
FALA, COXAnauta!
Venho observando que a seção “Fala COXAnauta” é muito ocupada quando estamos em crise, mas quase ninguém se apresenta quando as coisas estão boas. Para fazer a minha parte em momento de otimismo, ainda que um pouco contido, comento a visível e clara mudança do time do Coritiba a partir da contratação do Ney Franco e do retorno do Vialle.
Nos últimos anos o Coritiba tem passado pelas mãos de sedizentes técnicos, que na verdade são meros treinadores ou motivadores. Técnico é o profissional que sabe distribuir os atletas com as respectivas funções em campo e, conforme o modo de atuar do adversário promove alterações táticas que modificam o modo de jogar. Às vezes tais alterações decorrem somente da exigência por força de uma má jornada de algum atleta, mas isso é outra história. E treinador é o profissional que comanda um “racha” ou um “apronto”, supervisiona treinos de cobranças de faltas e escanteios e (ou) faz discursos emocionantes, com frases de efeito que têm eficácia por alguns jogos até que todos se cansem de ouvir a mesma coisa.
Meramente treinador foi, por exemplo, Antônio Lopes, que segundo o presidente da época era “muito trabalhador”, como se esse conceito fosse sinônimo de competência. Passava o dia acompanhando os atletas e no dia do jogo ficava à beira do campo a gritar “vai, marca, fica, aperta, etc.”. Aliás, a partir do Lopes o bom time que fora constituídos em 2003 se acabou, nos levando ao fatídico rebaixamento.
Somente motivador foi René Simões, útil e ideal para a segunda divisão onde o futebol exige muito mais dedicação e raça do que técnica. E muito antes, paradoxalmente tentava ser motivador o Cuca, o que deveria ser difícil com a cara de deprimido que mantém.
Com estas figuras, brilhava somente a individualidade dos atletas, uma vez que, principalmente nos últimos tempos com René e Wortmann, o que se via era alguns jogadores tentando resolver sozinhos e outros tratando de passar a bola para o primeiro companheiro livre, como se isso fosse uma jogada.
Finalmente, com Ney Franco se vê uma equipe bem distribuída em campo, com jogadas bem trabalhadas e substituições acertadas (às vezes não depende da vontade do técnico que uma substituição dê certo, pois o atleta escolhido pode não corresponder). Ontem, contra o Goiás, apesar de não ter havido vitória me entusiasmei com o time e passei a acreditar que se nenhum acidente de percurso mais grave acontecer, vamos embalar, pois técnico finalmente temos para comandar um grupo onde se nem todos são craques de exceção, no mínimo muitos são bons jogadores.
E a tudo se credite também ao trabalho silencioso, mas firme e eficiente do Vialle no comando disciplinar da equipe.
E a motivação, para muitos tão importante? Para bons jogadores não há maior motivação do que comando coerente, respeito e pagamentos em dia.
Benedito Felipe Rauen Filho é Coxa-Branca de coração e Cônsul do Coritiba em Porto Alegre.
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