
FALA, COXAnauta!
Hoje é dia de atletiba.
O jogo será no Joaquim Américo ou na Kyocera Arena?
Bem, essa é conversa para outro domingo.
Neste frio domingo curitibano, a “história” é minha e do tio Zico, na final do campeonato paranaense de 2004, no meio estádio.
Na madrugada de sábado para domingo eu tinha somente um pensamento: ir ao jogo do meu time do coração. Final de campeonato. Partida derradeira.
Curitiba inquieta, ofegante e apreensiva.
Impaciente e curiosa para saber quais as cores que sairiam da Água Verde e que invadiriam as suas cinzas ruas no crepúsculo daquele domingo de céu azul.
Sem ingresso, e mesmo sabendo que a torcida coxa-branca tinha, há muito, e, em pouquíssimo tempo, esgotado o passaporte que daria acesso ao salão de festas, me preparei, de corpo e alma, e fui até à Água Verde.
Encontrei os representantes da apaixonada nação coxa-branca à porta do palco, que, em breve, abriria as cortinas para o espetáculo começar.
E eu, sem convite. Barrado no baile.
Estava disposto a pagar qualquer valor para poder participar da “guerra”.
Proposta indecente, pois quem abriria mão daquele privilégio? Ninguém.
Já desolado, lancei meus olhos aos muros que me separavam da multidão que estava do outro lado, à espera dos leões. Num momento de tristeza e nostalgia, lembrei-me de quando, na minha infância, jogava futebol na praça do *****, ou melhor, na praça Afonso Botelho. A vida era feita de amigos e futebol. Era o que me bastava naquela época.
Recordei-me ainda, de que algumas muitas vezes entrávamos naquelas ruínas, sem obstáculos, sem muros, sem cerimônia, sem pedir licença e principalmente “sem medo de ser feliz”.
Prestes a derramar a primeira lágrima, deixei o desespero tomar conta de mim e voltei para o carro. Tirei a minha camisa do Coritiba e vesti uma camisa branca (da paz?). Pensei comigo: tenho que me aventurar!
Fui até a bilheteria do “time da casa” e comprei um ingresso “pó de arroz”.
Ticket na mão e rapidez nas pernas. Os minutos pareciam horas. O mar vermelho e preto que me rodeava, acabou por me encharcar de sensações estranhas como angústia, ansiedade, nojo, desconforto e medo.
Após passar pelas catracas, ouvi alguém chamar o meu nome e gritar: O que faz um coxa-branca por aqui??? Dei um sorriso (bem) amarelo e sumi em direção contrária do indigesto “conhecido”.
Me dirigi ao local mais próximo da divisória entre as torcidas.
Na parte interna, havia um grande portão de ferro, que estava trancado, como se separasse o céu do inferno.
Quando estava me convencendo de que teria que me contentar em assistir o jogo em território inimigo, eis que visualizei um senhor bem idoso, elegantemente trajado com uma calça social bege e uma blusa “verde” musgo, conversando com os seguranças da “dita” porta de ferro.
Os seguranças concordaram em abrir o portão para esse senhor, que, por coincidência, era o (*) “Tio Zico”, cuja sobrinha trabalhava no mesmo escritório que eu.
Em segundos, eu e mais duas pessoas, que até hoje não sei de onde surgiram, passamos para o lado bom da história.
Na euforia de ter conseguido conquistar um lugar ao sol, o “Tio Zico”, nosso “abre-alas”, ficou para trás. Ao longe, olhei para ele, fiz um sinal de positivo, e gritei:
- HOJE NÓS VAMOS SER CAMPEÕES!!
E ele, do alto de sua sabedoria, após concordar com um gesto com a cabeça, abriu um belo e longo sorriso. Um sorriso digno de coxa-branca.
Ah, e o final da história???
Vocês já sabem, Tuta neles:
“SSSSHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!”
*Importante esclarecer que o “Tio Zico” foi goleiro do Coritiba, com atuação destacada que lhe valeu a ida ao Corinthians. Tive o prazer de conhecê-lo e levá-lo a um dos eventos realizado pelo “Cori ação”. Oportunidade em que deu autógrafos.
Para quem saber mais sobre o ele, favor consultar o site dos Helênicos.
Roney Guerreiro Magaldi é Coxa-Branca de coração.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)