
CARTA AOS SÓCIOS
Os 603 sócios do Coritiba (números extra-oficiais) receberam em suas residências uma correspondência assinada pelo Presidente Giovani Gionédis com um dossiê sobre vários assuntos relativos ao momento do Verdão. Em cerca de 60 folhas, entre fotocópias de documentos públicos e relatórios, o dirigente coritibano dispara contra a oposição, fala sobre a formação do elenco 2007, o impasse político, o Coritiba S/A, o 'Caso Evangelino', as dívidas e as representações contra os conselheiros André Macias e João Jacob Mehl, ex-Presidente do Cori.
Deixando claro que a atual diretoria não renunciará, GG afirma que irá cumprir o mandato de dois anos: "Somos homens de luta que temos lutado para o bem do Coritiba. Fomos eleitos por dois (02) anos de mandato e iremos cumpri-lo, com dignidade, com decoro e com amor ao nosso clube. Tudo faremos para cumprir nossa missão"
Na correspondência aos sócios (um documento mais completo que outro enviado dias atrás aos conselheiros do Coritiba), o Presidente Gionédis esclarece que "considerando os últimos acontecimentos envolvendo o Coritiba e na qualidade de presidente (...) venho (...) trazer um pouco de realidade do clube que sofre uma discussão de suas mazelas pela imprensa, para prazer de nossos adversários".
Em outro trecho, GG complementa: "Agora (dirigentes do Conselho Deliberativo e oposição) inovam mais uma vez na ânsia de tomar o poder que as urnas não os delegou. Criaram o ano inteiro situações embaraçosas à administração e agora buscam uma destituição, sem qualquer fundamento"
Em outro parágrafo, o dirigente faz uma analogia entre a formação do elenco desta temporada, com o novo elenco que atuará pelo Alviverde em 2007: "Novamente, como ocorreu no ano passado, justamente no momento de formação de um elenco para o início de uma nova temporada já em 14/01 marcam uma assembléia absurda, numa cassação branca, pré-julgada para o dia 10/01".
O caso das assinaturas de Evangelino
Na correspondência, Giovani pede ao sócio coritibano que faça reflexões. Em caixa alta e negrito, a frase A mentira todavia não pode prevalecer" é a chamada para o sócio. "Desta forma, tomo a liberdade como dirigente máximo do Coritiba de trazer para reflexão de Vossas Senhorias a verdade, provada documentalmente. Perca um pouco do seu tempo, examine os documentos com carinho e tire suas conclusões", para logo após fazer um posicionamento sobre o 'Caso Evangelino', que trata sobre uma suposta fraude documental que beneficiaria a chapa situacionista nas eleições de 2005, vencidas pelo grupo de Gionédis.
O dossiê da diretoria Coxa apresenta uma série de considerações sobre o tema, inclusive fotocópia de um laudo grafotécnico no qual dois peritos apontam que as quatro assinaturas relacionadas em documentos eleitorais teriam sido emanadas de um mesmo punho escritor. Além do laudo, são anexadas cópias dos documentos públicos pelos quais Neves se retrata da acusação da falsificação documental, por ele levantada anteriormente.
Em outro momento do texto, GG desafia a Mesa do Conselho Deliberativo, com o seguinte texto em caixa alta: Onde está a perícia que o Conselho Deliberativo disse em alto e bom som nas rádios e para a mídia impressa que teria realizado?", entendendo que a designação da perícia teria sido um ato "absurdo, medida arbitrária, ditatorial" do Dr. Júlio Militão, Presidente do Conselhão do Cori.
Coritiba Futebol S/A
Sobre a S/A, a correspondência assinada pelo Presidente Giovani destaca os dois motivos da criação da nova empresa, um dos quais não foi atingido, devido à negativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM): proteger o patrimônio do Coxa contra penhoras e emitir ações preferenciais sem direito a voto, para angariar capital e investir em patrimônio e futebol do Alviverde (esta última negada pela CVM).
Segundo Gionédis, em 2002, foi feita uma auditoria completa nas contas do Verdão e a dívida chegava a 50 milhões de reais.
