
AVALIAÇÃO
A demissão de Márcio Araújo (foto) não é a única medida necessária para o Coritiba conseguir atingir seu principal objetivo neste 365 dias de 2006, que é o da subida à Série A ainda este ano.
É notório que o treinador do Coritiba não é o culpado pelo status quo no futebol do Verdão. Mas é co-responsável. Se por um lado ele afirmava publicamente que só havia indicado um, dos dezessete contratados (o goleiro Arthur), por outro lado, extra-oficialmente, comenta-se que foi dele também o veto para a contratação do meia Alexandre (ex-Atlético Mineiro), que teve passagem pelo Cori no início desta década.
Araújo teria sido consultado e conversou com outro treinador, atualmente trabalhando num dos clubes do eixo Rio-São Paulo, que não recomendou a contratação de Alexandre. Márcio Araújo também teria levado em conta que Caio seria contratado pelo Verdão (uma hipótese, não uma realidade) e que ambos jogariam na mesma posição. Daí, a escolha não só do treinador em jogar as fichas em Caio.
O desempenho do Coxa nos segundos tempos de quase todas as partidas nesta temporada (foram 13, doze pelo Paranaense, uma pela Copa do Brasil), mostraram um adverário melhor na segunda etapa, com mudanças táticas promovidas pelo treinador adversário e que não foram revertidas por Araújo.
Exceto contra o Paraná Clube, na partida no Couto Pereira,
quando um temporal impediu as duas equipes de jogar futebol, o Cori caiu de rendimento na etapa complementar. Além do aspecto físico, que pode ser um fator responsável pela queda, a falta de uma revisão tática, um contra-golpe tático por parte de Márcio Araújo ficou a desejar nas etapas finais dos jogos. Prova que o time Coxa-Branca sofreu mais gols nas etapas complementares do que nas etapas iniciais.
Emblemática é a figura do treinador Márcio Araújo na concepção tática para o atacante Keirrison, um jovem valor que rapidamente tornou-se dono do time junto à torcida do Alviverde.
Keirrison é um atacante que fez sucesso no Juvenil e nos Coxa Jrs. jogando de frente para os zagueiros, condição tática favorável à sua mobilidade, técnica, domínio de bola e velocidade. Mas com Márcio Araújo, o jovem de 17 anos e 20 milhões de dólares jogava mais fixo, de costas para os zagueiros. Na prática, seu rendimento era muito prejudicado.
Esta análise do modelo tático de Araújo para com o atleta Keirrison reflete bem que algo precisava ser feito. Mas só a demissão do treinador não bastará para o Verdão voltar já ano que vem à Série A.
O Coritiba precisa contratar pelo menos mais cinco jogadores para serem titulares do time. Atletas que venham para resolver em campo, e não fora deles, com discursos à imprensa.
O Departamento de Futebol Profissional do Coritiba precisa se mexer, parar de dar desculpas sobre os possíveis culpados nos fracassos das suas contratações. Esta responsabilidade é deles, só deles.
A Diretoria Executiva precisa avaliar resultados. Se o futebol não vai bem, de quem é a responsabilidade? Certamente não é de quem está fora do Clube.
E finalmente, o Conselho de Administração precisa avaliar os resultados da Diretoria Executiva, cobrando melhorias no desempenho sempre que for necessário. E num ano como este, mais do que necessárias, as melhorias são imprenscindíveis.
A solução do problema do Coritiba, dentro de campo, vai além de demitir Márcio Araújo.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)