
FALA, COXAnauta!
Recentemente, assisti ao documentário “Uma Verdade Inconveniente”, sobre o aquecimento global, de autoria de Al Gore e procurei refletir sobre tudo aquilo que estamos vivendo. Por analogia, quais verdades foram “mascaradas” a respeito do Coritiba e que são mentiras “práticas” para os outros? Lembrei do que o Gibran nos apresentou a respeito de verdades e mentiras (vide música de Sá e Guarabira) e constata-se que alguns fatos são deturpados, conforme a índole e os interesses das pessoas. Cada indivíduo interpreta a realidade de uma maneira, não significando que as versões individuais possam ser inverdades. São pontos de vista diferentes sobre um objeto. O problema começa quando alguém sugere um triângulo onde, na realidade, existia um círculo ou vice-versa. É possível contaminar um fato, criar distorções e transformá-lo em versão oficial. Isso acontece em alguns órgãos públicos, polícias, empresas, igrejas e também na mídia. Quem tiver curiosidade de saber como se distorce a realidade, adentre em certos cultos religiosos... A lavagem cerebral é uma arma que, se bem usada, cria um exército de zumbis. A história é repleta de exemplos de pessoas que, com poder de liderança e argumentação lógica, trazem para junto de si todo um povo, mesmo partindo de uma idéia falsa ou boato que, repetido muitas vezes, torna-se uma verdade. A mídia interfere imensamente na opinião de um povo e num país como o Brasil, onde o nível cultural de parte da população é sofrível, isto é determinante. Portanto, quem tem poder para influenciar, consegue levar o “gado” na direção que quiser. Felizmente, existem pessoas sérias que ajudam a elucidar fatos através dos tempos, além do bom senso da maioria. A informação confiável é fundamental para que alguns deixem de ser apenas “filhos da mídia”, levados ao vento e sem poder de questionamento, o que é lamentável. Abaixo, estão elencadas 06 situações que foram citadas por pessoas, com intuito de criar confusão ou denegrir a imagem do Coxa através dos tempos.
1- O Coritiba ganhou títulos estaduais graças aos árbitros, durante a década de 70, de acordo com o Advogado Augusto Mafuz. Que coisa Horrível! Pergunto, então: Porque o CAP quase nunca conseguia chegar a frente do Coxa nos Brasileiros da década de 70, mesmo com os árbitros sendo de fora do estado? Será que os times montados pelo Coritiba não eram, na verdade, muito superiores? Os mais esclarecidos, independente das cores, lembram da competência do saudoso “Chinês” na aquisição de bons jogadores, refletindo tanto nos torneios nacionais quanto nos estaduais. Não serei hipócrita em afirmar que não tínhamos muita força política, na época. Todavia, nos dias de hoje, o CAP tem esta mesma força política, junto às esferas estaduais e federais que comandam o futebol, não significando que conquistem mais títulos. Nos últimos oito anos, ganhamos 04 estaduais e eles, 02. Como exemplo, vimos o estadual de 2004 onde batemos o rival, mesmo com o Arbitro (Mafra) prejudicando, nitidamente. Para quem gosta de recordar, lembramos: a conquista do Torneio do Povo, em 1973, foi com um árbitro tendencioso (pilantra mesmo) e com dois jogadores a menos. Então, como dizia o grande Carneiro Neto: “O Coritiba tinha time”! Quando precisou, venceu até o árbitro. Para quem não tinha, restou reclamar da arbitragem.
