
HISTÓRIA
O site Coxanautas sempre se caracterizou por levar aos torcedores do Verdão algumas curiosidades e fatos sobre o glorioso passado do maior clube do Estado. Hoje, a história será contada através do depoimento do fiel Alviverde Ricardo Guerra. Atualmente, ele detém uma grande coleção de camisas utilizadas pelo Coritiba ao longo das disputas de campeonatos passados.
Através deste relato, voltamos ao ano de 1988, em uma inesquecível partida em que o Verdão derrotou o Flamengo de Zico, no Couto Pereira. Com os detalhes e a emoção das palavras de Ricardo, acompanhe a história da camisa verde e branca da Arcal, a situação vivida pelo torcedor Coxa-Branca para adquiri-la e o momento em que decidiu colaborar com a manutenção do patrimônio do maior e mais vitorioso clube do Estado:
"Era uma noite fria de novembro. O ano era 1988, eu tinha 10 anos e lembro muito bem das emoções que vivi naquele dia: da espera para o jogo, do estádio praticamente lotado, do show da Torcida, de ter ficado sentado na escada das cadeiras sociais (pois não havia mais lugar para sentar nas mesmas), dentre outras.
Após uma grande atuação do Rafael Camarotta, havíamos vencido o Flamengo de Zico nos pênaltis. Além da satisfação pela vitória eu mal poderia esperar a situação que estava por vir.
Lembro de estar na porta verde de acesso ao departamento de futebol do Coritiba na Rua Mauá e de ver os torcedores indo embora felizes. Já era tarde quando o supervisor de futebol da época, Maurício Cardoso apareceu e me presenteou com a camisa que havia sido usada por meu jogador preferido na época, o japonês Kazu.
Naquela noite vitoriosa e inesquecível, não consegui dormir. Ficava apenas admirando aquela camisa, com o numero 11 costurado nas costas - muito maior que meu tamanho na época - e que passou a ser meu orgulho e maior patrimônio.
Depois daquele dia, passei a ganhar de meu amigo e “tio” Maurício as camisas dos anos de 1988 e 1989. Comprei as dos anos seguintes e fui completando o meu armário com as camisas do Coritiba.
No começo da década de 90, conheci o museu do Verdão e fiquei impressionado com a falta de camisas antigas. Lá existiam flâmulas, troféus, fotografias e outros itens, porém, não constava no acervo os uniformes antigos do Glorioso. Fiquei indignado e pensei: Onde estavam as luvas e a camisa do Rafael Camarota? Onde estava a camisa utilizada pelo Índio na cobrança da falta do Maracanã? Comentei com o pessoal do museu sobre aquelas ausências e saí de lá com o sentimento de iniciar uma grande coleção de camisas no intuito de ajudar o clube a preservar um lado importantíssimo de sua memória.
Assim como eu, algumas pessoas passaram a fazer o mesmo, como é o caso de Fernando Cabral, que possui uma coleção maior que a minha e que começou de uma forma muito semelhante, ganhando de seu avô Joel Rondinelli Mendes uma camisa que o ex-jogador Luis Fernando Abichabik utilizou em sua partida de estréia pelo clube, em 1987. Após isso, Fernando que é um dos integrantes dos Helênicos, foi juntando uniformes e, pouco tempo depois de entrar para o grupo, doou toda a sua coleção para o museu do Clube. Atualmente, essas camisas estão com o grupo Helênicos, e, certamente, no futuro memorial, estarão em exposição para toda a torcida Coxa-Branca.
Amizades com ex-jogadores foram feitas e o passado de glórias e vitórias do Verdão passou a ser resgatado não apenas através dos troféus e faixas de campeão, mas também com a exposição das camisas utilizadas em épocas passadas."
Começamos essa seção exatamente com a camisa da Arcal, utilizada pelo Kazu há quase 20 anos na noite fria de 09 de novembro de 1988, quando o Coritiba venceu o Flamengo no Couto Pereira nos pênaltis.
A Arcal substituiu a Adidas, que passou quase toda a década de 80 sendo a fornecedora oficial do Clube. Atuou no Verdão apenas no ano de 1988 e produziu três modelos de camisa, além das duas tradicionais.
Todas elas - e muitas outras - serão mostradas aqui no site Coxanautas ao longo dos próximos meses.
Ricardo Guerra é empresário atuando nos ramo do agronegócio e das comunicações no interior do Paraná. Torcedor do Coritiba desde criança, atualmente possui uma das maiores coleções de camisas do Glorioso.
Fernando Cabral é empresário em Curitiba e Coxa-Branca de coração. Iniciou, em 1987, uma das maiores coleções de camisas do Clube, e atualmente participa do Grupo Helênicos que é um dos grandes responsáveis pela nova estrutura histórica do Clube.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)