
FALA, COXAnauta!
Os telespectadores brasileiros puderam testemunhar na noite desta segunda feira, 05/12/2011, a premiação dos “melhores” do campeonato Brasileiro 2011.
O evento transmitido pelo Canal SporTV, braço da Rede Globo, foi risível. Teve de tudo. Tudo de ruim, que em poucas linhas tentarei descrever àqueles que não tiveram o desprazer de acompanhar a farra.
O evento se inicia com a chegada ao palco do Sr. Ricardo Teixeira: mancando, aparentando cansaço, embaraço. Sua figura arcada e debilitada lembrava a de um mafioso, que com uma voz rouca e incompreensível, fez as honras da casa.
Assumiram na seqüência o palco os apresentadores globais Luciano Huck, Glenda Koslovski e Thiago Leifert. Tentaram, como no Oscar, dar um ar jovial e alegre ao evento, porém, a desorganização e a falta de apoio de bastidores os deixou na mão.
Troféus sumiam sem explicação, deixando os premiados esperando embasbacados no palco. Sons de trovão surgiam do nada, enquanto os locutores falavam. Alguns premiados discursavam após o recebimento do prêmio, outros não, dependia da cara do cidadão. Autoridades desnecessariamente convidadas que não sabiam o que deveriam falar, nem ao menos se deveriam subir ao palco ou não. Como Aldo Rebelo, coitado, ministro do esporte, que ficou vagando de um lado para o outro, até que Hulk lhe ordenou a ler o que estava escrito no Teleprompter.
O escolhido como melhor de determinada posição vinha de uma lista de 3 indicados. Os dois “perdedores” eram anunciados como segundo e terceiro lugar. Até a metade da festa apenas o primeiro colocado estava indo ao palco receber o prêmio. Quando constrangida, Glenda anuncia: “Pessoal os segundos e terceiros colocados podem também vir ao palco, tem troféu pra vocês também”. (risos, só dela). “Os que já foram chamados não fiquem tristes, os troféus depois vão ser dados a vocês”. Dedé que também ganhou como craque da galera - ele já havia ganhado como melhor zagueiro pela direita - foi chamado novamente ao palco mas não apareceu. Após minutos de suspense, Leifert, sorrindo amarelo disse: “Cadê o Dedé? Ele não vem? Já foi? Ah, ele não vem porque já está no Bem Amigos com o Galvão...”
Parecia uma festa feita as pressas, sem ensaio, sem preparo. Um cenário luxuoso para protagonistas e coadjuvantes despreparados.
O momento mais emocionante e talvez o único bom momento da festa, foi a homenagem merecida e bela, prestada ao falecido craque Sócrates. Seria o que eu diria se a sensibilidade dos organizadores tivesse dedicado ao “Magrão” um único minuto que fosse.
Quanto aos premiados, os absurdos em minha opinião se repetiram, salvo raras exceções. Tite, que tirou leite de pedra no comando do Corinthians, ficou em terceiro lugar como técnico, atrás de Jorginho e Cristóvão Borges/Ricardo Gomes. Estes últimos ganharam o prêmio, que me perdoem os politicamente corretos, simplesmente por pena do ocorrido com o ex-zagueiro da seleção. Antonio Carlos, ex-zagueiro do Atlético da Série B, concorrendo com Dedé. Ronaldinho Gaúcho melhor meia esquerda. (E o Montijo? E o Rafinha?) Entre os volantes, tanto pela esquerda quanto pela direita o prêmio ficou no Pacaembu, com Ralf e Paulinho. (E o Guinazu? E o Arouca? E Léo Gago, e Donizete?).
Tudo bem, o leitor pode pensar que melhor jogador é questão de opinião, e que estou puxando o assado para a brasa do Verdão, mas e o que dizer de Réver como melhor zagueiro? Sim, senhores. Rever, do Atlético Mineiro quase rebaixado levou a melhor, concorrendo com Leandro Castan e com o nosso Emerson que claramente era o melhor dos três. E Emerson, para maior espanto da torcida Coxa, teve que amargar um injusto terceiro lugar.
Para fechar com chave de ouro, Ronaldo, o fenômeno da dupla personalidade, que em 2008 xingou Ricardo Teixeira, e agora lhe usa para seu lucro lhe servindo de vidraça, deu o ar da graça. Entrou no palco 30 segundos após ser anunciado – tempo que para TV representa a gestação de um paquiderme – pronunciou palavras como “cara”, “putz”; frases como “ler o quê?”, “onde?” e depois chamou seu novo melhor amigo.
Teixeira, que deveria chamar os campeões brasileiros de 2011 para o encerramento da Noite de Gala do futebol tupiniquim, numa tentativa ridícula de parecer inocente, um cidadão simples que apenas quer trabalhar abnegadamente sem pensar em si mesmo, e que faz festas por obrigação, deixou o microfone longe da boca, e balbuciou algo incompreensível obrigando Luciano Huck a tomar o microfone de suas mãos e dizer: “perdoe-me presidente, mas o senhor como apresentador é um ótimo dirigente”. Como um ator bem treinado, Ricardo Teixeira sorriu.
E assim terminou a temporada 2011 do futebol brasileiro. Que venha 2012, e que ele seja repleto de títulos ao Glorioso do Alto da Glória e seus atletas. Aos jornalistas e demais profissionais que escolhem os melhores, desejo um 2012 diferente, repleto de atenção, imparcialidade e critério. Aos próximos organizadores do Evento Craques do Brasileirão fica o exemplo de como não deve ser feita uma festa de premiação.
Fernando Schumak Melo é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para escrever na seção Fala, COXAnauta!, envie seu texto com título, seu nome completo e CPF para falacoxanauta@coxanautas.com.br.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)