
MEMÓRIA
João Luiz Buffara Lopes, o Jango, um dos fundadores do MUC, da Torcida Jovem e da Mancha Verde, e amigo do site COXAnautas, conta um pouco da brilhante história da Mancha Verde, torcida que reinou nos estádios paranaenses durante a década de 80 e início dos anos 90.
À frente do seu tempo, a Mancha era a torcida que mais inovava, especialmente nos clássicos. E foi num clássico inesquecível, em 1990, Coritiba 3x0 no A. Paranaense, perante mais de cinqüenta e cinco mil torcedores que a Mancha entrou para a história com uma inovação que virou matéria de revista nacional, ao lançar as 'mãozinhas' para a torcida adversária.
A convite dos COXAnautas, Jango volta a escrever para a fiel torcida Coxa-Branca detalhes dos bastidores dos dias que antecederam o lançamento das mãozinhas.
"Véspera de AtleTiba. Antigamente, era normal as torcidas organizadas prepararem alguma surpresa para levar pro jogo. Tudo era guardado a 7 chaves, para evitar vazamentos de informação... Só que daquela vez, em 1990, a extinta Mancha Verde, torcida organizada que ficou marcada pela alta criatividade, estava sem nenhuma idéia para o clássico que se aproximava.
Era um tal de componente dando cada idéia maluca e a resposta era sempre a mesma: alguém comentava mostrando o dedo médio, balançava a cabeça e nada feito.
Numa destas vezes, o saudoso Betão, ao ver aquela cena se repetindo tantas vezes, teve um lampejo: "Vamos fazer umas mãos gigantes com o dedo. E alguém complementou dando a idéia de vários tipos de modelo".
Para ampliar o clima de curiosidade, o próprio Betão se encarregou de guardar a idéia a sete chaves. Todos queriam saber como é que as mãos gigantes, fixadas em cabos de madeira, entrariam no Couto Pereira, num AtleTiba. Betão, enigmático, falava: "Deixa comigo, já tenho tudo planejado". E assim foi, até o dia do jogo.
A expectativa e a curiosidade aumentavam a cada dia, já que o clima do clássico era quente, as torcidas estavam animadas. Passamos três dias e meio, com a sede da Mancha trancada, terminamos a surpresa domingo pela manhã, dia do jogo.
A princípio não sabíamos a receptividade dos demais torcedores, porque era uma alegoria fixa. Mas veio o jogo, as mãozinhas entraram no Couto - sabe-se lá como o Betão conseguiu tal proeza - e as mãozinhas apareceram lá na curva de fundos do Couto Pereira, para o delírio da torcida. A inovação chamou a atenção até da imprensa nacional, pois as mãozinhas acabaram virando sendo matéria de página do meio da Revista Placar. A galera Coxa sempre foi diferencial!" conta o Jango.
Resultado do jogo: Coxa 3x0. Show de bola em campo e da torcida na arquibancada. Este é o Coritiba.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)