
CURIOSIDADE
Futebol Digital
A Internet tornou-se a meca dos esportes e das informações sobre entretenimento. Gols, entrevistas e até replays viraram fontes de receita para os clubes.
A propalada Globalização e o caráter cada vez mais transnacional dos clubes de futebol, está tornando a Internet a grande vedete para o alcance cada vez mais universal das informações e do consumo ao redor do mundo futebolístico.
Dados divulgados pela revista HSM Management, especializada em informação e conhecimento para gestão empresarial, dão conta de que “cerca de metade dos torcedores europeus usa a via digital para ler sobre os feitos – e repercussões – de seus times e ídolos”. O tempo médio de visitação das páginas esportivas figura como um dos mais altos da Internet.
Diante desse quadro, os clubes estão buscando formas de abandonar a configuração atual de site exclusivamente baseado em informações para adotar um modelo que gere receita. Nos Estados Unidos, por exemplo, clubes de beisebol da MLB e a Fox Sports uniram-se para disponibilizar, mediante o pagamento, por parte do internauta, de uma taxa de US$ 9,95, vídeos editados on-line, com lances de interesse do torcedor.
Na Inglaterra, o Liverpool Football Club também vende conteúdos de áudio e vídeo por preços que variam entre 29,99 e 39,99 libras. Gols de Michael Owen e os melhores momentos do clube na antiga Copa dos Campeões da Europa estão na rede, à disposição dos fanáticos torcedores da agremiação em todo o mundo.
Replay nos estádios
Todo torcedor que vai ao estádio, na hora do gol, fica condicionado a esperar a repetição da jogada, que, é claro, não existe. Não existia. O público de basquete do Texas talvez seja o primeiro a comprar replays instantâneos e outros produtos diretamente de suas poltronas nos ginásios. Na verdade, quando comprou o Dallas Maverick, Makk Cuban tinha um olho no time e o outro no ginásio que sedia as partidas da franquia. O executivo deseja instalar monitores conectados à Internet diante de cada assento e distribuir cartões de acesso aos torcedores.
Os servidores de mensagens instantâneas (SMS) deverão abocanhar uma fatia maior do bolo das transmissões ao vivo. Os assinantes do site do Manchester United, por exemplo, já podem acompanhar partidas realizadas no meio da semana à tarde sem abrir mão de seus compromissos cotidianos: a cada gol do time, uma mensagem é enviada para o celular de quem pagou pelo serviço.
O fenômeno digital promete revolucionar os contratos de transmissão, que já estão cada vez mais curtos, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Segundo os especialistas no setor, no futuro mundo da banda larga, os clubes poderão transmitir jogos em seus próprios canais e manter para si o dinheiro ganho com publicidade, em vez de vender os direitos de transmissão para as redes de TV.
A estratégia da FIFA
Em 2000, a FIFA encomendou à AT Kearney uma estratégia para se aproximar do público e ingressar na Internet. No contexto de uma empresa comum, a tarefa seria fácil. O caso da FIFA, porém, tinha muitas particularidades. Com uma estrutura pequena, a entidade dispunha de recursos e capacidade tecnológica interna limitados para gerenciar essa implementação.
Além dos desafios típicos do e-business, a natureza globalizada da FIFA criava um ambiente desafiador, com diversos idiomas e ampla variedade de níveis técnicos e sofisticação operacional entre seus associados. A estratégia adotada buscou, simultaneamente, promover e preservar o futebol.
Em um primeiro momento, a entidade desenvolveu meios tecnológicos para permitir que as federações nacionais se tornassem auto-suficiente na Internet. O objetivo com isso era manter uma estrutura geral e consistente em todo o mundo.
Depois, a marca FIFA começou a ser trabalhada em todo o mundo, promovendo o futebol em cantos mais remotos do planeta. Com isso, torcedores, jogadores, treinadores e mídia teriam acesso a um site informativo e interessante.
Criar uma comunidade de comunidades era o terceiro passo. Embora a Copa do Mundo seja, de longe, seu evento mais conhecido, a FIFA segue desenvolvendo outros segmentos menos divulgados no futebol, como as categorias menores e feminino. Essa etapa visava a construção, no site da entidade, de áreas on-line dedicadas a esses grupos-alvos.
A interatividade foi o quarto passo na reconstrução da página da entidade. Promoção de eventos, venda de ingressos, sistemas de gerenciamento de voluntários, tudo isso pode ser feito, pela rede, a custos reduzidos.
A última etapa da estratégia web da entidade consiste em estabelecer e consolidar a idéia da existência de uma “comunidade FIFA”, projetada para o desenvolvimento e consolidação da marca, em um mercado global. Para isso, e de olho no mercado chinês, informações em mandarim puderam ser lidas no site da entidade sobre a participação chinesa no último mundial. E no Brasil??? No Brasil, para variar, as coisas ainda engatinham...
Ary Rocco é jornalista, vice-diretor da Faculdade de Jornalismo e Rádio & TV da Unisa, Universidade de Santo Amaro (em São Paulo), e colaborador do Programa Jovem Pan No Mundo da Bola, do Flávio Prado.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)