
97 ANOS
COXA NATO
E não é que o meu guri Marcelo que já nasceu Coxa-Branca cresceu, evoluiu, fez amigos e construiu junto com o Júlio (que conheceu também guri e com ele também cresceu e também fez amigos) essa maravilha que é o Coxanautas? Quantas vezes vi os dois se batendo no começo das coisas, num leva-e-traz de camisetas para vender e arranjar fundos, de faixas para pendurar no Couto Pereira para divulgar a imagem, fosse em jogo grande, com sol, fosse em jogo pequeno, na chuva. E a constante preocupação da melhoria técnica, da qualidade.
Neles tenho o símbolo do torcedor coritibano, que não desiste nunca porque sabe o quanto é gratificante o bom combate: atravessaram momentos de glória (mesmo sem tê-las como eu as tive, geração dos anos setenta de tantas conquistas que sou), voaram sobre os infernos e trouxeram a idéia inicial que se mantém pura desde o início: um local livre para debate sobre os assuntos do Coritiba.
E o grupo evoluiu: tantos vieram que não dá para aqui citar sob pena de cometer inúmeras injustiças. Mas todos com o mesmo ideal, com a mesma ética, o mesmo compromisso a unir os mais jovens e os mais velhos. Num recente jantar vi inúmeros, percebendo os brilhos de seus olhares, o do fogo no olho dos jovens e da luz no dos velhos. Mas sempre brilho, como o da estrela no alto do nosso escudo.
E aqui fica o desafio para os próximos dez anos: fazer com que o brilho aumente. E o brilho aumentará se colocarmos muitas outras estrelas sobre nosso escudo. Vamos atrás delas, atrás dos nossos sonhos. Assim como o Marcelo e o Júlio fizeram há dez anos atrás. Porque um vencedor não desiste nunca.
Manoel José Lacerda Carneiro é Coxa-Branca de coração.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)