
Fazia tempo que o Coritiba não jogava tão bem no Couto Pereira. Por conseqüência, fazia tempo que não vencia tão facilmente. Na noite de hoje, o Fluminense foi apenas uma caricatura do tradicional time da elite carioca: outrora grande, hoje é clube que vive do passado e está afundando no caos ao lado dos adversários e cartolas locais.
É uma sorte para o futebol carioca que só haja duas vagas para a segundona.
A melhor parte é que o Coritiba não tem nada com isso. Afinal, foi na mão de Ricardo Teixeira (que joga no time dos cartolas da administração carioca) que o time foi rebaixado para a segunda divisão numa canetada vergonhosa. Prejuízo à imagem e aos cofres do alviverde que nunca poderá ser esquecido. Nem perdoado.
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O árbitro da partida entre Coritiba e Fluminense, Leonardo Gaciba da Silva (RS), parece ter recebido as mesmas ordens que todos os colegas recebem antes de apitar um jogo do Coritiba: na dúvida, marque contra.
Segundo as estatísticas, o Coritiba é o time que mais rouba bola no Campeonato Brasileiro. Hoje, a média caiu. Todas as vezes que o meio-campo roubou a bola do Flu, Gaciba marcou falta. Foram, no mínimo, 20 faltas um tanto quanto duvidosas. Por outro lado, só agressões sobre os coxas-brancas eram consideradas faltas.
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Contra tudo e contra todos, o Coxa se mantém em quarto lugar - agora isolado - e vai à caça de Santos e São Paulo. Ambos têm jogo em atraso com o A. Paranaense, o que é ruim, pois são três pontos praticamente certos para os paulistas.
Com a vitória por 3x0, o Verdão chegou aos 33 pontos, contra 22 pontos do tricolor carioca. Na próxima rodada, o Coxa tem uma parada duríssima em Campinas, onde enfrenta a Ponte Preta.
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Ainda de ressaca pela vitória contra o Corinthians no Morumbi, o Verdão entrou em campo com um pouco de sono, atrapalhando-se com a grama molhada.
O problema dos visitantes era maior. Além do time ser tecnicamente muito fraco, o meia Alex Oliveira deixou o campo logo aos três minutos com uma entorse no tornozelo direito, conseqüência de uma dividida dura com Roberto Brum - o meia alviverde foi punido com cartão amarelo.
Aos cinco, o primeiro lance de perigo do Coxa. Lira cruzou da e a bola sobrou na entrada da área. Ceará bateu forte, mas a bola saiu à direita de Kléber.
O estádio vazio mais uma vez (apenas oito mil pagantes) aliado ao frio e à neblina parece ter contribuído para o jogo ficar meio amarrado, com poucas chances de gol.
O ritmo só melhorou aos 30 minutos, após a defesa alviverde bobear e deixar Sorato sair na cara do gol. Fernando, ligado na partida, conseguiu a antecipação.
No troco, Edu Sales (mais uma vez um dos destaques positivos) fez boa jogada pela direita e cruzou para Marcel, que cabeceou fraco.
Mas o artilheiro não estava disposto a passar mais um jogo no Couto Pereira em branco. Aos 38, Edu Sales cavou falta na intermediária e Marcel mandou um pombo sem asa indefensável, no ângulo esquerdo: 1x0.
Aos 42, o Flu chutou a primeira bola no gol com algum perigo. Lopes arriscou e Fernando fez boa defesa.
No intervalo, a neblina abraçou o estádio e quase não deixou os torcedores verem as muitas chances de gol do Verdão. Um verdadeiro baile.
Apesar do domínio territorial do adversário, o Verdão sempre foi mais perigoso. Aos 17, Marcel recebeu a bola em posição duvidosa e tocou para as redes, marcando seu oitavo gol no Brasileirão.
Menos de dez minutos depois, o "não-gol" mais bonito do campeonato. Edu Sales fez uma jogada incrível, driblando Marcão e Jadílson como se escrevesse um poema com os pés, mas na finalização faltou força e Kléber pegou.
Com a vitória praticamente assegurada, o Coxa tratou de se fechar na defesa. Em 30 minutos, apenas dois lances perigosos contra Fernando: um chute de Sorato muito próximo à trave esquerda e uma bola arrematada após escanteio que Ceará salvou em cima da linha.
E ainda sobrou tempo para o Verdão marcar o terceiro. Como em todo baile, faltava a hora da dança: Edu Sales recebeu a bola na direita, em velocidade. Deu um corte no zagueiro, entrou na área, chamou o outro para dançar. Com naturalidade, jogou a bola entre as pernas do adversário, que não gostou e apelou, segurando o atacante. Pênalti cobrado pelo próprio Edu Sales, no canto direito inferior: 3x0.
O Coxa foi a campo com Fernando, Danilo, Edinho Baiano e Reginaldo Nascimento; Ceará, Roberto Brum (Willians), Tcheco, Lima (Souza) e Lira; Edu Sales e Marcel (Marco Brito).
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)