
COXANAUTAS
Quanto vale um craque?
O Real Madrid é o maior time do mundo. Mesmo sem levantar uma só sequer taça de campeão no último ano, mesmo sem ser o mais milionário. Mas não há como negar este posto a um time que provavelmente seria a base de uma seleção mundial, caso algum dia fossemos jogar contra, sei lá, o time de Marte.
Do time do ano passado, alinhava nada menos do que três jogadores que já ganharam o título de “Melhor do Mundo”: Zidane, Ronaldo e Figo, além de outros finalistas freqüentes do troféu, como Roberto Carlos, Owen, Beckham e Raul, entre muitos outros. Agora, mesmo com a saída de alguns, chega Robinho, com promessa de muito show e pedalada.
O fato é que o Real Madrid viu que craque custa caro, mas rende muito mais. A vinda de Beckham, por exemplo, mais do que resolver um problema do time, resolveu um problema de marketing: trouxe novos fãs, muitos deles distantes do tradicional torcedor de futebol, abriu a porta para mercados ricos, como Japão, Coréia e Estados Unidos, que de uma hora para outra viram nascer uma legião de torcedores do Real.
O resultado foram novas fontes de renda: estádio sempre lotado, com venda antecipada de ingressos, venda de produtos esportivos no mundo inteiro, além de convites para
excursões e amistosos com, obviamente, um polpudo cachê.
Se estamos a anos-luz da realidade de um time como o Real Madrid, podemos aprender com eles como o craque faz bem ao time. Dentro e fora de campo. Ele atrai público, faz a venda de camisas crescerem, faz nascer novas legiões de torcedores. Quando o Paraná jogou com o Santos em Maringá, por exemplo, a camisa 7 do Santos esgotou nas lojas, com uma venda 200% superior ao normal. E isso é só um exemplo.
Quando lembramos de grandes craques que passaram por aqui, como Tostão, Freitas, Lela ou Alex, por exemplo, que tinham um vasto repertório de jogadas para levantar o público, podemos ver a falta que ele faz. Seja a favor do bom futebol do time, pelo incentivo de fazer a gente subir os degraus da arquibancada e o prazer de desfilar, orgulhoso, com a camisa do seu ídolo pelas ruas.
Não há dúvida: ter craques é sempre um bom negócio.
Gilson Genez é publicitário, jornalista e Coxa-Branca, não necessariamente nesta ordem
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)