
PALAVRA DO OMBUDSMAN
Ouvidor na área, para não deixar passar de ano as correspondências de 2006.
E o texto é longo: prepare-se, ou volte mais tarde...
O site?
Vai muito bem, obrigado.
Linha editorial de oposição a Gionédis não pelo que ele é (situação), mas pelo que ele não fez (preciso dizer?), e sem qualquer tipo de compromisso com qualquer integrante da oposição.
Continuamos querendo GG fora e insistindo que o problema do Coritiba não é trocar os nomes, mas rever conceitos, posturas e atitudes.
Quem vem para modernizar?
Não sabemos, mas não será a permanência de GG o atalho para a resposta. Ao contrário, GG, o Grande Gestor, só atrasa o Coritiba.
Pagou dívidas... sim, sabemos...
Mas criou outras – talvez ainda maiores, pelo que estou sabendo – e que estourarão nas mãos do próximo...
O Grande Gestor ainda há de ser desmascarado e desmistificado.
Pagou dívidas empenhando nosso nome e nossa tradição, rebaixando-nos e nos mantendo na Série B, fato que nada agrega – ao contrário, suprime receitas – e ofendendo o torcedor.
Mas há pacificadores. Sempre há. A soldo, mas há. E sempre disponíveis.
Os COXAnautas não são caudatários de causa alguma – a não ser a grandeza e o crescimento do Coritiba.
Nada nos fará calar.
Gionédis é retrocesso e a realidade não permite a ninguém provar o contrário.
E para que meios-entendedores não concluam apressadamente, nem o pessoal de proa da oposição é melhor.
É que insistem em nos rotular de oposicionistas só porque somos contra GG. Não, não somos oposicionistas: fazemos oposição a GG, mas a todos os outros também.
Mais fácil assim? Ou precisarei desenhar?
Passado o “momento colunista”, o Ouvidor debruça-se sobre sua correspondência, quase amarelecida pelo tempo...
Mas sempre é tempo, com o perdão da redundância.
Telêmaco Carneiro, amigo de longa data, mostra preocupação quanto a possível acerto entre situação e oposição do Coritiba para pacificar as coisas dentro do Clube.
A “notícia” foi divulgada por um site especializado em chupar notícias dos outros sem dar crédito e chutar teorias infundadas travestindo-as com as roupas do possível.
Prezado amigo, a realidade respondeu a você, não?
No Coritiba, situação e oposição são irmãs siamesas, ambas empenhadas em acabar com o Clube mas adotando caminhos diferentes.
GG está na dianteira porque tem a caneta e pode nos arruinar mais rapidamente. Mas não duvide do poder de recuperação da oposição: ela tem um botão de turbo no painel que, acionado, pode nos arremessar mais rapidamente no precipício.
Não espere soluções nem de um grupo, nem de outro.
Deveremos nos dar por felizes quando, ao nos livrarmos de toda essa turma, ainda existirmos como um clube de futebol, se Deus nos ajudar.
Roberto Santos, atualmente radicado em São Paulo, escreveu há um mês para relatar que na Terra da Garoa o Coritiba vem sendo motivo de chacotas.
E que se sente entristecido por isso porque conheceu e aprendeu a amar um Coritiba gigante, vencedor.
Propõe medidas radicais de protesto para que o sofrimento chegue logo ao ápice e possamos reviver os tempos de glória mais rapidamente.
Roberto, eu também vivi essa fase. E, creia, entendo perfeitamente o que você relata e sinto o mesmo que você sente.
Por muitas vezes, vendo a maionese desandar num jogo, desejei que o time perdesse de 10 de uma vez para ver se algo mudava.
A última vez que me aconteceu isso perdemos de 6 a 1 para o Paraná na estréia de Abel e, no mesmo ano, fomos campeões com ele e em cima deles.
Mas não farei isso agora.
Não torcerei para que o Coritiba caia para a Série C. E quer saber por quê?
Porque é capaz de reelegerem GG para mais dois anos com o discurso de que ele vai nos devolver à Série B (“de onde nunca deveríamos ter saído”) e porque é preciso pacificar o Clube.
Se cairmos para a Série C, Roberto, de lá não sairemos. E pereceremos.
O leitor que se assina José Ernesto escreve para manifestar estranheza com o belo mundo de Alice estampado no site oficial, onde nunca há crises nem disputas, muito menos perdas...
Respondi diretamente a ele, mas vale o repeteco aqui a todos.
Não esperem ver num site oficial de qualquer empresa ou instituição notícias negativas ou mesmo críticas ao que ela possa estar fazendo.
Site oficial é veículo de propaganda e, como tal, deverá ser visto e explorado.
Quer ter contato com o mundo real?
Procure informação em sites de jornais ou informativos isentos, que não sejam atrelados nem tenham compromisso com A ou com B.