2- O CAP entregou o AtleTIBA da série B, em 1995, para o Coxa subir em troca do título da segundona. No ano de 1995, o Coxa enfrentou o CAP em várias oportunidades, aplicando três goleadas, sendo as duas primeiras pelo paranaense: 5 x 1, 3 x 1 e 3 x 0. Na última, para quem não lembra como foi o quadrangular final do brasileiro da segunda divisão, em 1995, rememoramos: o quadrangular teve turno e returno. No primeiro Atletiba, no estádio Pinheirão, o Coxa conquistou um empate em 1 x 1 (nem em casa o CAP ganhou). No returno, o CAP conquistou a vaga para a série A em um confronto contra o Mogi Mirim, uma rodada antes do Atletiba do returno. Enquanto os jogadores do Atlético fizeram uma baita festa, na Segunda-feira, o Coritiba se concentrava para o penúltimo jogo, na Quarta-feira, no Couto Pereira. No fim, mais uma goleada no ano, desta vez por 3 a 0 e a volta para a Serie A. Na última rodada, o Coxa só não foi campeão, diante do Mogi Mirim, pois anularam um gol legítimo do meia Marquinhos Ferreira, com a alegação de toque de mão do Alex. Aliás, o juiz daquele jogo... Portanto, o Atlético não amaciou nada naquele Atletiba; apenas, perdeu a concentração na véspera e levou mais uma lambada. Portanto, o Ministério da Saúde adverte: comemorar antes do Atletiba faz mal a saúde, pois o Coxa não brinca.
3- O Coritiba não aceitava negros no time? O Atlético é o time do Povo? Esta afirmação é uma das maiores inverdades do futebol paranaense e permanece real, entre alguns ignorantes, até hoje. Na verdade, era exatamente o contrário. O termo Coxa-branca foi gerado graças a um apelido colocado pelo dirigente do CAP, Jofre Cabral e Silva, a um jogador de origem alemã do Coritiba e isto foi associado com a exclusão de negros no clube. O Coritiba não era um clube exclusivamente alemão. Porém, foi discriminado na época da Segunda Guerra Mundial, mesmo tendo jogadores negros bem antes daquele conflito, com registros em fotos. Para quem ainda tem dúvidas, lembramos que o segundo presidente do Coxa era Nordestino e vários dos membros da diretoria não eram descendentes de Alemães. O CAP, intitulado por muitos, o “time do povo”, só aceitou negros no time na década de 60. O mascote do CAP, para quem não sabe, é um cartola, uma referência aos aristocráticos. Hoje, vimos à torcida atleticana se revoltar com a atitude do zagueiro Danilo, do Palmeiras. Ontem, um dirigente deles fez o mesmo com relação aos “coxas brancas”, xingando atletas e rotulando-os de “Quinta Coluna”, uma menção aos Nazistas. Só esqueceram que a suástica possuía cores vermelho, preto e branco...
A torcida do Atlético detém o maior público do Couto Pereira? O maior público do Major Antônio Couto Pereira foi registrado no jogo entre Atlético Paranaense e Flamengo, em um Domingo de 1983, a primeira e inédita semifinal do CAP. Em várias oportunidades, tivemos jogos de times da capital que alugavam o estádio. Assistir um jogo decisivo do Brasileiro, no Alto da Glória, era uma oportunidade única (raramente estes decidiam alguma coisa), para uma grande torcida da capital paranaense que não possuía um estádio em condições e com porte satisfatório. Em situação semelhante, até o Maracanã, a quase mil quilômetros de distância, se tornou próximo para a torcida do Coxa em 1985, para mais de 7.000 torcedores. Imagine se a final fosse aqui? Na ocasião do jogo de 1983, o time do Flamengo era a maior febre do País. Tinha conquistado o segundo título brasileiro, a Libertadores e o Mundial Interclubes. Houve uma verdadeira invasão do Couto Pereira, onde todos queriam ver Zico e companhia. As bilheterias revelaram mais de 66.000 torcedores. Destes, estimou-se que a torcida do Flamengo ocupou em torno de 15.000 lugares. Os outros 51.000 eram atleticanos? Existem relatos de muitos torcedores presentes que não eram Atleticanos, inclusive do Coritiba; em jogos no Couto, sempre encontraremos Coxas. Por todas as