
IMPRENSA
O advogado Augusto Mafuz escreveu nesta quarta-feira, 2, em sua coluna veiculada por um jornal curitibano, sobre a saída do zagueiro Jeci do Coritiba. Confira:
Derrota
De repente, o zagueiro Jéci estava largado no Guaratinguetá, um time paulista de 3ª divisão nacional. Seu destino no máximo seria jogar na 2ª divisão. Mas aí, o Coritiba, carente de zagueiro e de dinheiro, aceitou-o por empréstimo, e aderiu a uma cláusula própria de time de empresário, como é o Guará: qualquer proposta, Jéci teria o direito de ir embora.
Não sei porque razão, se é trabalho de mercado negro do empresariado no futebol, Jéci provocou suspiros no treinador Vanderlei Luxemburgo, que exigiu a sua contratação pelo Palmeiras.
O caso poderia ser encerrado simplesmente com a análise da lei de mercado. Mas seria muito cômodo para a diretoria do Coritiba ficar sem nenhuma censura, ao contrário, se fazer de vítima da falta de ética de um co-irmão do Clube dos 13.
Jéci não é mais criança. Aos 28 anos, rodou, sem alcançar, um estágio maior na carreira. Ao contratá-lo, o Coritiba, sabendo que era jogador de clube de empresário, teria que, obrigatoriamente, adotar uma forma de proteção. Se não era próprio para ser investimento futuro, em razão da idade, o era, pelo menos, para ser investimento técnico, até o final da temporada. Mas o G-9, que agora se tornou G-1 porque só Homero Halila decide, aceitou a regra do jogo do empresário. E aceitou em relação ao excelente goleiro Edson Bastos, Alex Silva e Michael. Se uma proposta por um dos três chegar, eles irão embora. Por Edson Bastos, todo dia bate uma proposta, e o goleiro só não foi porque quer respeitar o clube.
Já disseram que o Coritiba fez de tudo para manter Jéci. Até chegou aos valores da proposta do Palmeiras. Esse argumento, oferecido de público por Homero, compromete ainda mais os dirigentes: se Jéci tinha um contrato de trabalho, e se o Coritiba ofereceu a mesma compensação financeira, qual a causa da rescisão?
Só faltou o G-9, ou o G-1, como queiram, dizer que o Palmeiras foi preferido por Jéci porque é Palmeiras, e o Coritiba é Coritiba, como se a distância de um para o outro fosse, como antigamente, extraordinária.
Diante da igualdade das propostas, ficou ausente a justa causa para Jéci romper o seu contrato. A vontade do jogador prevalece, desde que não traga prejuízos ao clube: é o princípio que rege todos os contratos.
O que eu quero dizer é que os dirigentes do Coritiba, incapazes de usar o nome e os direitos do clube, transformaram-no, publicamente, num interposto do dono do Guaratinguetá, time de 3.ª divisão. Os que desconhecem a história do Coritiba, dirão que o fato é coisa de time pequeno. E olhe que se trata de Jéci, um zagueiro meia-boca.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)