
IMPRENSA
A Revista Placar, número 1.179, de 15 de maio de 2001, trazia uma matéria sobre o amor da torcida Coxa-Branca pelo seu time de coração. Assinada pelo jornalista, publicitário e escritor Moraes Eggers (foto), o artigo contava sobre seu grande carinho pelo Coritiba Foot Ball Club.
Moraes faz parte da Torcida Coxa Sampa, um grupo de torcedores que acompanha os jogos do Coxa e divulga a cultura Alviverde nas terras paulistas.
Confira a coluna de Moraes Eggers para a Placar:
SE O COXA PERDEU, FOI ROUBO (SEMPRE)
As histórias podem até ser diferentes, mas a paixão do torcedor é a mesma: eu estou certo, o mundo está errado.
O Dia da Criança para mim deixou de ter significado quando foi substituído por outro motivo de comemoração muito maior. Mais precisamente quando eu tinha 3 anos e ganhei o meu primeiro uniforme do Coritiba. Completo. Com chuteiras e tudo. Aquele 12 de outubro foi inesquecível também por ter descoberto que (coincidências não existem) naquele mesmo dia, em 1909, havia sido fundado o glorioso time coxa-branca do Alto da Glória.
Na verdade, era apenas uma profecia anunciada que se cumpria. Nasci a não mais que duas quadras de distância do então estádio Belfort Duarte, na rua Ubaldino do Amaral, próximo o suficiente para ser embalado, ainda no berço, pela imensa vibração da torcida alviverde. Impossibilitado de ir ao estádio, meu pai fazia da sacada da maternidade uma extensão da arquibancada e ponto estratégico para acompanhar o desenrolar daquele Coritiba x Ferroviário em 1961. Se os gritos eram mais intensos e seguidos de foguetório, ele sabia que o gol era nosso.
As histórias podem até ser diferentes, mas é mais ou menos assim que nasce a paixão do torcedor pelo seu time. No Paraná, como em muitos estados, se nasce e se morre torcendo pelo time do coração. E não basta vencer. Há prazer maior que ver o time rival perder? É assim que a coisa funciona no Brasil, onde é impossível encarar os colegas e resistir às gozações na segunda-feira após um desempenho ruim do seu time no domingo. Não escapo mesmo morando em São Paulo.
Em Curitiba, existe um outro time, considerado arqui-rival do grande Coritiba, primeiro e mais tradicional clube do Paraná. Só porque recentemente essa equipe tem ganho um pouco mais de espaço na mídia, não quer dizer que possa ser considerada maior, sequer igual ao meu Coxa. Sim, porque o Coritiba é, sem dúvida, o time paranaense de maior torcida no estado e no Brasil. Time da massa, único que não teve nenhuma fusão, e que construiu o estádio hoje chamado Major Antônio Couto Pereira com o dinheiro de seus torcedores, um mérito, sem dúvida. Principalmente diante das verbas mal explicadas pelos dirigentes que ergueram a tal Arena da Baixada, que, na minha época de infância, por estar localizada ao redor de um riacho, era chamada de Sapolândia. Hoje em dia, a “Arena” é conhecida como “Área de Recreação da Nação Alviverde”. Este ano, vencemos os jogos contra o rival no primeiro e segundo turnos do Campeonato Paranaense e vamos disputar mais. Já estivemos na final da Sul-Minas e, com isso, garantimos nossa participação na Copa dos Campeões. Para não falar na Copa do Brasil, na qual também estamos classificados para as oitavas-de-final, sonhando com uma vaga na Libertadores com grandes atuações em campo.
Triste é perceber que os anos passam e que alguns times e cartolas ainda se valem de recursos extracampo para ser os grandes. Ou acham que o futebol no país só existe no combalido eixo Rio-São Paulo. O Coritiba, mesmo sendo um time grande no futebol brasileiro, ainda não é devidamente reconhecido como tal por não participar de “esquemas”. Pior ainda é ser vítima constante de armações e arbitragens parciais, mesmo jogando em casa. Ou seja, quando o Coritiba não ganha, logicamente é porque foi roubado. É tiro e queda! Mas antes levar alguns tiros que cair (que me desculpem os torcedores do Guarani).
Enquanto eu viver, minha filosofia será: que vença sempre o melhor, desde que seja o Coxa, claro! Ao partir, só peço uma coisa: que minhas cinzas sejam espalhadas no glorioso gramado do Alto da Glória em um longínquo (espero!) 12 de outubro.
(Revista Placar 1.179 - 15.maio.2001)
Moraes Eggers é jornalista profissional, publicitário e escritor. Nascido em berço Coxa-Branca e formado em 1982 em Curitiba, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, trabalhou na rádio Antena Um, no Jornal do Estado e em programas de televisão na TV Iguaçu, canal 4, TV Paraná, canal 6, e TV Paranaense, canal 12. Em São Paulo desde 1986, foi repórter da Folha de S.Paulo, repórter especial de O Globo, Coordenador da Agência Folha, Secretário de Redação da Folha da Tarde, Editor das revistas Ação, 4 Rodas e Playboy, da Editora Abril, entre outras, e também Editor do jornal Agora São Paulo, onde atualmente escreve uma coluna no caderno Vencer, de esportes, todos os sábados. Autor do livro "Grãos de Areia - Oito Anos de Aventura no Rali Paris-Dakar", da Editora Record.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)