
ENTREVISTA
A ginasta Camila Comin, da equipe brasileira, concedeu uma entrevista exclusiva ao site COXAnautas, na qual ela fala entre outros assuntos sobre sua carreira profissional, o futuro do esporte e o Coritiba. Confira:
Carreira
COXAnautas - Qual a melhor idade para começar no esporte?
Camila Comin - A idade ideal para uma ginasta, é de 5 a 7 anos. Eu comecei com 5 anos. Mas nada impede que se comece mais tarde, como a Daiane dos Santos que começou com 11 anos.
COXAnautas - Há um momento certo para parar?
Camila Comin - Não. Quem determina isso é somente a ginasta, ou por alguma lesão séria que a impeça de treinar e permanecer na seleção.
COXAnautas - Ao começar os treinamentos para seguir uma carreira nesse esporte, o atleta nada mais é que uma criança ainda. A decisão por continuar com os treinamentos e seguir carreira, por acaso, não seria mais dos pais do que do próprio atleta?
Camila Comin - Bom, no começo sim, porque a criança até prefere ficar em casa, no computador, se for uma criança calma. Mas se for uma criança ativa, duvido que ela não queira ficar brincando, num ginásio em vez de ficar em casa. Porém, os pais são fundamentais no começo de sua carreira. E depois também, para incentivar cada vez mais.
COXAnautas - Como foi que aconteceu com você?
Camila Comin - Meus pais foram peças fundamentais para meu sucesso. Sem eles, não seria nada. Eles me incentivaram muito e também não deixaram que o esporte ultrapassasse as barreiras da escola. Por isso hoje, tenho 22 anos, sou formada em Educação Física e fui a duas Olimpíadas - ato inédito dentro do esporte como a ginástica.
COXAnautas - E o que a levou a começar a praticar a ginástica?
Camila Comin - Era uma criança ativa. Não parava pra nada. Desde pequena, mesmo sem saber, já subia pelas paredes de casa, sempre aprontando alguma travessura.
COXAnautas - A ginástica olímpica é um esporte cuja popularidade e prestígio vêm crescendo bastante no país em razão do sucesso internacional alcançado por atletas como Luíza Parente há poucos anos e agora com a sua geração que, além de você, nos trouxe Daiane dos Santos, Laís de Souza e os irmãos Hypólito. Até que ponto essa visibilidade pode sustentar o surgimento de uma tradição brasileira na ginástica olímpica?
Camila Comin - Só o tempo pode nos dizer. Em 18 anos de ginástica, isso mudou da água para o vinho, e quem sabe, na próxima geração, 2008 ou 2012, eu acredito que isso possa tornar realidade. Assim, disputando uma medalha olímpica, tirando e quebrando a tradição européia. Isso seria o marco da ginástica. Mas até lá temos que treinar muito ainda para isso.
Futuro do esporte
COXAnautas - Você vê com olhos otimistas o futuro do esporte, sabendo que em breve as atuais estrelas também deverão se retirar das disputas?
Camila Comin - Eu vejo sim. A ginástica não pára. Somente há uma substituição de atletas. Outras Camilas, Daianes e Danieles virão com certeza. Não tenho duvida disso.
COXAnautas - Nesse contexto de modalidade emergente no cenário esportivo nacional, qual foi a importância de ter um campeoníssimo como Oleg Stapenko treinando a ginástica olímpica do Brasil?
Camila Comin - Importantíssimo. Sem ele, não teríamos conseguido nem a metade. Ele tem presença e nome perante uma competição de porte. Fez varias campeãs olímpicas e mundiais. Então ele estando aqui, o nome do Brasil ficou com uma cara estrangeira, “UCRANIANA” (risos). Com ele, veio a esposa Iryna, que é coreógrafa e assistente. Ela veio primeiro que todos. Deu uma base ótima, até que ele viesse.
COXAnautas - Curitiba tem sido um grande centro produtor e revelador de talentos nessa modalidade. A iminente mudança da sede da CBG para outra cidade pode prejudicar essa fecundidade da cidade?
Camila Comin - Acredito que não. O surgimento de talentos vem pelos treinamentos, não pela CBG. Porém, estando aqui em Curitiba, tudo fica mais fácil. Mas nada impede que isso mude um dia.
COXAnautas - A carreira de um ginasta olímpico é bastante curta: a pessoa começa muito cedo e termina muito cedo também. Além das compensações de ordem pessoal pelas vitórias e bons resultados, que trazem prestígio e visibilidade, é possível acumular riqueza nesse esporte?
Camila Comin - Na geração passada isso não era possível. Porém hoje, já temos um bom patrocínio. Mas isso não traz lucros altos. Somente uma ajuda de custo e manutenção, mas já é alguma coisa. Nada comparado ao futebol, isso seria maravilhoso porém não é.
COXAnautas - Em algum lugar do mundo ele é praticado em nível de profissionalismo?
Camila Comin - Sim, nos Estados Unidos, Europa toda, isso já é uma realidade porque a ginástica é muito bem vista e patrocinada por grandes empresas.
