
FALA, COXAnauta!
No dia de Natal, quando esperávamos somente desfrutar da companhia dos familiares e festejar, fomos surpreendidos com a notícia de morte do Oldemar Kramer, uma lenda do rádio desportivo paranaense e do Brasil.
Não me lembro quando comecei a acompanhar as informações do Oldemar, cuja voz era reconhecida nas primeiras sílabas que pronunciava, mas o grande registro da minha memória há décadas é sua atuação na B-2, outro marco da história do rádio paranaense que infelizmente também se foi.
Não faz muito tempo que quem não podia ir aos estádios ou morava longe de Curitiba – como aconteceu comigo a partir de certa fase da vida - só tinha como opção acompanhar os jogos pelo rádio e através dele saber não só do jogo narrado como todos os resultados do futebol brasileiro, o que era mais atualizado e seguro através dos plantões do Oldemar Kramer. Aliás, até quem ia ao estádio levava o rádio portátil para saber dos demais resultados, sempre preferentemente através do atento plantão do Oldemar que não se desativava enquanto houvesse um jogo sendo disputado no Brasil.
E o advento das transmissões televisivas pagas não abalou a grande audiência do Oldemar, uma vez que poucos têm o privilégio de poder pagar pelo “pay-per-view”. Os que não podiam ter o privilégio, os que estavam em locais que a televisão não alcançava, os que estavam em viagem, enfim, muitos continuaram a confiar nas suas informações.
O jornalismo desportivo paranaense sofreu uma perda irreparável e histórica. Irreparável porque dificilmente se encontrará, dentre os tantos locutores atuais, alguns “apaulistados” e outros que falam chiado, sem raízes curitibanas e paranaenses, algum que tenha a mesma capacidade e carisma do Oldemar. E histórica porque a vida do rádio jornalismo desportivo do Paraná se confunde com a vida dele, cuja trajetória se desenvolveu por décadas e foi vivida por muitas gerações.
Uma pena que no fim da vida o Oldemar tenha sofrido o golpe do desaparecimento da B-2 e de ver o surgimento de jornalistas e radialistas que não cultuam as raízes paranaenses, com sotaques alienígenas e deslumbramento com o futebol dos outros estados, notadamente o paulista.
Mas por outro lado ele teve a felicidade de fazer parte da história do rádio-jornalismo paranaense e de ser reconhecido pela presteza e confiabilidade das informações e o seu nome ficará indelével nas nossas lembranças e na história do rádio paranaense. E espero que agora, sem o compromisso da imparcialidade que mantinha rigidamente no rádio, possa torcer escancaradamente pelo seu clube do coração, o nosso Coritiba.
Fica com Deus, Oldemar Kramer.
Felipe Rauen é Coxa-Branca de coração.
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)