
IMPRENSA
No dia 11/09/2006, o site COXAnautas publicava a matéria "Conflito no Rio de Janeiro indica necessidade de mudanças", que abordava o conflito envolvendo integrantes de duas organizadas do Botafogo e Vasco, que se uniram para invadir a sede de uma organizada do Fluminense.
Na matéria, os COXAnautas alertavam que o motivo do conflito não era necessariamente o futebol: "Uma das teses é que o conflito no Rio envolve outros interesses que não apenas a diferença entre cores de camisas. E por isso, a união de dois grupos de torcedores de times diferentes. Geograficamente, a proximidade dos dois grupos que se uniram para invadir a sede da outra torcida aponta a possibilidade de que o interesse motivador do conflito vai além de uma briga de torcidas".
Em outro ponto da matéria COXAnautas aborda a necessidade de abordar a violência de uma forma diferente das habituais: "A avaliação séria e profunda dos motivos da confusão, sejam eles motivados ou não por brigas de torcidas, é necessária. A solução do problema inicia com o conhecimento das suas causas. E as experiências internacionais apontam para isto.
O Dr. Clifford Stott, um dos maiores especialistas no mundo sobre violência entre torcedores concedeu uma entrevista exclusiva ao site COXAnautas. No entendimento do especialista, é necessário ter domínio da informação, sabendo a real causa do problema para daí atuar, implantando procedimentos que permitam a redução da violência no futebol. Entre mitos e verdades, a busca pela informação correta é uma ferramenta para resolver o problema. O Dr. Stott também condena o mero moralismo na análise do problema, que pode ser causa ou conseqüência de uma análise superficial. Por isso a importância de identificar as causas do problema e combatê-las, de forma objetiva e aprofundada" destacava a matéria COXAnautas. Para conferir a íntegra da entrevista com o especialista britânico, clique aqui.
Matéria responsável
Folha de S. Paulo aborda com seriedade o problema. Na edição deste domingo, 8, o caderno esportivo da Folha publicou matéria assinada pelo jornalista Sérgio Rangel. A matéria aponta com seriedade e qualidade de informação alguns dos fatores que estão relacionados ao problema da violência envolvendo algumas das torcidas organizadas do Rio de Janeiro.
Confira a matéria na íntegra:
"Rio vê facções criminosas tomarem arquibancada
Torcedores dos mesmos times, adeptos de grupamentos rivais, brigam entre si
Decisão da Copa do Brasil foi exemplo desse tipo de confronto; polícia diz que falta de filiação às torcidas dificulta a identificação
Sérgio Rangel/da Sucursal do Rio
A violência das torcidas organizadas ganhou uma nova face no Rio. A guerra de facções criminosas nas comunidades carentes é apontada pela Polícia Militar como pivô dos recentes e inusitados confrontos nos estádios. Agora, torcedores do mesmo clube brigam entre si.
O exemplo mais explícito foi na final da Copa do Brasil, há cerca de dois meses, quando integrantes da Torcida Jovem do Flamengo entraram em confronto por cerca de cinco minutos durante o segundo tempo.
"É uma realidade no Rio. Moradores de várias áreas carentes dominadas por essas facções se encontram na arquibancada, e a confusão acontece", constata o major Marcelo Pessoa, comandante do Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios).
No caso da final da Copa do Brasil, torcedores de comunidades ligadas ao Comando Vermelho (CV) e à facção Amigos dos Amigos (ADA) se enfrentaram na arquibancada lotada. O CV e a ADA são os maiores grupos criminosos da cidade.
Antes da briga, torcedores trocavam provocações com refrões em homenagens às suas facções e hostilizando a rival.
O comandante do Gepe afirma que o fenômeno não se limita aos torcedores do Flamengo. "Isso acontece em todas as organizadas. A Força Jovem do Vasco, por exemplo, está acabando. Ela foi dividida em cinco por causa desta nova rivalidade", diz Pessoa.
A Força Jovem do Vasco é a organizada mais violenta do clube de São Januário. Os dissidentes dela já criaram, somente neste ano, a Guerreiros do Almirante e a Ira.
"Quando eles se encontram, a violência sempre acontece", comenta o comandante do Gepe, que se recusa a identificar as facções criminosas que se confrontam nas organizadas.
Pessoa já desenvolveu um novo esquema de policiamento para evitar confrontos nos estádios durante os jogos. Um grupo de pelo menos 20 policiais faz a segurança próximo das organizadas conflituosas. No Fla-Flu de quarta-feira, pelo Brasileiro, as brigas foram evitadas no Maracanã.
Nos jogos, o Gepe adota um perfil semelhante ao implantado pela polícia nos morros do Rio. "O nosso trabalho é basicamente como o de policiamento comunitário (adotado em favelas do Rio). Destacamos sempre homens que são torcedores do mesmo clube de onde vão trabalhar. Tentamos amenizar ao máximo esse clima de conflito", declara o major.
Segundo o comandante do Gepe, os torcedores ligados a facções criminosas não vão ao estádio para assistir aos jogos. "Na verdade, eles são marginais. Ficam de costas para o campo, apenas trocando provocações entre si e se aproveitam do anonimato para criar confusão", conclui o comandante, acrescentando que a maioria dos brigões freqüenta a organizada mas não é filiada, o que dificulta o trabalho da polícia"
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)