O documento relaciona nomes dos 13 conselheiros que têm direito a voto no Coxa S/A (segundo o dossiê, os outros 99,99% das ações são do Coritiba Foot Ball Club), dentre os quais, alguns conselheiros que atualmente fazem parte do grupo oposicionista a GG: Domingos Moro, Ricardo Gomyde, Homero Halila, André Macias, Omar Akel, Simão Blinder, Luiz Henrique Barbosa Jorge ("Espeto"), Jorge Wachelke, José Augusto Arruda, André Ribeiro, Cleverson Teixeira, Ney Perracini de Azevedo e Giovani Gionédis, conselheiros que compunham as mesas diretoras à época da criação da S/A, em janeiro de 2002.
GG destaca que, no atual patrimônio da S/A, estão uma chácara em Quatro Barras e dois ônibus, bens estes não sujeitos a penhoras. O dirigente também ressalta que as contas são publicadas em jornal de circulação (neste ano, o Indústria e Comércio), bem como que as contas foram apresentadas ao Conselhão, o que, segundo Giovani, descaracteriza a existência de uma 'caixa preta', termo que teria sido empregado por alguns dos líderes oposicionistas.
Representações ao Conselho Deliberativo
Na correspondência aos sócios, o dirigente do Alviverde afirma que, por dever estatutário, a diretoria foi obrigada a apresentar ao Conselho Deliberativo representação contra os conselheiros Jacob Mehl, devido a uma transação envolvendo o atacante Sinval junto ao Lugano, na qual o Cori ainda deve ao Lugano US$ 140 mil (mais os juros), e André Macias, devido aos valores superfaturados pelos serviços de agenciamento de viagens, através de uma empresa da qual ele é proprietário.
Segundo Gionédis, os documentos referentes aos dois casos foram encaminhados ao Conselhão anexos aos pedidos de exclusão e comprovariam as irregularidades. Os referidos documentos, contudo, não fazem parte do 'dossiê' enviado aos sócios.
Recordando
Outro tema abordado na correspondência do Presidente Giovani aos sócios versa sobre as gestões de alguns dos opositores, entre os quais Jacob Mehl, Francisco Araújo, Tico Fontoura, Edison Mauad, Marcos Hauer e Miguel Cecchia.
Sobre o tema, são relatadas as gestões de 1988/89 e 90/91, nas quais os supracitados conselheiros faziam parte das diretorias do Verdão. Gionédis destaca que, no Campeonato Paranaense de 88, o Cori ficou em penúltimo lugar, não sendo rebaixado por dois pontos, e lembra da decisão de diretoria, pela qual o Verdão não jogou contra o Santos em Juiz de Fora, e foi rebaixado por um ato administrativo da CBF. O documento ressalta que o advogado coritibano à época era Mauro Maranhão, sogro de Ricardo Gomyde.
Sobre a administração do biênio 1990/91, o documento lembra da queda à terceira divisão, ocorrida em 90, que foi revertida numa virada de mesa da CBF.
Gionédis fez questão de ressaltar o Bicampeonato paranaense conquistado em sua gestão, além de um vice-campeonato, a ida à Copa do Brasil durante os últimos cinco anos, e à Sul-Americana e à Libertadores (em 2004). Em outro trecho, o dirigente ressalta que "o retorno à primeira divisão esse ano não ocorreu por 03 pontos. O Coritiba em todo o campeonato nunca desceu abaixo da sétima posição, esteve sempre disputando a vaga. Não pode um Conselho que tem trabalhado para o resgate do Coritiba como um todo, ser execrado por um resultado quem não depende dele. Todas as condições aos atletas e comissão técnica foram dados. Os três pontos ficou (sic) nos pés de nossos jogadores e na trave de nossos adversários."
Dívidas
A documentação apresenta cópias de planilha da amortização da dívida de 2002 a 2006, com descritivos dos credores, gestão de origem da dívida e do valor.
Anexos
Já circula na Internet reproduções digitais dos documentos. Os usuários do Orkut podem conferir as oito primeiras folhas da documentação clicando aqui.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)