
TRAGÉDIA NA ITÁLIA
Trieste, Itália - Hoje a Itália amanheceu em luto. Todos os jornais impressos e televisivos dedicaram as principais manchetes ao confronto entre torcedores extremistas e a polícia antes, durante e depois do jogo entre Catania e Palermo. O jogo foi realizado na cidade de Catania, valendo pela 22ª rodada da primeira divisão do Campeonato Italiano.
O caos para essa partida já era esperado, pois várias confusões ocorreram entre as duas equipes no primeiro turno do campeonato, quando torcedores dos dois times se enfrentaram, fazendo várias cenas violentas. Preventivamente, uma das medidas de segurança para este jogo foi a antecipação do confronto entre as equipes de domingo, dia 4, para sexta-feira, 02.
Mas as medidas de segurança não conseguiram conter os torcedores mais exaltados. Segundo o principal jornal de esportes da Itália, a “La Gazzetta dello Sport”, setenta e uma pessoas ficaram feridas na confusão criada entre os sicilianos aos arredores do estádio Angelo Massimino, em Catania. As informações anteriores diziam que uma centena de pessoas foi ferida.
O oficial-chefe da polícia de Catania, Filippo Raciti, de 38 anos, pai de duas filhas e amante do futebol, morreu trabalhando, tentando conter os torcedores e estabelecer a ordem pública na cidade, quando uma bomba caseira explodiu em seu rosto. O policial foi levado ao hospital mais próximo ao incidente, mas não resistiu aos ferimentos.
O meia Fábio Simplicio, do Palermo, disse aos jornais que já havia brigas entre os torcedores fora do estádio. Simplicio disse também que a delegação de sua equipe foi recebida com ovos e laranjas e que tiveram que esperar quatro horas após o final da partida para poderem sair com segurança.
Quatorze pessoas foram detidas depois da confusão, sendo nove delas menores de idade. Mas a polícia ainda não identificou o assassino.
Do jogo propriamente, nada se comenta. O Palermo ganhou por 2 a 1, mas o resultado não é relevante, o que importa no momento é arranjar uma maneira de combater a violência em dia de jogos, disseram as autoridades. O primeiro ministro italiano, Romano Prodi, disse que será radical no combate à violência, implantando medidas drásticas aos confrontos de times rivais.
A primeira medida tomada pelas autoridades a fim de rebater essa ocorrência, foi a suspensão de todos os campeonatos de futebol da Itália por tempo indeterminado. Foram suspensos, também, os amistosos da seleção principal e da seleção sub-21 do país, que jogariam quarta-feira contra a Romênia em Siena e terça-feira contra a Bélgica, respectivamente.
Neste final de semana, ocorreriam jogos importantes e decisivos no Campeonato Italiano, entre eles, um outro clássico: Roma e Inter.
Reincidências
Ironicamente, a partida de sexta-feira começou com a homenagem de um minuto de silêncio à Ermanno Licursi, cartola do Sanmartinense, clube da Série C italiana, morto no sábado passado por tentar intervir em uma briga entre seus jogadores e torcedores do rival Cancellese. O time de Ermanno se recusou a jogar, argumentando que as condições do gramado eram inapropriadas para a prática do esporte, então um grande tumulto se formou envolvendo as torcidas, dirigentes e jogadores.
Há doze anos, o futebol italiano também foi paralisado. Em 5 de fevereiro de 1995, todas as divisões do futebol foram paralisadas após a morte de um torcedor. No episódio, um torcedor do Genova, Vicenzo Spagnolo, morreu depois de brigas nas arquibancadas, que interromperam o jogo contra o Milan, ainda no primeiro tempo.
Diego Rodrigo Andrade, correspondente dos Coxanautas na Itália
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)