
POLÊMICA
Enquanto alguns clubes preferem investir na elitização do esporte e do acesso ao estádio, acreditando estarem seguindo uma tendência européia, na própria Europa esse modelo é bastante criticado e vem sendo objeto de constantes debates.
O blog da UTB - União dos Torcedores Brasileiros - publicou o resumo de um Congresso realizado em Leipzig, Alemanha, onde a DFB (Deutscher Füssball-Bund), a Associação de Futebol Alemão, promoveu a integração entre mais de 400 representantes de várias torcidas organizadas, associações nacionais de torcedores, projetos social-pedagógicos, ouvidores de clubes, da Bundesliga e da própria DFB.
O congresso teve cinco oficinas que enfocaram os seguintes temas: Cultura de Torcedores, Áreas de Conflito, Atendimento aos Torcedores, Luta contra Discriminação e Jogos da Seleção. A discussão mais importante para a realidade brasileira é a que se refere à cultura de torcedores, pois desmistifica algumas "crenças" que o marketing de alguns clubes, como o A. Paranaense, por exemplo, tentam impor aos amantes do futebol.
Confira um trecho do texto, que demonstra grande semelhança entre os anseios dos torcedores brasileiros e dos alemães:
(Houve debate) sobre a comercialização do futebol, que destrói a cultura dos torcedores, cria clientes (ao invés de torcedores), destrói os espaços dos torcedores e a identidade dos clubes e seus torcedores. As exigências dos participantes eram por ingressos a preços mais acessíveis, proteção da identidade clubística, proteção das gerais e interlocução. O terceiro ponto foi o equipamento dos torcedores, que pediram a liberação da entrada não só de bandeiras, faixas e percussão, mas também de comida, máquinas fotográficas e remédios. A liberdade de opinião deve ser mantida no uso de faixas. O resultado da oficina foi uma carta de intenção para resolver os pontos acima citados, que deve ser assinada por representantes de DFB, Bundesliga e torcedores.
Como se vê, apesar de os dirigentes e autoridades alemãs terem imposto uma série de situações restritivas aos torcedores, lá, como cá, a vontade geral é que as torcidas possam fazer a festa como antigamente, sem restrições abusivas que impeçam as manifestações culturais das torcidas. Essa vem sendo a tendência não apenas na Alemanha, mas em vários outros países da Europa.
O Coritiba é um exemplo de clube adepto a essa tendência, pois no Estádio Couto Pereira ainda existem locais sem cadeiras e espaços para o torcedor manifestar sua paixão, ainda que também ofereça conforto àqueles que optem por ele. Algumas restrições ainda persistem, mas impostas pelo policiamento, e não pelo clube.
Para ler o artigo completo, acesse a página correspondente no blog da UTB.
A União dos Torcedores Brasileiros (UTB) é uma associação supra-regional e supra-clubística de torcedores e torcidas de todas as partes do Brasil.
O blog da UTB é mantido pelo pesquisador alemão residente no Rio de Janeiro Martin Christoph Curi Spörl, mestre em sociologia e consultor para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)