorantes por aí, chegam a dizer que somos segregadores, sem nem sequer conhecer as origens dos povos paranaenses, muitos dos quais são de origem alemã, polonesa, ucraniana, italiana, holandesa, de pele clara.
Para resumir, nós, Coxas-Brancas, só aceitamos um tipo específico de pessoa em nossas fileiras: aquela que tenha "alma guerreira", comprometimento na sua melhor forma, podendo ser árabe, judeu, japonês, africano e até argentino; enfim, basta ser humano e digno.
Lembro aos leitores "forasteiros" que existia, em Curitiba, um time no qual não atuavam negros até a década de 60. Pasmem os senhores, este se intitula o “Time do Povo” e tem cores vermelhas e pretas. A sorte do Coritiba é que já existia a máquina fotográfica no início do século passado e ali vemos perfilados, tanto jogadores como membros da diretoria, de todas as etnias ou raças, mesmo sendo fundado por descendentes alemães, em sua maioria.
Aliás, por volta dos anos 40, surgiram duas de nossas principais marcas: o apelido e o uniforme. Com relação à camisa, enquanto os alviverdes do País se "disfarçam" de Palmeiras, o Coritiba mantém a tradição do bonito e tradicional uniforme, com duas listas horizontais, além da "jogadeira", de linhas verticais.
Já o apelido, apareceu após um xingamento feito por um dirigente do maior rival a um atleta do Coritiba, na época da Segunda Grande Guerra; entre as "ofensas", estava o termo Coxa-Branca, adotado pela torcida do Coritiba, anos depois.
Dentro de um estado que tem identificação com Gaúchos, no Sul, e Paulistas, no Norte, felizmente, somos os únicos que carregam as corres da bonita bandeira do Paraná e, por coincidência, seu melhor representante no futebol, algo mostrado pelos números. Em termos de Brasil, temos uma história rica, que não se resume apenas em títulos. O Coritiba convive com a alegria, o drama e o heroísmo que são cultivados pelos antigos e atuais torcedores, vivendo intensamente o Alviverde, dentro e fora do Alto da Glória, bairro onde fica o Major Antônio Couto Pereira, maior e mais importante estádio do Paraná.
Temos uma torcida que faz a diferença; no Paraná, é a de maior presença e a que mais viaja com o time, tendo registros de grandes presenças em todos os estádios do sul ao norte. Visualmente, é considerada uma das mais bonitas do Brasil. Como todos sabem, não pertencemos ao "grande eixo" de clubes e, pensando bem, não sei se vale a pena nos "prostituirmos" para fazermos parte desta "panela suja".
O fato é que não somos agraciados com benefícios junto a CBF, sem esquecer as ocasiões em que levamos prejuízos, dentro e fora do campo. Sofremos grandes punições do Tribunal de "Justiça" e servimos de "exemplo" para o Brasil.
Querem saber os motivos das punições? Os mesmos de outros "grandes" times, como o próprio Vasco. A torcida do Coxa invadiu o campo, assim como o próprio Eurico Miranda que "apitou" o final de um jogo contra o Paraná Clube.
Por qual motivo o Vasco não teve seu estádio interditado nas várias vezes em que apresentou irregularidades? Ah, o Vasco pode! O Coritiba, único a sofrer rigor da lei, perdeu dez mandos de campo. Mas, com dignidade, fomos jogar em Joinville, onde escrevemos uma bonita história; nos jogos em Curitiba, as torcidas rivais ficam em segurança, graças ao sistema adotado pela Polícia Militar, nas imediações do Couto Pereira.
Já na "Cidade Maravilhosa", a torcida e o time do Coritiba já foram agredidos mais de uma vez. O Coritiba, em 1989, conquistou uma liminar para garantir o direito de jogar contra o Santos, no mesmo horário de Vasco e Sport. Caçou-se a liminar e fomos rebaixados no tapetão.
Outros times cariocas que já fizeram algo semelhante e, nem sequer, foram advertidos. Será que eles têm algum "padrinhos"?
Mas, podem ter certeza de uma coisa: é muito mais gratificante sofrer com o Coritiba do que ser da mafia.
Malandragem, como colocar os ingressos da torcida Coxa a venda no estádio do Vasco, é artimanha de "malandro agulha" e não vai fazer muita diferença. Valorizamos muito mais um Título conquistado de maneira semelhante ao Torneio do Povo (1973) ou a Série B de 2007, ambos com nove jogadores em campo, do que os títulos "ajeitados" do Corinthians, por exemplo.
Sempre soubemos fazer, mesmo com recursos muito inferiores aos "Gigantes", um bom futebol. Podemos lembrar de grandes jogadores aqui revelados, como é o caso do Dirceu Guimarães, Alex ou até de outros atuais, formados num dos melhores centros de formação de atletas do País: o Mano Menezes já testou e pode formar a zaga da seleção com Rafinha, Henrique, Miranda e Adriano, todos formados no Alto da Glória.
Para concluir e baseado em todo o histórico descrito, podemos afirmar: não servimos de coadjuvante de ninguém. Podem existir alguns times ditos maiores ou mais importantes. Mas, se algum dia, necessitarem subir até o Alto da Glória, já aviso: aqui, o buraco é mais embaixo...
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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