
FALA, COXAnauta!
A torcida do Coritiba está dando mostras de que é uma das mais apaixonadas do Brasil. O que foi aquela festa da última quarta? Mesmo na 15a colocação e com um time tecnicamente inferior, a torcida não parou de cantar um só minuto e empurrou o time para cima, fazendo com que cada um dos jogadores desse um pouco mais de si. Vimos a raça superando a técnica e equilibrando a partida. Imaginem se estivéssemos brigando pela liderança?
É isso que queremos ver nas arquibancadas; originalidade, festa, cantos que exaltam nosso clube, e não os xingamentos ou vaias aos nossos jogadores. O que faz da torcida o maior patrimônio de um clube é o fato de que ela faz a diferença nos jogos e incentiva jogadores a buscarem a vitória. É ela mesma que alimenta a paixão pelo clube e, por isso mesmo, é capaz de expandir-se e ganhar novos torcedores.
É de arrepiar ver todo o estádio cantando “Vamos, vamos, meu verdão”, com os braços subindo e descendo coreografados. Está ritmado e todos conseguem acompanhar juntos, sem ficar aquele eco de setores diferentes que tira o impacto do canto. Olhei para a torcida do timinho e vi eles quietos, olhando nossa festa. Há um tempo atrás, quando fui em outro jogo esse canto só era entoado pela Império. Hoje, até as sociais cantam junto.
Estamos consolidando uma marca que acho genial para nossa torcida. O “Inferno verde” (e acho que tem quer ser no português, mesmo, porque somos brasileiros, e que não me venham com “verdi”, porque nosso sotaque tem que ser de paranaense) é um espetáculo à parte que também arrepia e contagia outros torcedores e tenho certeza que aos jogadores também. Sensacional a ideia de colocar a introdução do Back in Black, do AC/DC, na entrada dos jogadores. A única sugestão é que viesse um pouco antes da entrada para não ser abafado pela festa da torcida.
Nas arquibancadas, além das já tradicionais bandeiras com homenagens justíssimas a Alex, Zé Roberto, Krugger (e não Lela, como alguns pensam) e ao time campeão de 1985 – temos que homenagear os ídolos para que sirvam de exemplo para os jogadores e para que se mantenha viva na lembrança nossa história gloriosa –, e faixas das organizadas, também pudemos ver faixas interessantes que dizem muito. Abaixo um breve comentário:
Filhos da Mídia: Fantástica a idéia. Não tenho o que falar, porque a faixa resume o sentimento de revolta da nação alvi-verde (e tenho certeza que dos torcedores dos outros times paranaenses, com exceção do ridículo e vergonhoso Curitia Paranaense) com a forma como a mídia lida com o futebol do nosso estado. Ou seja, com uma exposição muito maior dos times paulistas e cariocas, que sufoca os times locais e dificulta a criação de novas gerações de torcedores locais. Isso faz as pessoas pensarem.
Bandeira do Paraná: Há tempos atrás mandei para o Coxanautas um desenho da bandeira do estado com o símbolo do Coritiba no meio. Fiquei sem palavras, quando vi a bandeira confeccionada estendida na Mauá. Acho que ela demonstra o orgulho de ser paranaense e, de certa forma, convoca a nossa gente, de modo geral, a torcer para o glorioso e não para times de fora. Acredito que iniciativas como essa são importantíssimas para mudar a realidade das torcidas de futebol no Paraná. Qualquer paranaense que não torce para o Coxa, mas vê aquela bandeira, tenho certeza que vai repensar sobre a imposição cultural sobre nosso estado e quem sabe, virá a ser também um coritibano.
Bandeira do Brasil: Essa também é uma iniciativa importante, na minha opinião, porque projeto nosso time para o cenário nacional. Precisamos dizer aos paranaenses que o estado tem um time de envergadura nacional. Somos um time que representa o estado no cenário nacional, mas que também somos brasileiros e, por isso, representamos o país também no cenário internacional.
Minha única sugestão, é que essas bandeiras sejam confeccionadas em tamanhos maiores, como bandeirões, para serem abertas na Mauá, uma em cada lado.
Guilherme Carvalho é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)