Em se tratando de Coritiba, procurem as informações nos COXAnautas.
É o que todo mundo faz. Inclusive sites de jornais e os informativos – mesmo aqueles não isentos.
O leitor Josemar Carstens nos escreveu para dizer que notou uma “aliviada” por parte do site com respeito às críticas a GG.
A mensagem dele veio em 28 de novembro, pedindo posições mais agressivas e críticas aos COXAnautas.
Respondi a ele o que segue:
Na condição de Ouvidor, quero dizer que respeito sua opinião, mas tenho outra impressão. Acho que não estamos aliviando as críticas.
Assumimos posição contrária à permanência de GG, assim como praticamente toda a torcida do Coritiba, e temos sido coerentes nessa posição.
Assumimos que não apoiaremos uma simples troca de nomes, pois só isso não vai ser suficiente para resolver os problemas do Coritiba, e temos sido coerentes.
Assumimos que queremos a verdade - não só no caso da assinatura de Evangelino mas de todos os casos - e que queremos atitudes do Conselho, e temos sido coerentes.
Assumimos que paralelamente à discussão em torno do comando e da gestão do Coritiba, é essencial montar já um time para o ano que vem, e temos sido coerentes.
Assim, Josemar, achamos que esta é a nossa forma de contribuir para um Coritiba melhor e mais forte amanhã.
O que é preciso criticar, está sendo criticado. E o dia em que surgir algo para elogiar, será elogiado.
Em linha semelhante caminhou o leitor O.D. Rocha, que deu a receita para o Coritiba: “O Coxa precisa de um homem de liderança, coragem, caráter e ser um Coxa nato, de consenso – dos pares de diretoria, dos conselheiros e de nós, torcedores, que somos o maior patrimônio da instituição – para que possa agir livremente para o bem da instituição levando-a ao Alto de Tantas Glórias”.
Respondi a ele assim:
“Esse perfil que você expôs para presidir o Coritiba simplesmente não existe. É o eterno salvador da pátria que o Coritiba e 98% dos clubes brasileiros em situação semelhante procuram, procuram, procuram e não encontram.
A solução para o Coritiba não é um nome, seja um nome conhecido ou um nome novo: a solução para o Coritiba é uma nova postura, um novo modelo de gestão mais moderno, com profissionalização das funções e com outro tipo de atitude.
O Coritiba precisa se reiventar para tornar a crescer e nos dar alegrias.
Esse modelo atual é arcaico, centralizador, individualista e, por tudo isso, fadado ao fracasso via amadorismo. É algo como uma empresa de família onde o que vale é só o sobrenome, não o estudo, o preparo e a experiência.
Ou o Coritiba se moderniza, ou desaparece.
Vemos assim, e essa é a luta dos COXAnautas. A hora é agora, o momento de uma das piores crises da nossa história. Se não mudarmos agora, os aristocratas do Clube farão como o Príncipe de Salinas do livro O Leopardo, de Giuseppe Tomaso di Lampedusa: mudarão alguma coisa para que tudo continue como está”.
Canso-os com as correspondências dos COXAnautas?
Sinto, mas é meu dever relatá-las. Nelas, sempre há algo que podemos aproveitar, lembrar, aprender...
No final de novembro, tão logo o Coritiba fechou sua participação na Série B de 2006, os COXAnautas debruçaram-se sobre o elenco da temporada e todos os jogadores foram avaliados.
Individualmente, receberam notas dos administradores, comentaristas e redatores.
Ao final, as médias indicaram quem poderia ficar e quem deveria sair.
Cristian acabou entre os que deveriam sair, desagradando ao leitor Roberto. O goleiro Kleber também, desagradando a outro contingente.
Coisas da bola, amigos...
Cristian tinha fama de maestro, jeito de maestro, habilidade de maestro mas vontade de carregador de flauta.
Kleber era bom goleiro, tinha um discurso que agradava à torcida, mas a distância entre o que falava e o que fazia era, digamos, um pouco grande.
Claro que cada um vai ter sua própria opinião e, sobre ela, criar sua convicção.
Mas os COXAnautas fizeram uma análise isenta, desinteressada e imparcial.
Essa é a graça do mundo do futebol: jamais haverá consenso em torno de nada e de nenhum nome.
Marcos Moraes, preocupado com o futuro do Coritiba, escreve questionando a capacidade de a oposição assumir e tocar o Clube, propondo um pacto de conciliação em torno da administração de Giovani Gionédis.
A respeito, respondi o seguinte:
“Não cremos que a solução para o Coritiba passe por qualquer forma de conciliação. Não há como ou o quê conciliar com GG.
A solução para o Coritiba é modernizar-se, arejar-se, profissionalizar-se. GG não está a fim disso, nem os nomes manjadíssimos da oposição.