Pessoal
COXAnautas - Nós sabemos também que a rotina rigorosa dos treinamentos exige sacrifícios e renúncias de toda ordem. Valeu a pena, Camila?
Camila Comin - VALEU SIM! Acho que hoje, vejo isso como mais uma vitória. Sei que nos dias de hoje não é fácil, mas eu consegui, graças a muita gente que me ajudou a fazer isto: família, amigos, parentes, escola... todos mesmo.
COXAnautas - De tudo que você teve de abrir mão em favor da carreira, o que você mais relutou em deixar de lado?
Camila Comin - Até a menor coisa que você deixa de fazer, faz falta. Um cinema com amigos, namorar, sair de noite, shopping de tarde... Mas aos poucos você vai se acostumando à rotina e não liga mais tanto e acaba fazendo tudo isso nos finais de semana, e nas ferias.
COXAnautas - Quais as suas perspectivas para o PAN 2007?
Camila Comin - As melhores possíveis. Espero que o Brasil ganhe o 1º lugar, porque isso nunca aconteceu. Só ficamos em 3º no PAN do Canadá em 99 e Santo Domingo em 2003. Espero que elas consigam. Estarei torcendo para isso.
Coritiba
COXAnautas - Que tipo de apoio o Coritiba lhe deu em sua carreira?
Camila Comin - No ano de 2000, nas Olimpíadas de Sydney eles me patrocinaram com uma ajuda de custo. Adorei muito fazer parte do clube, tive a oportunidade de ir a jogos, coisa que nunca tinha feito, de ter todo o uniforme. Me ajudaram muito, o presidente Prosdócimo foi a peça chave para que isso se realizasse. Agradeço muito a ele também, sempre serei grata a eles e quem sabe um dia volte a fazer parte desse time que eu tenho muito carinho. Fazer uma escolinha de ginástica, do time seria fantástico e inédito porque não tem nenhum time aqui em Curitiba que tenha isso. Somente Flamengo, Vasco, e nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
COXAnautas - Esse apoio foi importante? Em que grau?
Camila Comin - Foi sim. Foi super importante e essencial para minha preparação para as olimpiadas.
COXAnautas - Por que a parceria (patrocínio) não teve continuidade?
Camila Comin - Acabou o contrato e não foi renovado. Fiquei muito triste pois o meu nome ligado ao do Coxa até hoje é lembrado pelos torcedores, membros do Coxa, e por onde eu vou. Porém não tenho mais vínculo com o clube, é uma pena.
COXAnautas - Você acompanha o Coritiba?
Camila Comin - Sim, sempre que posso. Sei que foi rebaixado, mas todo esporte tem seus altos e baixos, inclusive na ginástica.
COXAnautas - Você já conhecia os COXAnautas?
Camila Comin - Sim, quando eu chegava de alguma competição, sempre iam até o aeroporto me recepcionar. Eu adorava, pois via um amor pelo time e isso estava passando para mim. Recebia até cartas deles, adorei essa parte me sentia muito em casa com isso.
COXAnautas - Como vê a atual situação do clube?
Camila Comin - Como disse, o esporte tem altos e baixos. Cabe ao atleta saber superá-los e enfrentá-los com mais força ainda para dar a volta e provar a todos quem é o melhor. Eu sempre pensei assim, e sempre deu certo.
COXAnautas - Qual a sua relação com o clube nos dias de hoje?
Camila Comin - Não tenho nada. Porém, eu moro na frente do CT do Coxa. Passo todo dia na frente. Tive vontade de ir ver alguns treinos, mais achei que seria barrada e por isso não tentei. E fiquei com medo de atrapalhar o treino, pois sei que e isso é muito sério, e visitas atrapalham sempre.
COXAnautas - Em se tratando de Coritiba, você tem algum desejo não realizado?
Camila Comin - Queria ter novamente uma parceira com o clube. Achei um clube organizado, e sempre disposto a ajudar os outros. Adorei conhecer os dirigentes e o presidente também da época.
COXAnautas - E em sua carreira, algum sonho ainda não realizado?
Camila Comin - Agora tenho vários. Na minha carreira como atleta realizei todos. Mas agora do lado de fora, quero ter um Ginásio de Ginástica Camila Comin, onde crianças possam iniciar a ginástica ou somente praticar, e surgir novos talentos para o Brasil. Ser quem sabe algum, dia dirigente da CBG ou do COB. Acho que seria um orgulho para mim, pois já passei todas as dificuldades como atleta e tentaria resolvê-las para as gerações seguintes.
COXAnautas - Para você, quem é a Camila Comin hoje?
Camila Comin - Pessoas feliz, realizada, batalhadora, persistente, brincalhona, estudiosa, mas à procura de novos desafios e obstáculos. É isso que me move sempre a querer mais e fazer melhor que os outros. Ser diferente.
Bate-bola
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Camila Comin - Tudo que conquistei até hoje
COXAnautas - Seleção Brasileira
Camila Comin - Minha vida, realização
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Camila Comin - Sonho concreto
COXAnautas - Camila
Camila Comin - Lutadora
COXAnautas - Coritiba
Camila Comin - Parceiro
COXAnautas - Curitiba
Camila Comin - Minha casa
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)