
ÍDOLOS
Por Paulo Gabriel Cordeiro, da Comunidade Oficial do Coritiba no Orkut
O início da carreira
Leocádio começou sua carreira na cidade catarinense de Mafra, cidade esta que faz divisa com o estado do Paraná. Começou ainda jovem na modesta equipe do Peri Ferroviário. Aos 17 anos, transferiu-se para o Operário de Ponta Grossa, onde, ainda jovem, já se destacava, marcando muitos gols no campeonato paranaense, o que acabou chamando a atenção da equipe do Londrina. No Tubarão, Leocádio acabou sendo prejudicado pelos dirigentes, que não autorizavam sua saída para equipes de maior porte, como o Palmeiras.
Após 5 anos, o então presidente do Londrina negociou seu passe com a equipe do Metropolitano, da cidade de Criciúma. Foi quando o maior clube do estado do Paraná interessou-se por seu futebol.
Confira as declarações de Leocádio sobre sua vitoriosa passagem pelo Coritiba.
A contratação pelo Coritiba
Eu estava jogando no Metropolitano, de Criciúma, quando o atual presidente do clube falou que ia me levar para o Vasco, do Rio de Janeiro. Quando já estávamos dentro do avião, no aeroporto de Curitiba, o Evangelino entrou no avião e me tirou, falou que era para eu ficar em Curitiba por um ou dois dias, para fazer testes no Coxa, que o clube pagaria todas as minhas despesas. Eu fiquei, porque o Coritiba me namorava fazia tempos, e, como o Kruger havia se machucado feio, eles foram atrás de mim.
No dia seguinte, assinei contrato com o Coritiba. Quando cheguei para treinar, eles estavam fazendo uma peneirada com jogadores de São Paulo. Hidalgo, Negreiros, todo mundo vinha fazer teste. Havia entre 40 e 50 jogadores de São Paulo. Os bons ficavam e nós fazíamos coletivo todo dia.
Elenco do Coxa na década de 70
Era um timaço. Naquela época, a gente jogava com amor a camisa. Éramos uma família, todo mundo ganhava a mesma coisa, e o Tim era um gênio, não tinha essas frescuras como as hoje em dia, que só pode substituir no segundo tempo. Se precisasse tirar um jogador com 15 minutos de jogo, ele tirava.
Lembro quando fomos campeões paranaenses em Bandeirantes. Comemoramos na quinta-feira, treinamos na sexta e fomos jogar contra o Londrina no Couto. Após 15 minutos de jogo, nós estávamos levando uma pressão tremenda, e o Tim fez duas substituições logo no começo. Resultado: ganhamos o jogo.
Sobre Zé Roberto
Certa vez, Zé Roberto, após um jogo, foi entrevistado pela imprensa e falou: -Porque me entrevistar, se o craque do time é o Leocádio?
Naquela época, o Zé Roberto ficava atrás apenas do Pelé, mas a mídia era toda de São Paulo e Rio de Janeiro. Ele era craque, não precisa nem falar. E quanto à sua declaração, tenho certeza que foi porque ele tinha muita consideração por mim.
Torneio do Povo
Se não me engano, o Flamengo convidou a gente para participar, de última hora. A imprensa não acreditava na gente, pois éramos considerados um time do interior, naquela época, mas nosso time era muito forte.
Lembro bem de um lance contra o Atlético Mineiro: eu lancei a bola para o Tião, no vazio, lá na frente como o Tim pedia. Ele carregou até a linha de fundo, driblou um zagueiro, driblou outro, em seguida veio o goleiro, o Raul, ele driblou o Raul duas vezes, e o combinado era para eu entrar na marca do pênalti, para finalizar, como o Tim havia pedido. O Tião parou na linha de fundo, olhou pra mim, deu risada e cruzou errado. Quando olhei para o gol, o Raul tava voltando. Pensei: vou cabecear nas costas dele. Quando tentei tirar do goleiro, cabeceei para fora, e a imprensa ficou falando do gol que perdi por uns dois meses, passou no país inteiro.
Enfim, fomos campeões em cima do Bahia, foi muita felicidade, fizemos a maior festa no hotel. Aliás, quando chegamos ao hotel, o bicho já estava em cima de uma mesa. Fomos campeões e calamos a imprensa.
Excursão na Europa
Fui a duas, uma em 1970 e outra em 1972. Tínhamos um empresário que marcava os jogos. Íamos para Paris e jogávamos lá, aí ele marcava os jogos em outros lugares e nos íamos. Fomos para a África, Casa Blanca, mas a nossa casa era praticamente Paris.
Sobre a torcida rival
Os atleticanos me odiavam, pois eu só fazia gol em AtleTiba.
Atual momento do Coritiba.
Para dizer a verdade, eu não acompanho muito hoje em dia. Estou ficando velho. O clube ainda me manda cartas todos os meses.
O complicado hoje em dia é que o clube contrata jogadores demais e sem qualidade. Na minha época, não tinha isso, mas acredito que, com essa gurizada da base, as coisas melhoram. Sempre foi assim no Coritiba.
Por onde anda...
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)