Portanto, conciliar o atraso com o retrógrado não nos dará futuro algum. Talvez uma sobrevida, mas daqui a pouco os problemas voltam, os resultados somem, e nova crise se instala.
Só uma reformulação profunda nos conceitos, métodos e processos de gestão do Clube poderá solucionar nossos problemas.
Quem fará isso? Não sabemos. Mas sabemos de algumas pessoas que jamais fariam. GG está entre elas, ou à frente delas, se preferir.
Se existe uma unanimidade entre nós, que fazemos o site COXAnautas, é a urgência que o Coritiba tem de se livrar de GG. Sem ele, o futuro do Coritiba até pode ser incerto. Com ele, simplesmente não há futuro.
Já estou terminando, juro!
Antonio Woislaw, assíduo leitor dos COXAnautas, trouxe-nos um assunto que todo torcedor Coxa-Branca conhece: a má vontade da imprensa quando noticia alguma coisa a respeito do Glorioso.
O tratamento que é dedicado ao Clube revela, antes de uma parcialidade descarada, um desdém incontido para com o Alviverde.
Comungo da impressão dele: também acho que há dois pesos e duas medidas quanto ao tratamento dado ao Coritiba e a uma certa agremiação em fatos idênticos.
Por mais que faça e alcance, nada do Coritiba tem para a imprensa o mesmo valor que parece ter quando os outros fazem e alcançam.
Os empates deles são sempre “heróicos”, enquanto os nossos são fruto de inoperância do ataque ou falha da defesa. As derrotas deles são sempre “injustas” e decorrem de “erros grosseiros da arbitragem”, enquanto as nossas são provocadas simplesmente por incompetência – do elenco, do treinador, de todo mundo.
O meio-estádio deles é a oitava maravilha do mundo, mesmo que nem todos possam ver o que se passa no gramado, enquanto o nosso é um horror. O gramado deles (não sei se já pagaram pelo serviço...) é “o fino” enquanto o nosso sempre está “passando por reparos”.
Eles estão sempre a ponto de chegar ao ápice do mundo, nós sempre à beira do abismo.
É, Antonio, você tem razão... Tudo isso nos lembra os falecidos Paulo Gracindo e Brandão Filho no quadro do Primo Rico e do Primo Pobre, do antigo humorístico de TV “Balança, mas não cai”, não?
Mas algo diferente na argumentação de Antonio Woislaw chamou-me a atenção...
Ele observou que nós mesmos, os COXAnautas, estaríamos indo pelo mesmo caminho!
O exemplo dele: “Coritiba perde o meia William”, título da notícia que informava que um certo William, revelado nas categorias de base do Paraná e pretendido por Coritiba e por Figueirense, optara pelo time catarinense.
O argumento dele: ninguém perde o que não tem.
Minha resposta a ele: havia uma disputa entre os dois clubes pelos préstimos do mencionado jogador (que, soube depois, nem parecia ser lá essas coisas) e ele escolheu o outro.
Então, o Coritiba perdeu. Simples, não?
Até aí, sim. Mas que nós, dos COXAnautas, também parecemos estar sofrendo do “complexo de vira-latas” tão bem descrito por Nélson Rodrigues em seus escritos, isso é verdade.
Talvez estejamos sensibilizados, ainda, pela “síndrome dos pangarés” que foi inoculada no Alto da Glória pelo seu principal mandatário...
Mas é fato que precisamos ser nós, os COXAnautas, os primeiros a valorizar tudo o que a instituição Coritiba tem de bom, de positivo e de glorioso.
Antonio, garanto-lhe que vamos fazer isso e vamos fazer com todo o empenho.
Tão logo aqueles que estejam dentro das quatro linhas nos representando valham um décimo do que sentem, querem e aspiram os milhares que, sentados ao seu lado e ao meu lado no Couto Pereira, estão do lado de fora do gramado.
É besteira soprar balão furado. Ele jamais vai inflar.
Amigos, zerei a caixa de entrada.
Aproveito para desejar a todos um Ano Novo repleto de sucessos, alegrias, realizações e felicidades.
Que possamos ter em 2007 muito mais motivos para elogiar que para criticar.
Que o Coritiba nos dê esses motivos.
Continuaremos vigilantes, atentos, desatrelados e independentes.
Haja o que houver, o Coritiba será a nossa causa sempre.
Quero estar aqui, neste mesmo dia daqui a um ano, dizendo a vocês que o Clube vai bem e está se preparando adequadamente para ser bi-campeão Paranaense, bi-campeão da Copa do Brasil, para disputar o título da Libertadores e para colocar uma segunda estrela dourada na camisa acima do nosso glorioso globo simbólico.
Se querer é poder, nós poderemos e o Coritiba poderá.
Nós, torcedores, podemos tudo. Basta que não sejamos atrapalhados.
Feliz 2007, Nação Alviverde !!!
Malhadas Jr
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)