
Cena comum nos últimos meses: o Coritiba joga em casa, pressiona 90 minutos e, num vacilo, leva o gol. Cena rara: o inverso.
Não que o Juventude tenha forçado muito o jogo, mas o alviverde do Rio Grande do Sul passou a maior parte do tempo no campo de ataque, chuveirando bolas na área. O Coritiba, sem velocidade, tentava contra-atacar, mas Tcheco e Jackson certamente estiveram nos seus piores dias.
Além disso, faltou motivação, raça e alegria ao time coxa-branca.
Felizmente, houve exceção. Odvan fez o que dele sempre se espera. O xerifão mandou na área alviverde, ganhando todas as bolas no alto e no chão.
Mas o herói do jogo foi outro. E não usava camisa branca. Fernando, o goleirão do Coxa, não só fez defesas importantíssimas, como também foi o armador da jogada do gol. E, aos 47 do segundo tempo, Fernando fechou com chave de ouro a sua participação ao defender uma cabeçada fortíssima, à queima-roupa, no canto esquerdo.
Graças à Fernando, Odvan e Edu Sales (este, só pelo gol), o Verdão está agora ainda mais perto dos primeiros lugares do Campeonato Brasileiro, com 45 pontos. Os líderes Santos (que perdeu hoje para o Figueirense) e Cruzeiro (que enfrenta a Ponte, em Campinas) têm 48. São Paulo e Inter, terceiro e quarto lugares, estão com 47.
O campeonato vai pegar fogo!
Na próxima rodada, quarta-feira, o Coxa tem um jogo duríssimo contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte. O Santos recebe o Paysandu, o Inter enfrenta o Fluminense e o São Paulo vai ao Rio medir forças com o Vasco da Gama. À primeira vista, parecem "barbadas" esses jogos, mas é bom ficar preparado, pois surpresas estão acontecendo aos montes no campeonato.
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O Coritiba começou o jogo - e terminou - numa lentidão incomum. Ainda assim, conseguiu explorar a fragilidade do adversário e criou algumas chances de gol. Aos 10, Marcel cobrou falta da intermediária e obrigou o goleiro Maurício a praticar difícil defesa.
O Juventude, com maior posse de bola e controle da partida, não mostrou poder de infiltração e se limitou a cruzar bolas na área. Aos 35, num dos poucos lances de emoção da primeira etapa, Geufer recebeu no meio da zaga, em posição duvidosa, esperou a saída do goleiro e chutou. Fernando, no reflexo, fez defesa espetacular.
No intervalo, Paulo Bonamigo tirou o apagado Souza. Em seu lugar, entrou Lima. Curioso foi ouvir o sistema de alto-falante do estádio (a Rádio Coxa) anunciando a entrada de Alexandre Fávaro - o placar eletrônico também embarcou na gafe.
Nos primeiros minutos, parecia que Lima era o motor que o ataque precisava para criar alguma coisa. Com bons dribles, o atacante conquistou escanteios e faltas nas laterais - uma das melhores armas ofensivas de Bonamigo. Numa delas, aos 9, Tcheco cobrou na cabeça de Danilo, que jogou no canto inferior direito. Maurício saltou para defender em cima da linha.
Menos de um minuto depois, a resposta do time de Caxias. Leonardo Manzi ganhou da zaga e ficou à vontade para bater para o gol. Ele pegou mal na bola e mandou para fora.
A partida ia se arrastando em um preguiçoso 0 a 0 quando Fernando, justamente o responsável pelo zero do time visitante, começou a jogada do gol coxa-branca. Após uma das inúmeras defesas que fez na partida, chutou rapidamente a bola para o ataque, no meio do caminho entre a área e o círculo central. Marcel, de cabeça, ganhou do zagueiro e a bola chegou em Edu Sales, que entrava na área em velocidade. O atacante olhou o goleiro e tocou por cobertura.
Das arquibancadas, os torcedores prenderam a respiração - a impressão que se teve foi de que a bola passaria sobre a trave. Mas, assim que o barbante mexeu, o estádio explodiu em alegria: 1x0.
E o time melhorou com o gol. Tcheco conseguiu acertar algumas jogadas e o Verdão assustou mais o adversário. Na melhor chance, em jogada muito parecida com a do gol, Edu Sales recebeu na área, deu um chapéu no zagueiro e tinha tudo para marcar quando o árbitro assinalou "jogo perigoso". Perigo de gol de placa, vai ver.
No último minuto, o Coxa tomou um contra-ataque quase mortal - principalmente para os torcedores com problemas no coração. No primeiro cruzamento, da direita, a bola atravessou toda a área, mas ainda ficou com os gaúchos. Veio, então, o cruzamento da esquerda, os zagueiros falharam e Geufer subiu livre para cabecear... e consagrar o arqueiro alviverde, que realizou um milagre. Merecidamente, deixou o campo ovacionado pelos torcedores.
O Coxa jogou com Fernando; Danilo, Odvan e Reginaldo Nascimento; Jackson, Roberto Brum, Tcheco, Souza (Lima) e Adriano (Lira); Edu Sales e Marcel.
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Apesar da sua torcida, o Coritiba mantém-se na luta pela taça do Campeonato Brasileiro. Sim, "apesar" da torcida, porque deve ser difícil para os jogadores manterem a motivação quando entram em campo e olham as arquibancadas vazias do Couto Pereira.
Hoje, São Pedro nos reservou um bonito sábado de sol (apesar do frio), inviabilizando a desculpa da chuva para o torcedor ficar em casa. Também não era dia dos pais nem final de mês. O jogo foi no Couto, não no Pinheirão ou no J. Américo. O Coritiba estava em quinto lugar no Brasileirão, perto dos líderes, e ainda vinha de uma goleada sobre o Flamengo.
Não dá para entender!
Apenas 5 mil pessoas pagaram ingresso hoje no Couto Pereira. No total, pouco mais de oito mil presenciaram a vitória alviverde.
Cadê você, torcedor?
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)