circunstâncias envolvidas, fica impossível estimar, com precisão, qual a proporção de torcedores. Em algumas oportunidades, vimos jogos de times da capital que alugavam o nosso estádio. Em uma delas, no confronto entre Paraná e Corinthians, pela Copa do Brasil, no final da década de 90, compareci com outros quase 50.000 torcedores. Neste jogo, foi nítida a comemoração da torcida Coxa, nas cadeiras e em outros locais, ao sair um gol do Coxa, em Londrina. A verdade é que grandes adversários costumam corregar grandes platéias. A teoria dos grandes públicos do CAP no Couto cai por terra quando verificamos que contra times de menor expressão, raramente, colocaram mais que 18.000, no seu próprio estádio. Não vamos falar sobre confrontos contra grandes times, para não deixar a lista muito longa. Só sobre alguns jogos em que a torcida Coxa era a única, sem “intrusos” esquecendo de Corinhians, Flamengo, São Paulo ou qualquer outro grande time:
Coritiba x Guarani – Série B (em torno de 26.000 torcedores, em 1991);
Coritiba x Sel. Jamaica - amistoso (quase 28.000 torcedores, em 1998);
Coritiba x Juventude - Série A (em torno de 30.000 pessoas, em 1999);
Coritiba x Figueirense - Série A (em torno de 30.000 pessoas, em 2002);
Coritiba x Criciúma - Série A (mais de 30.000 torcedores, em 2003);
Coritiba x Criciúma - Série B (mais de 30.000 torcedores, em 2007);
Coritiba x Guarani - Série B (mais de 30.000 torcedores, em 2002);
Coritiba x Portuguesa - Série B (mais de 30.000 torcedores, em 2007);
Coritiba x Vitória - Série B (em torno de 30.000 pessoas, em 2007);
Coritiba x Marília - Série B (mais de 40.000 torcedores, em 2007);
Coritiba x Portuguesa - Série A (mais de 40.000 torcedores, em 1998);
Coritiba x Pinheiros - Paranaense (mais de 40.000 torcedores, em 1986);
Coritiba x Paranavaí - Paranaense (mais de 51.000 torcedores, em 2003).
4- O Atlético detém a maior torcida entre os clubes paranaenses? Quando levamos em conta somente uma pesquisa, de um jornal cujo proprietário tem ligações com o maior interessado, sem avaliarmos outros parâmetros, é possível que o CAP tenha a maior torcida. Porém, podemos usar outros critérios: as melhores médias de público são do Coxa, na grande maioria das vezes, mesmo com a criação da Arena; tivemos médias superiores mesmo estando na série B; o concurso da Timemania mostra equilíbrio, mas, sabemos que o CAP “turbina” apostas entre seus torcedores; visualmente, fazendo uma observação atenta de nosso entorno, não ocorre aquela diferença percentual que foi sugerida em nossa região, algo como 3 poodles para cada 2 Coxas. Finalmente, agora, temos um levantamento do Instituto Datafolha, um dos mais confiáveis do país, onde verificamos um pouco mais de lucidez: maioria Coxa, com certo equilíbrio.
5- O CAP possui o melhor centro de treinamento? Em termos ornamentais, não há dúvida nenhuma. Como em qualquer parque, é possível até levar seu poodle para passear lá, de tão bonito. Agora, se o assunto é preparação de jogadores, os interessados devem procurar o C.T. do Atuba, local onde se formam os atletas do Coritiba Foot Ball Club, com futebol até no sobrenome. Vamos citar alguns deles: Marcel, Adriano, Rafinha, Henrique, Miranda, Keirisson, Renatinho, Pedro Ken, Marlos, Juninho, Marcos Paulo, Lucas Mendes, Rodrigo Mancha. Estes nomes foram citados sem nenhuma pesquisa, apenas pela memória. Estou tentando lembrar de nomes do C.T. do Caju: Dagoberto, eh... não era do PSTC? Tem um tal de Raul, lateral... desculpem, este também foi formado no Atuba...
O objetivo deste é apenas informar, baseado em argumentos sólidos, os fatos e realidades, sem máscaras. Não existe intenção de encobrir os talentos e conquistas dos adversários, em suas muitas décadas de existência. Só pedimos coerência nas informações. História é uma coisa e estória, outra.
Mauricio Dobjanski é Coxa-Branca de coração.
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