
VIOLÊNCIA NO RIO
Os graves incidentes ocorridos antes da partida Botafogo x Fluminense, pela primeira fase da Copa Sul-Americana, tanto no Méier (bairro da zona norte do Rio de Janeiro), como na entrada do Maracanã, trazem à tona um assunto que apesar de ser muito debatido, não tem uma análise profunda, e sim, quase sempre, meramente superficial, especulativa, tendenciosa, moralista e sensacionalista. A busca pelos fatos fica em segundo plano.
Antes do clássico carioca, um grupo de torcedores da Força Jovem (Vasco) e da Fúria Jovem (Botafogo) entraram em conflito com integrantes da Young Flu (Fluminense). Resultado da guerrilha: um morto, dois feridos a bala e dois carros queimados.
Nas imediações do Maracanã, novo palco de brigas entre grupos de torcedores dos dois times. Desta vez, motivados pela proibição da polícia carioca da entrada de material das organizadas Young Flu e Fúria Jovem.
Nestas duas ocorrências, casos diferentes. Do ocorrido no Maracanã, para o ocorrido no Méier, uma diferença conceitual. O colunista José Geraldo Couto, da Folha de S.Paulo, deixou no ar uma dúvida se a briga seria motivada apenas por paixões clubísticas. No entender dele, iria além.
Outra tese
Uma das teses é que o conflito no Rio envolve outros interesses que não apenas a diferença entre cores de camisas. E por isso, a união de dois grupos de torcedores de times diferentes. Geograficamente, a proximidade dos dois grupos que se uniram para invadir a sede da outra torcida aponta a possibilidade de que o interesse motivador do conflito vai além de uma briga de torcidas.
Um novo modelo de segurança
A avaliação séria e profunda dos motivos da confusão, sejam eles motivados ou não por brigas de torcidas, é necessária. A solução do problema inicia com o conhecimento das suas causas. E as experiências internacionais apontam para isto.
O Dr. Clifford Stott, um dos maiores especialistas no mundo sobre violência entre torcedores concedeu uma entrevista exclusiva ao site COXAnautas. No entendimento do especialista, é necessário ter domínio da informação, sabendo a real causa do problema para daí atuar, implantando procedimentos que permitam a redução da violência no futebol. Entre mitos e verdades, a busca pela informação correta é uma ferramenta para resolver o problema. O Dr. Stott também condena o mero moralismo na análise do problema, que pode ser causa ou conseqüência de uma análise superficial. Por isso a importância de identificar as causas do problema e combatê-las, de forma objetiva e aprofundada.
Ouvidoria da CBF e o Dossiê COXAnautas sobre a violência
As entrevistas do Dr. Stott e do torcedor argentino Juan Gesuiti viraram um Dossiê COXAnautas sobre os Hooligans e as Barras Bravas, que foi publicado em quatro edições, durante o mês de agosto. O material foi recebido pelo Ouvidor do Campeonato Brasileiro, Sr. Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense.
O Ouvidor comunicou por e-mail aos administradores do site que encaminhará o
dossiê à Comissão Paz no Esporte, criada pelos Ministérios do Esporte e da Justiça. Noutra mensagem eletrônica, o Ouvidor parabenizou a postura dos COXAnautas, pela busca de soluções factíveis para o problema da violência.
Opinião COXAnautas
Todo e qualquer tipo de violência entre torcedores é condenável e injustificável, devendo ser severa e exemplarmente punido. Independente da cor da camisa que veste, o torcedor violento precisa ser responsabilizado.
Entretanto, jogar toda a 'culpa' nas costas das organizadas não irá resolver o problema. Isto apenas desfoca o real motivo da situação (pelo menos de algumas das vezes) e a sua origem. Sem o estabelecimento de uma metodologia de trabalho que envolva informações com qualidade, operações bem programadas e um processo de punição aos faltosos, as 'brigas de torcidas' continuarão servindo apenas como produto comercial para a mídia.
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)