
COUTO PEREIRA
Justificado orgulho
Vinícius Coelho,
www.parana-online.com.br
Passei ontem pelo estádio Couto Pereira. Queria dar uma olhada nos trabalhos de substituição do gramado. Na administração, poucos funcionários, com a maioria
gozando as férias coletivas de final de ano. Numa sala o presidente Giovani Gionédis com o Oscar Yamato e o telefone ao lado. Posso garantir que pelo tom da conversa coisa boa deveria estar acontecendo. Em outra sala o Valter Alves
de Sousa fazendo cálculos e projetando com o Nilson e o Ricardo os pagamentos e recebimentos do clube.
Olhando para onde era o gramado, com as obras em andamento, a impressão que se tem é que jamais voltará a ter grama por ali. Os camarotes impecáveis, sendo visitados por torcedores do clube que não escondem a surpresa. Os bares, os sanitários de primeiro mundo, a extensão da ala administrativa, com nova sala para o presidente, conselheiros e grupo de licenciamentos.
E sinto que quem visita o estádio sai dali mais orgulhoso do que nunca com o que vê, e mais, orgulhoso por ser coritibano. Agradecido ao pai, ao avô, ao tio ou mesmo a um amigo que teve influência na sua integração ao clube.
Toda a obra do Monumental, construída única e exclusivamente com dinheiro que o clube levantou, que sua gente contribuiu, para que um investimento do tamanho
do estádio, fosse tornado uma realidade. Com esforço, com dedicação, que servem para demonstrar a força da gente coritibana.
O estádio precisava dessa maquiagem que está recebendo. Mas só haveria isso se houvesse um líder. E ele apareceu em forma de Giovani Gionédis, que está recolocando o clube no seu verdadeiro lugar e na estante do orgulho coritibano.
Não existe orgulho apenas de uma obra. O que ninguém pode tirar dos coritibanos, é o orgulho de como se fez essa obra.
Em abril, o gramado estará pronto. O mastro estará na frente do estádio, aparecendo não apenas para projetar o pavilhão alviverde, mas simbolizando acima de tudo o quanto vale trabalhar com dedicação, honestidade e objetivo em
torno da comunidade. Os coritibanos têm plena razão de seu orgulho.
De Schinzel (1932) à realidade (2004)
Vinícius Coelho
www.parana-online.com.br
Aproveitando a reforma que tornará o gramado do Couto Pereira o melhor do Brasil, o presidente Giovani Gionédis atendeu uma reivindicação da torcida, que pedia a derrubada do mastro que ficava atrás do gol de entrada, por atrapalhar a visão dos torcedores. Ontem ele caiu, depois de 72 anos de impávida presença. Caiu, mas vai se reerguer, em posição que vai valorizá-lo ainda mais, marco que é da inauguração do antigo Belford Duarte.
No dia 15 de novembro de 1932, ele já estava atrás do gol, mostrando as bandeiras do Brasil, do Paraná e do Coritiba, hasteadas durante a festa ali realizada, que culminou com a vitória coritibana sobre o América por 4 x 2.
Contam os mais antigos, que foi uma festa grandiosa, que mexeu com toda a população curitibana. Junto ao mastro, Couto Pereira, Vianna Seiler, o presidente Pedro Nolasco Pizzatto, Raul Lara, Constante Fruet, cel. Meister, Plácido Mattana, Lauro Sheleder, os irmãos Essenfelder, os irmãos Hauer, os irmãos Iwersen, os irmãos Obladen, os irmãos Dietrich, os irmãos Roskamp e tantos outros mais.
Mas o centro das atenções era um coritibano dos mais importantes na implantação das pilastras do que ele é hoje: Eduardo Schinzel. Conselheiro do clube, dono de uma siderúrgica, que dividia seu amor pela família e pelo clube. Buscava oportunidades em que pudesse ajudar, ser útil e era ali o mais felicitado, porque o mastro fora uma doação sua, naquele dia jamais imaginando que até hoje ele seria um ponto de atração do estádio.
Giovani sabe de sua importância. Ele representa a vida coritibana. Foi figura das mais importantes nos grandes espetáculos em que era praxe hastear os pavilhões do clube, do estado e do país. Hoje os espetáculos não mais exigem a pompa cívica. Mas o mastro lá ficou, sempre mostrando ao torcedor a bandeira sagrada de seu clube.
Agora deixa o local, para receber uma revitalização e ser erguido novamente, mas em frente à entrada principal do estádio. Continuará a atender o que diz um dos hinos do clube: "suas cores verde e branca, no mastro da vitória hão de sempre tremular..."
Em abril, quando o novo gramado será inaugurado, antes, abrindo as solenidades do momento, o mastro, símbolo de um clube, da dedicação dos homens que fizeram a sua grandeza, será reverenciado também como símbolo do amor e da paixão de um torcedor, na lembrança da memória de Eduardo Schinzel.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)